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De Foz Côa a Sernancelhe: Concelhos do interior registam forte crescimento na procura por habitação

Em alguns casos a subida ultrapassa os 100%, de acordo com dados do portal Imovirtual, que adianta que os grandes mercados tradicionais estão a ter uma retração. “A evolução da procura surge acompanhada por ajustamentos relevantes nos preços”, adianta o portal “Imovirtual”.
Prédios para habitação própria, arendar, vender ou alugar no distrito de Lisboa, 31 de agosto de 2023. MIGUEL A. LOPES/LUSA
10 Fevereiro 2026, 12h14

O interior do país teve um forte crescimento na procura por habitação, entre 2024 e 2025. Em alguns casos a subida ultrapassa os 100%, de acordo com dados do portal Imovirtual, que adianta que os grandes mercados tradicionais estão a ter uma retração.

“No conjunto dos grandes mercados tradicionais, a tendência é de retração da procura. Lisboa registou uma diminuição de 13,2%, enquanto o Porto apresentou uma redução de 4,3%. A descida é ainda mais acentuada em Vila Nova de Gaia (-29,2%), Cascais (-34,6%) e Sintra (-14,8%). Estes dados evidenciam uma desaceleração da procura nos concelhos historicamente mais procurados, num contexto marcado por preços elevados, menor margem de negociação e maior cautela por parte de quem pondera comprar casa”, assinala o portal imobiliário.

Já em vários concelhos do interior e também em territórios fora do radar tradicional caminha-se na direção oposta. “Vila Nova de Foz Côa lidera com um aumento de 135,3%, seguida de Alfândega da Fé (+123,3%), Sernancelhe (+106,6%), Murça (+91,9%) e Aljezur (+83,1%). Apesar destes mercados continuarem a representar uma menor fatia do volume total de pesquisas, o ritmo de crescimento anual evidencia uma mudança clara no comportamento da procura, com um alargamento do interesse para novas geografias”, diz o Imovirtual.

“A evolução da procura surge acompanhada por ajustamentos relevantes nos preços”, adianta o portal. “Em Vila Nova de Foz Côa, o preço médio da oferta desceu 32,3%, passando de 399 mil euros para 270 mil euros. Em Alfândega da Fé, a correção foi de 23,5% (de 85 mil euros para 65 mil euros), enquanto em Sernancelhe a oferta recuou 26,5% (de 170 mil euros para 125 mil euros). Em Murça, a descida foi ainda mais acentuada, de 48,3% (de 115 mil euros para 59.500 euros). Estes ajustamentos tornam estes concelhos substancialmente mais acessíveis face aos mercados tradicionais”, sublinha o Imovirtual.

Os dados do Imovirtual referem que nos grandes centros urbanos os preços médios de venda continuam, em muitos casos, acima dos 300 mil euros enquanto que nos concelhos emergentes analisados a maioria das pesquisas concentra-se em valores entre 65 mil euros e 120 mil euros.

“Os dados mostram uma redistribuição clara da procura imobiliária em Portugal. À medida que os preços nos grandes centros se mantêm elevados, começam a ganhar visibilidade concelhos fora do radar tradicional, onde os valores são mais ajustados e existe maior margem de decisão para quem procura comprar casa. Não se trata de um fenómeno pontual, mas de um sinal consistente de mudança no comportamento da procura”, diz a marketing manager do Imovirtual, Sylvia Bozzo.

O portal imobiliário adianta que este movimento sugere uma “maior abertura” dos compradores a territórios fora dos eixos urbanos habituais, num contexto em que fatores como preço, qualidade de vida e flexibilidade geográfica “ganham peso” nas decisões de compra. “Ao mesmo tempo, o volume ainda relativamente contido destes mercados cria uma janela de oportunidade antes de uma eventual maior pressão da procura”, afirma o Imovirtual.

“Mais do que uma tendência isolada, estes dados apontam para uma redefinição do mapa imobiliário português, onde concelhos fora do radar tradicional começam a ganhar relevância nas decisões de compra, desafiando a centralidade histórica dos grandes centros urbanos”, diz o portal.


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