As recomendações de dezembro de 2025 do Banco Central Europeu (BCE) sugerem uma simplificação das regras bancárias que coloca em causa o futuro dos instrumentos Additional Tier 1 (AT1), variando entre o redesenho estrutural e a sua eliminação total.
O setor bancário europeu entrou assim em 2026 num debate fundamental sobre a sua arquitetura de capital. No centro da discussão estão os instrumentos Additional Tier 1 (AT1) — títulos de dívida de elevada subordinação que podem ser convertidos em capital ou amortizados para absorver perdas enquanto o banco ainda está operacional (em going-concern).
Embora a reavaliação regulatória traga incerteza a longo prazo, a Morningstar DBRS não prevê impactos imediatos nos ratings e destaca a resiliência do mercado, apoiada por sólidos balanços bancários. Pode ler a análise completa no site da Morningstar DBRS.
A “Task Force” de simplificação do BCE apresentou recomendações que propõem dois caminhos distintos para os AT1. Por um lado o redesenho estrutural que passa por alterar as características dos títulos para garantir que a absorção de perdas seja mais transparente e fiável em situações de stress.
Por outro a remoção do sistema que consiste em eliminar os instrumentos não-CET1 (como os AT1) do stock de capital, substituindo-os por capital próprio puro (CET1) ou eliminando-os sem substituição.
Esta movimentação segue os passos de jurisdições como a Austrália, que já optou pela eliminação progressiva destes instrumentos.
Apesar da incerteza, a Morningstar DBRS indica que não espera um impacto imediato nos ratings de crédito. “O processo de aprovação e implementação poderá levar vários anos e enfrentar resistência política”, afirma a agência. Além disso, prevê-se que quaisquer alterações incluam períodos de transição (grandfathering) para os títulos já emitidos.
Nicola De Caro, vice-presidente sénior da Morningstar DBRS, sublinha que, para já, o mercado tem demonstrado resiliência. “O mercado de AT1 continua a funcionar suavemente, apoiado por fundamentais bancários sólidos e uma procura constante por parte dos investidores”, diz.
A DBRS diz no entanto que o fator geopolítico vai ser levado em conta. A resiliência do mercado está a ser testada por fatores externos. A recente escalada do conflito no Médio Oriente, envolvendo o Irão, aumentou a volatilidade nos mercados globais. Este cenário resultou num alargamento dos spreads de crédito dos bancos europeus, incluindo os AT1, à medida que os investidores reavaliam os riscos de inflação e as trajetórias das políticas dos bancos centrais.
Para os analistas, este contexto reforça a necessidade de buffers de capital robustos para navegar períodos de stress agudo.
A indústria aguarda agora detalhes mais específicos sobre o design da política final. Se a simplificação regulatória for bem-sucedida, poderá aumentar a transparência e a eficiência do sistema financeiro europeu. No entanto, a transição para um modelo sem AT1 exigiria que os bancos encontrassem formas alternativas e potencialmente mais caras de cumprir os seus requisitos de capital.
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