‘Data Analytics’: a transformação de dados em sucessos

Várias fontes apontam para um cada vez maior investimento e adoção de soluções de IA que permitam alargar o leque de possibilidades em aplicações de ‘Analytics’.

O digital é uma realidade incontornável e as organizações têm de definir as suas estratégias de transformação e de implementação de processos digitais para as integrarem no seu dia a dia. Além de criar novas oportunidades, também torna possível o acesso a ferramentas online anteriormente inacessíveis para as empresas, contribuindo para que estas sejam mais ágeis e competitivas.

Da cloud ao tratamento e cruzamento da informação (Analytics e Big Data), passando pela Inteligência Artificial (IA) e pelo Machine Learning (ML), as oportunidades são inúmeras para as empresas que querem ser mais ágeis, inovadoras e competitivas. Em 2018, estes foram conceitos tecnológicos avidamente debatidos e que impactaram o dia a dia, quer das organizações, quer dos indivíduos. E em relação a 2019, o que podemos esperar do ponto de vista da implementação estratégica a nível tecnológico?

Este ano, 40% das iniciativas de transformação digital utilizarão serviços de IA e estima-se que, em 2021, 75% das apps empresariais comerciais vão utilizar IA. Também relevante é o facto de mais de 90% dos consumidores que vão interagir com bots de apoio ao cliente e mais de 50% dos novos robôs industriais vão ter IA. A IDC prevê que nos próximos 36 meses o recurso a ML, Deep Learning e bots seja de suma importância para o desenvolvimento aplicacional.

Em primeiro lugar, é importante sublinhar que termos como “Analytics”, “Big Data”, “Machine Learning” e outros relacionados não podem ficar restringidos à lógica das referências aos processos de transformação digital como se de chavões se tratassem. É, sim, necessário olhar para estas definições de um ponto de vista prático e como ponto de partida para uma implementação estratégica integrada de sistemas e soluções que permitam às empresas e organizações do setor público fazerem evoluir os seus processos, produtos e serviços.

Tendo tudo isto em consideração, vale a pena olhar para o ano de 2019 como o momento em que estas estratégias são definidas e concretizadas.

Segundo a IDC, até 2020, a maior parte da atividade de metade das duas mil maiores empresas do mundo dependerá da sua capacidade de criar produtos, serviços e experiências digitais aprimorados. Para facilitar o seu desenvolvimento, os investimentos em transformação digital atingirão 2.200 mil milhões de dólares (cerca de 1,9 mil milhões de euros) em 2019, um crescimento de quase 60% em relação a 2016.

Face a isto, podemos assumir, com algum grau de confiança, que algumas das tendências mais relevantes estarão relacionadas com a área de Business Analytics, cujo objetivo passa por recolher, analisar, interpretar e traduzir em insights relevantes para as organizações tudo aquilo que são os dados obtidos através das ferramentas de Big Data, ML e IA. Por este motivo, vale a pena encarar este tema como sendo uma área de grande preponderância no ano que agora começou.

De acordo com um relatório de novembro de 2018 realizado pela consultora McKinsey, apenas 21% dos respondentes afirmam ter implementado soluções de IA em várias áreas de negócio, sendo que o investimento nesta tecnologia ainda representa “uma pequena parcela do total despendido em tecnologias digitais por parte das empresas”. Neste contexto, são várias as fontes que apontam para um cada vez maior investimento e adoção de soluções de IA que permitam alargar o leque de possibilidades em aplicações de Analytics.

As estatísticas mostram que as empresas com menos de 100 funcionários tiveram a maior taxa de adoção de Analytics em 2018. E a tendência da adoção destes softwares em organizações menores deve continuar em 2019, especialmente porque as soluções são cada vez mais acessíveis.

Tirando partido do facto de estas plataformas terem uma enorme capacidade de processamento de dados em grandes quantidades e através de uma cada vez mais alargada, massiva e democratizada recolha de dados, é expectável que o volume de investimento em soluções de IA aumente ao longo deste ano, permitindo alcançar melhores resultados de Business Analytics.

Além do campo do investimento, espera-se que o ano de 2019 traga também grandes novidades na área do storytelling em contexto de Analytics. Sem uma correta contextualização dos dados apresentados ou uma forma atrativa de os exibir perante os decisores das empresas, as enormes quantidades de dados resultantes das ferramentas de Analytics correm o risco de se tornarem praticamente indecifráveis ou, na pior das hipóteses, inúteis.

É, por isso, importante olhar também para a necessidade de existirem profissionais qualificados que consigam interpretar os números e traduzi-los em informação relevante para o negócio e os respetivos stakeholders, assegurando a qualidade da forma e do conteúdo da apresentação.

São enormes os ganhos que podem ser retirados de uma abordagem estruturada e bem delineada de implementação de uma estratégia de Business Analytics que contemple as várias ferramentas à disposição das organizações. É, por isso, inevitável olhar para esta área como sendo uma fonte rica de inputs para a melhoria de departamentos comerciais, financeiros, de TI, marketing ou recursos humanos, por exemplo, mas também no aperfeiçoamento dos processos de gestão interna, das ferramentas de vendas ou até dos próprios produtos.

Numa altura em que o tecido empresarial português está a fervilhar com as mais-valias que as novas tecnologias podem providenciar, é necessário estarmos cada vez mais a par de todas as ferramentas que podem contribuir para o sucesso das organizações nos próximos anos. E, cada vez mais, a implementação de ferramentas de IA é algo a ter muito em conta, sob pena de se ficar irremediavelmente para trás.

Recomendadas

Prepare a carteira. Vem aí (mais) um aumento nos combustíveis

A partir de segunda-feira, os combustíveis ficam novamente mais caros. Aumento é maior na gasolina, tanto nas cadeias de marca branca, como nas principais gasolineiras.

Dia da Propriedade Intelectual: Criei uma marca. O que posso fazer para a registar?

Os advogados do departamento de TMT & Propriedade Intelectual da sociedade CCA explicam o que fazer para registar uma marca. O primeiro passo? Verificar se preenche determinados requisitos para que o seu registo seja concedido. Comemora-se esta sexta-feira o Dia Mundial da Propriedade Intelectual.

Caixa Geral está a vender Mercedes para atingir metas da recapitalização

Campanha de crédito “imbatível” está a chegar por email a clientes. Banco justifica com metas “extremamente exigentes”. E diz que não está a promover o endividamento, pois clientes acederiam na mesma a outras opções de financiamento do mercado.
Comentários