De Portugal para o mundo: aumento das exportações é receita para crescer

Perspectiva de crescimento da economia dá força para a internacionalização das empresas nacionais, que exportam serviços e produtos para os quatro cantos do mundo.

1. Qual é a prioridade da sua empresa para 2020?

 

 

Rui Almeida, CEO da Moneris

Foco no digital e no cliente

Nos últimos três anos a Moneris tem observado um crescimento orgânico e sustentado, assente numa crescente multidisciplinaridade e consequente diversificação de serviços e soluções que apresenta ao mercado. Hoje a Moneris posiciona-se claramente como uma consultora de largo espectro, em que o aconselhamento e a consultoria, nas diferentes vertentes como sejam a estratégica, financeira, fiscal ou de gestão, têm um papel preponderante.

Podemos reconhecer que temos vivenciado momentos de crescimento económico generalizado, no panorama nacional e europeu, pelo que estes tempos de algum modo nos arrastaram para esta evolução positiva, que soubemos aproveitar. Certo é que hoje a nossa organização está mais preparada para ser ela a arrastar o mercado, em tempos futuros que se anteveem de menor crescimento e que, apesar de nos mantermos moderadamente otimistas, se deverão pautar por algum arrefecimento económico. As nossas prioridades para 2020 serão, como tal, a de consolidar o nosso foco numa agenda de transformação digital, que vimos prosseguindo nos últimos anos, e a de focar os nossos profissionais em atividades de consultoria e em serviços e soluções de valor acrescentado, em que o aconselhamento ao cliente seja o fator preponderante. No que ao primeiro eixo se refere, é certo que a tecnologia está a impulsionar a mudança na profissão. A inteligência artificial, o ‘machine learning’ e a robótica estão a permitir uma crescente comoditização dos serviços de conformidade, declarativos e repetitivos ou rotineiros. A este respeito, a Moneris tem prosseguido uma agenda de transformação digital que lhe permite estar hoje na vanguarda das soluções de automação que lhe permitem otimizar processos e, como tal, assegurar uma maior produtividade e tempestividade no serviço ao cliente. A inovação e a tecnologia estão no coração da nossa estratégia corporativa e são condição essencial para podermos acrescentar valor aos clientes, que já não valorizam a simples componente de conformidade contabilística, fiscal ou regulatória. Hoje o que antes era fator distintivo é considerado “higiénico” e algo tomado por adquirido. O nosso desígnio digital coloca-se não apenas ao nível das atividades operacionais, mas também na forma como comunicamos com os nossos clientes, alterando a sua experiência de serviço prestado pela Moneris. A primeira prioridade é essencial e permite o desenvolvimento do nosso segundo eixo de atuação: o foco nas atividades de consultoria. Nos dias de hoje os contabilistas e consultores financeiros, de recursos humanos, de gestão e demais profissionais na área do ‘advisory’ têm de recentrar a sua atenção. Deixar as atividades de conformidade serem executadas, tanto quanto possível, pelas ferramentas de automação, focando a sua atenção e tempo em atividades que envolvam julgamento, que exijam proatividade, que permitam uma postura preditiva e prescritiva e que apoie os clientes no seu processo de decisão. A tecnologia não nos irá tirar trabalho, mas irá alterá-lo de forma indelével, pelo que a visão de gestão plena e integrada, holística e multidisciplinar, devem estar no epicentro do ‘ethos’ do consultor moderno. É este hoje o desígnio da Moneris; é esta a nossa visão do amanhã; é este o futuro que estamos, não a antecipar, mas a construir!

