“Custo de receber MotoGP sem público é muito elevado. Teremos 5 a 6 milhões de resultado negativo, no mínimo”, assegura analista

Entrevistado pelo JE, Paulo Reis Mourão, economista, docente e investigador da Universidade do Minho, antevê um resultado negativo fruto da impossibilidade de receber público mas um impacto económico entre 20 e 25 milhões de euros.

Oito anos depois, o o MotoGP está de regresso a Portugal. Depois de receber a Fórmula 1, o Autódromo Internacional de Portimão recebe as melhores motos do mundo, com Miguel Oliveira como cabeça de cartaz. Entrevistado pelo JE, Paulo Reis Mourão, economista, docente e investigador da Universidade do Minho, antevê um resultado negativo fruto da impossibilidade de receber público mas um impacto económico entre 20 e 25 milhões de euros.

Quanto pode custar ao Algarve (e ao país) o facto do Moto GP “pagar a fatura” por, no entender do Governo, não terem sido acauteladas todas as medidas sanitárias desejáveis no GP de Fórmula 1 em Portimão?
O custo dependerá muito da perceção do que está incluído – se uma espécie de sanção (o que penalizará não só a Organização como a imagem do País) se um custo derivado da necessidade de controlo epidémico (que reduzirá o primeiro fator). De qualquer modo, o custo de oportunidade da receção de uma prova Moto GP em Portugal sem público é muito elevado: no mínimo, somando os custos de organização/captação do evento com os custos tradicionais (segurança local reforçada, trabalhos de pista, pacotes promocionais, etc) teremos sempre no mínimo 5 a 6 milhões de euros de resultado negativo que deveriam estar como positivos.

Mesmo sem público, o que se pode esperar de impacto económico pela presença do Moto GP em Portugal?
Os “Benefícios promocionais” devem ser somados aos obtidos com a F1 (bem como com o conjunto de provas do calendário do Autódromo de Portimão e das outras pistas nacionais que acolhem eventos de projeção internacionais). Em média, dada a visibilidade do Moto GP a uma escala mundial e considerando os custos médios de exposição mediática paga teremos um impacto em redor de 20 a 25 milhões de euros.

Portimão está de reserva para receber Moto GP em 2021, caso não se possa fazer a prova na Argentina e EUA. O que terá de acontecer para que esse Moto GP possa ter público e ter um impacto significativo?
Desde logo, que as condições da evolução pandémica assegurem a presença de público em Portugal, não só no fim-de-semana de provas mas inclusive nas semanas envolventes (antes e após, de modo a solidificar os impactos na economia real local, regional e nacional).

Um segundo ano sem público pode alterar significativamente o investimento no Moto GP?
R: Sim, como na maioria das modalidades desportivas profissionais. No entanto, cenários alternativos passam pela renegociação dos direitos televisivos na medida em que os públicos esperados se deslocam, em contexto pandémico, das bancadas para os sofás de casa. Nestes cenários, os investimentos nas infraestruturas locais serão destinados a melhoramentos nas infraestruturas de transmissão digital, na medida em que a emoção “em pista” tentará ser replicada pela emoção “à distância” com novos conteúdos, dados estatísticos, ângulos de transmissão e de visionamento e perceção do trabalho das equipas e dos mecânicos para lá das reações dos pilotos.

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