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Cristo do Corcovado continua “muito generoso” para a Galp

É uma relação de três décadas com o Brasil, que volta a conhecer novo crescimento em 2026. Mas há mais para vir nos próximos anos. Já na Namíbia há um novo furo de exploração este ano.
6 Março 2026, 07h18

Rio de janeiro, 30 de abril de 2009. Decorre um jantar na zona sul carioca. Há razões para celebrar neste restaurante no Leblon. Motivo? A Galp celebra uma nova era e muito lucrativa. No dia seguinte, teria lugar o evento que iria marcar o primeiro petróleo do campo de Tupi, no navio-plataforma Cidade de São Vicente, no mar brasileiro, a 300 quilómetros de terra.
A produção da Galp a sério no pré-sal no mar brasileiro arrancaria um ano depois, em 2010, mas Américo Amorim, acionista de referência, já estava confiante sobre o potencial petrolífero do país-irmão: “O Cristo do Corcovado foi muito generoso com a Galp”, disse o empresário, segundo a reportagem do “Expresso” na altura, recordada anos mais tarde pela “Visão”.
Passados quase 20 anos, 2026 vai continuar a ser de crescimento para a Galp em Terras de Vera Cruz.
A companhia espera chegar ao final deste ano com um crescimento acima de 15% na produção para os 125/130 mil barris diários.

Em outubro de 2025, o consórcio da Galp, com os noruegueses da Equinor como operadores, anuncia o arranque da produção no campo de Bacalhau, que conta com reservas de mais de mil milhões de barris. Para a Galp, isto significa mais de 40 mil barris diários, mais 30% de produção, mas somente quando o navio-plataforma Bacalhau estiver em plateau, isto é, atingir um nível elevado e estável de produção, após a fase inicial de lançamento, ramp-up, que é a fase em que se encontra esta plataforma, que tem uma capacidade máxima para produzir 220 mil barris diários.

“Demora cerca de um ano a fazer o ramp-up. Vai acelerando, vai ganhando expressão”, disse ao JE a co-CEO Maria João Carioca.
“Ao longo deste ano, vamos assistir a um subir de capacidade. A nossa expectativa é que no final de 2026, início de 2027, estejamos já em plateau, mantendo-se assim durante três, quatro ou mais anos”, diz, apontando que os ativos no Brasil “têm tido uma vida muito duradoura”.

“Temos tido reservatórios com boa qualidade e Bacalhau, nos furos que fizemos também dá essas boas indicações”, destaca.
A Galp anunciou esta semana que atingiu um lucro recorde em 2025. Foi uma subida de 20% para 1.150 milhões de euros.
A contribuir para este resultado histórico esteve o aumento da produção de petróleo e gás no Brasil e o aprovisionamento&trading de gás natural.

Também no Brasil, os navios-plataformas Sépia II e Atapu II ficarão concluídos antes do planeado.
Já na Namíbia, a promessa no portfólio da Galp, a companhia espera realizar um furo exploratório na área de Mopane em meados de 2026, mais dois furos exploratórios em 2027. Em meados deste ano, será também tomada a decisão final de investimento na área de Vénus.

“Já estamos numa perspetiva de como é que vamos começar a explorar o ativo. São furos para perceber melhor, já mais orientados a desenhar a melhor solução” para o “desenvolvimento do conceito de exploração”, disse Maria João Carioca.
Em São Tomé e Príncipe, num regresso à lusofonia em África, a companhia vai realizar um furo de exploração em 2027.
A Galp espera fechar o acordo final com a Moeve em meados de 2026, numa fusão dos ativos das duas empresas em duas novas sociedades: uma com a rede de postos de combustível, outra com as refinarias.
Já o conflito no Médio Oriente está a obrigar a companhia a desviar petroleiros pelo Cabo da Boa Esperança.


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