 

 

Isabel Azeredo, Country Head da One Portugal

Objetivo 2020: Consolidação e Crescimento

O ano de 2020 será um ano desafiante para a economia em geral e naturalmente para as empresas em particular. Se olharmos para alguns dos títulos da revista “The World in 2020” da “The Economist”, entendemos as mudanças/estímulos a que economia estará sujeita. Brexit, Donal Trump, taxas de juro negativas, o poder da China e a sua posição dominante no comércio mundial e no desenvolvimento tecnológico, a questão da sustentabilidade e da biodiversidade e a importância do desenvolvimento de um capitalismo sustentável. A este respeito, e já no início do ano 2020, a indústria do ‘shipping’ onde a ONE – Ocean Network Express está inserida, estará sujeita às novas regras relativas à emissão de enxofre. A International Maritime Organization (IMO), agência das Nações Unidas responsável pela segurança do transporte tem tido uma política pró-ativa e intransigente na definição de novos padrões e metas que vão ao encontro das preocupações ambientais e da sustentabilidade do planeta. Neste sentido, esta organização estabeleceu um regulamento que limita o teor de enxofre no combustível para menos de 0,5%, a ter efeito já a partir de 1 janeiro de 2020. A diferença de custo deste tipo de combustível LSGO (Low Sulphur Gas Oil) é de cerca de 150-200 dólares norte-americanos por tonelada, diferença esta que será ainda mais acentuada no início do ano. Ora esta medida tem impacto nos custos de empresas como a nossa e, naturalmente, este aumento de custos terá impacto no valor dos fretes marítimos e, em última medida, nos produtos finais. A consolidação no setor marítimo-portuário continua e as alianças neste setor também. A entrada em abril de 2020 da Hyundai Merchant Marine (HMM) como quarto membro da aliança onde a ONE está inserida terá impacto na nossa empresa. A empresa sul-coreana trará consigo navios de 23.000 TEU que serão implantados no nosso serviço de Ásia-Europa, fortalecendo assim o nosso portefólio de serviços. O ano de 2020 será para a ONE em Portugal um ano de consolidação e de crescimento. A consolidação de processos e procedimentos e a reestruturação das equipas é uma necessidade, por forma a capacitar a empresa de uma estrutura sólida capaz de responder a um constante aumento da procura. Por outro lado, é entusiasmante ver o interesse de investimento desta companhia japonesa multinacional no mercado português e há que saber responder com assertividade. Mais do que nunca é necessário a nível marítimo-portuário garantir a paz social nos portos portugueses, dando sinais de estabilidade em matéria de mão-de-obra portuária. Esta estabilidade captará investimento que trará riqueza não só para os portos como para a economia em geral.

 

 

Paulo André, Managing Partner da Baker Tilly

Expandir sem sair de portugal, com tecnologia

Para 2020 a Baker Tilly tem planos ambiciosos no âmbito da exportação. Não exportamos bens, mas sim serviços. Exportamos conhecimento. Tal só pode ser massificado sem incorrer nos custos e riscos que a deslocação física de recursos implica, através do uso das novas tecnologias. O mercado dos PALOP é importante para a Baker Tilly, em particular Angola e Moçambique. Temos escritórios nestas geografias, com equipas nacionais residentes em Luanda e Maputo. Espanha está aqui ao lado e é a economia com a qual as nossas empresas estão mais integradas.

Aproveitando as oportunidades que as novas tecnologias permitem explorar, a Baker Tilly aumentará significativamente os seus serviços e capacidade na área de ‘outsourcing’ financeiro (’accounting & payroll’), melhorando significativamente a sua resposta em termos de volume, rapidez e nivel de detalhe da informação disponibilizada aos nossos clientes. Tal só é possível com a implementação de uma ferramenta preconizada pela Baker Tilly, em parceria com uma ‘software house’ experiente na área de serviços profissionais, que permite o ‘digital web-baseb accounting’, automatizando os processos de recolha de informação (faturas, contratos, extratos bancários, etc.), a sua análise e conferência, o seu posterior reflexo contabilístico na base dos principios aplicáveis em cada geografia, terminando com a validação dos registos contabilísticos através do uso de tecnologias e metodologias de ‘Data Analytics’ (efetuando correlações automáticas entre rubrica, entre saldos, entre movimentos, incluindo a sua reconciliação com diversa informação de natureza operacional e fiscal). Este serviço permite gerir o processo à distância, tendo sido desenvolvido um centro de excelência em Portugal que assiste e suporta os serviços de ‘outsourcing’ financeiro a clientes localizados em Portugal, mas essencialmente nos PALOP. Nestas geografias teremos essencialmente colaboradores séniores que farão o ‘interface’ e comunicação direta com os clientes. Desta forma, teremos a possibilidade de, ainda que mantendo recursos humanos e tecnologia baseada em Portugal, faturar (exportar) serviços de valor acrescentado para aquelas geografias. A Baker Tilly Espanha integra desde meados de 2019 uma das maiores firmas de auditoria e consutoria de origem espanhola, com cerca de 15 escritórios e mais de 25 milhões de euros de faturação. Com o objetivo de potenciar as sinergias que podem resultar de uma trabalho conjunto entre esta nova equipa a equipa anterior da Baker Tilly Espanha e a Baker Tilly Portugal, foram criadas equipas de especialização e ‘taskforces’, em determinadas áreas, para abordagem conjunta ao mercado e assim melhor responder às suas necessidades, sendo diversas delas lideradas por equipas portuguesas, nomedamente nas áreas de Corporate Finance (Valuation & Business Models), Transfer Pricing, International Tax, Financial Outsourcing e por fim Governance, Risk & Controls.

