CTT regista prejuízo de dois milhões de euros no primeiro semestre de 2020

Prejuízo foi justificado com a evolução negativa do lucro antes de juros e imposto de renda (EBIT), “parcialmente compensada pelo comportamento imposto sobre o rendimento do período”. Os rendimentos operacionais também decresceram, devido ao impacto da pandemia da Covid-19.

João Bento, presidente executivo dos CTT | Cristina Bernardo

Os CTT – Correios de Portugal registaram um resultado líquido negativo de dois milhões de euros no primeiro semestre de 2020, um valor que corresponde a um tombo de 121,1% face aos primeiros seis meses de 2020 (9 milhões de euros), de acordo com as contas semestrais divulgadas esta quarta-feira. A operadora postal liderada por João Bento justificou o prejuízo com a evolução negativa do lucro antes de juros e imposto de renda (EBIT), “parcialmente compensada pelo comportamento imposto sobre o rendimento do período”. Os rendimentos operacionais também decresceram, devido ao impacto da pandemia da Covid-19.

O EBIT ascendeu a 4,9 milhões de euros, um valor 75,3% abaixo do registado entre janeiro e junho de 2019. Este indicador foi “penalizado pelo decréscimo do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização [EBITDA] e pelo crescimento das imparidades e provisões para fazer face a perdas potenciais com a contração económica prevista (+8,7 milhões de euros) – principalmente na área de negócio do Banco CTT, em particular no crédito automóvel -, mas também por via das amortizações (+3,6 milhões) que resultam de investimentos estratégicos, que não compensaram o decréscimo verificado nos itens específicos (-10,9 milhões de euros)”.

O EBITDA atingiu 33,4 milhões de euros, um decréscimo de 28% face ao mesmo período de 2019, “fortemente impactado pelo correio e outros”. “As restantes áreas de negócio cresceram no primeiro semestre de 2020 e, em junho, o EBITDA consolidado já voltou a crescer (+7,9%), continuando a robusta trajetória iniciada em janeiro e fevereiro de 2020”, lê-se no relatório de contas da operadora postal.

Os rendimentos operacionais dos Correios, por sua vez, caíram 1,6%, para 349,2 milhões de euros no final do primeiro semestre. A empresa liderada por João Bento salientou que, apesar do impacto da pandemia da Covid-19, foi possível crescer “em todas as áreas de negócio exceto a de correio e outros”.

A área de correio e outros caiu 14%, para 204,2 milhões de euros. Já a área de expresso e encomendas cresceu 16,9%, para 85,1 milhões de euros, os serviços financeiros avançaram 1,2%, para 21,5 milhões de euros, e área de negócio do Banco CTT cresceu 63% – “acima do período homólogo de 2019” -, para 38,4 milhões de euros.

No relatório de contas dos CTT lê-se que a área de negócio de correio e outros “foi muito afetada pelo confinamento e pelo arrefecimento da economia desde a segunda metade do mês de março até maio, em consequência da Covid-19”, o que implicou “a redução do horário de funcionamento das lojas dos CTT”, levando a uma “menor procura de serviços ao consumidor”. Já no segmento empresarial, a operadora postal, na área de correio, registou “uma redução da atividade, com particular destaque para os setores da banca e utilities e, ainda, da administração pública pelo encerramento ou suspensão da atividade de diversos organismos públicos e preparadores de correio”.

Já o crescimento verificado na área de negócio expresso e encomendas em Portugal foi justificado pelo “conjunto de iniciativas lançadas pelos CTT procurando acelerar e alavancar soluções que ajudassem a estimular a recuperação da atividade perdida e criando oportunidades de crescimento, nomeadamente os serviços CTT Comércio Local, Criar Lojas Online, entrega de medicamentos ao domicílio ou CTT Expresso para Hoje”. Por mercado, em Portugal esta área cresceu 12,8%, para 51, 8 milhões de euros. Já em Espanha, os rendimentos do negócio das encomendas cresceram 23,2% face aos mesmos seis meses de 2019, para 31,9 milhões de euros.

Quanto ao Banco CTT, o crescimento dos rendimentos deveu-se à “performance positiva da margem financeira no primeiro semestre deste ano, 12,3 milhões de euros (+135,3%) acima do mesmo período de 2019”. “A performance comercial do Banco CTT permitiu o incremento dos depósitos de clientes para 1.512 milhões de euros (mais 42,1% do que no primeiro semestre de 2019 e mais 17,8% do que no final do ano de 2019) e do número de contas, para 489 mil contas (mais 81 mil do que no primeiro semestre de 2019 e mais 28 mil que no final do ano de 2019)”, lê-se.

Relativamente aos gastos operacionais, os CTT viram a despesa aumentar 2,3%, para 315,8 milhões de euros. Em causa está “um impacto de seis milhões de euros da 321 Crédito”, explicou a empresa, adiantando que “os gastos com pessoal aumentaram 900 mil euros no primeiro semestre”. A empresa fechou junho com 12.015 trabalhadores.

Os gastos com fornecimentos e serviços externos cresceram 3,8%, para 3,8 milhões de euros e a rubrica outros gastos agravou 2,5 milhões de euros em termos homólogos.

O passivo dos CTT, enquanto grupo, “aumentou 128,4 milhões de euros, destacando-se o acréscimo dos depósitos de clientes bancários e outros empréstimos (+190,5 milhões de euros), parcialmente compensados pelo decréscimo das contas a pagar (60,5 milhões de euros), consequência direta da significativa redução de subscrições de Certificados do Tesouro, e pela diminuição da rubrica de outros passivos financeiros bancários (-10,9 milhões de euros)”. Já a dívida líquida agravou cinco milhões de euros, para 65 milhões de euros, em termos homólogos.

A operadora postal fechou a sessão bolsista desta quarta-feia a somar 3,21%, para 2,57 euros.

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