As equipas portuguesas estarão também em Espanha visitando os nossos clientes para a revisão detalhada e adequada dos temas em análise, acompanhados obviamente por colegas da Baker Tilly Espanha, mas parte significativa do trabalho destes projetos será efetuado a partir dos nossos escritórios em Portugal. De facto estes serviços envolvem sempre muita análise de ‘backoffice’ invisível (analise de documentação financeira e operacional, consulta de legislação comercial, fiscal e de bases de dados nacionais e internacionais, processamento de informação, preparação de ‘reportings’, armazenamento de dados, entre outros). Finalmente, as metodologias de ‘webconsulting’ e ‘digitalconsulting’ começam a facilitar a exportação de serviços profissionais. A Baker Tilly já está neste comboio e os mercados dos PALOP e de Espanha, serão os primeiros para onde passaremos a exportar o nosso conhecimento. Outros mercados por certo virão a seguir.

 

 

Rui Costa, Diretor da banca de empresas, BBVA Portugal

lado a lado
com as empresas nos mercados externos

A prioridade do BBVA em Portugal para 2020 é continuar a apoiar as empresas portuguesas, sobretudo incentivando-as e ajudando-as a crescer. Um crescimento que acreditamos passar pela internacionalização. O processo de internacionalização de uma empresa é um grande desafio porque se é verdade que vivemos num mundo cada vez mais globalizado, também é verdade que cada mercado tem as suas especificidades e que são, em muitos casos, muito diferentes do ecossistema das empresas portuguesas. Mas o caminho da internacionalização é indubitavelmente o caminho para crescimento das empresas portuguesas, e com ele, da nossa economia. Não é um caminho fácil e apresenta diversos obstáculos, nomeadamente: superar o desconhecimento do funcionamentos dos mercados de destino, é imperativo antes de iniciar relações fazer uma prospeção dos mesmos nas suas vertentes económicas, politicas e sociológicas. Ter disponibilidade para investir, para assumir riscos; estar conscientes das variações cambiais em mercados de moedas distintas, gerir as barreiras alfandegárias e não alfandegárias; atender à logística e transporte para mercados longínquos; estar preparadas para certificações específicas, nomeadamente no setor dos bens alimentares e, obviamente, atender à capacidade de produção face à dimensão dos mercados de destino. Para além das questões mais logísticas é obviamente fundamental dominar fluentemente a língua e conhecer a cultura de negócios. É fundamental foco no mercado externo, independente do mercado interno; ter capacidade de desenvolvimento de um produto ou serviço competitivos e assegurar um planeamento detalhado e ter capacidade para o executar, para tal é imprescindível ter capital humano exclusivamente formado para mercados externos e capacidade de resiliência e de aprendizagem rápida perante os diversos desafios que vão surgindo. O Grupo BBVA, através da sua rede comercial global dispõe de umas competências ‘cross-border’ que, pelas vantagens comparativas, permitem diminuir de forma muito significativa estes obstáculos, permitindo que cada cliente possa ir aprendendo e consolidando cada ação e mercado para o qual exporta. As boas perspectivas de crescimento para 2020 de 1,7%, de acordo com a nossa equipa de analistas do BBVA Research, devem animar as empresas portuguesas a apostar no seu crescimento, que para além da internacionalização passa claramente por continuarem a sua transformação digital, a aposta em capital humano e a inclusão de princípios de sustentabilidade. A nossa prioridade: ajudar as empresas portuguesas a crescer pela via da internacionalização.

 

 

José Luís Veiga, Diretor da banca de empresas e membro da comissão executiva do Bankinter Portugal

Reforçar a internacionalização das empresas

Em 2020, o Bankinter Portugal, através da sua área de Banca de Empresas, continuará a apoiar a jornada de internacionalização das empresas portuguesas. Para isso, o Bankinter vai dar seguimento à sua estratégia de proximidade com os clientes, procurando antecipar as necessidades do tecido empresarial, de forma a desenvolver soluções ágeis e com capacidade para responder às constantes mudanças de contexto do negócio internacional. O Bankinter tem conseguido inovar ao nível de produtos e serviços financeiros e na respetiva distribuição multicanal, colocando essa inovação ao serviço dos seus clientes. A Plataforma Trade, uma ferramenta online que facilita o apoio na gestão financeira diária das empresas, permitindo aos nossos clientes acompanhar os fluxos internacionais de uma forma simples e eficaz, é um exemplo disso mesmo, tal como o portfólio de produtos Bankinter especificamente desenhados para o negócio internacional, entre os quais se destacam as soluções de Cartas de Crédito, Financiamentos à Importação e Exportação, Adiantamentos a Fornecedores Internacionais através das operações de Trade, Remessas Diretas. Tudo permanentemente disponível e à distância de um clique através da Plataforma Trade.

Para o financiamento à economia, o Bankinter lançou este ano o Crédito Multilinha, um produto que permite às empresas o acesso a diversas soluções de financiamento com um único contrato e com um limite global de crédito. Assim, nos próximos anos o Bankinter vai continuar a apresentar soluções diferenciadoras, ao mesmo tempo que continuará a trabalhar junto dos empresários de Norte a Sul do país, através dos Centros de Empresas e Centros Corporate que, juntamente com a rede de agências com gestores exclusivamente dedicados ao segmento de negócios, permitem à nossa equipa acompanhar os clientes de forma muito próxima. Adicionalmente, e tendo em conta que Espanha é, simultaneamente, o principal destino das exportações e das importações portuguesas, a dimensão ibérica do Bankinter e o profundo conhecimento que temos de cada um dos mercados assume especial relevância e é, sem dúvida, uma das mais fortes propostas de valor que temos para apresentar às empresas nacionais com vocação internacional, seja na vertente de apoio comercial, seja na vertente de investimento direto.

 

 

Nuno Rangel, CEO e Vice-presidente da Rangel Logistics Solutions

De olho em novas oportunidades para ajudar as empresas

Nas últimas décadas, a economia mundial tem-se caracterizado por um forte crescimento das trocas internacionais. De uma forma crescente, os mercados nacionais cedem lugar a um mercado global. A internacionalização é uma das respostas empresariais ao desafio da globalização. As exportações têm sido o maior motor da recuperação económica de Portugal, sendo que nos últimos dez anos o peso no PIB aumentou de cerca de 30% para 43.7% (primeiro semestre de 2019). Acredito que a aposta nos mercados externos é uma realidade com tendência de crescimento. Na Rangel Logistics Solutions temos acompanhado este crescimento. Operamos à escala global, desde o transporte para os nossos vizinhos espanhóis, aos mercados maduros como a Alemanha, França, Estados Unidos e China, até aos países mais longínquos e menos conhecidos como Burquina Faso, Chade e Burundi em África, ou Tajiquistão, Micronésia e Guam na Asia. Em 2019 já transportámos mercadorias para 204 diferentes países e territórios. Ao longo dos últimos 39 anos, a Rangel tem trabalhado para gerar valor para os nossos clientes, sendo o braço logístico de apoio ao transporte das mercadorias pelo mundo. Continuaremos atentos ao mercado, aos novos desafios e novas oportunidades, sempre com o objetivo de ajudar as empresas portuguesas que se querem afirmar no mercado global.

Temos como prioridade o fortalecimento e a eficiência de todos os processos de apoio às exportações dos nossos clientes.

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