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Defesa, segurança e energia podem ter desempenho superior com instabilidade geopolítica

O economista António José Duarte estima ao JE que o conflito no Irão trará impactos sobre a política monetária, algo que no caso do Banco Central Europeu “torna-se um ponto crítico”: “Um novo choque energético poderá atrasar ou mesmo suspender um ciclo esperado de flexibilização monetária”.
2 Março 2026, 10h38

As empresas ligadas a setores como a defesa, segurança e energia poderão beneficiar com a instabilidade geopolítica, pelo que deverão registar um desempenho superior nas próximas sessões bolsistas. A previsão é do economista António José Duarte, em análise para o JE sobre as possíveis consequências do conflito no Irão. Este especialista espera uma rotação da exposição sectorial.

Em sentido contrário, setores “mais sensíveis ao crescimento económico (como a tecnologia e o consumo), deverão registar uma maior pressão por via da incorporação de uma expectativa da redução futura do consumo” pelo que “a duração do conflito será determinante para avaliar o seu impacto na economia real”.

“Nos próximos dias iremos assistir a um aumento da volatilidade com um acréscimo da aversão ao risco por parte de investidores que vão diminuir a sua exposição de forma genérica aos mercados bolsistas e aumentando a sua exposição aos denominados ativos “risk-free” como ouro e títulos de divida pública, procurando uma preservação do capital face à incerteza”, realça o economista ao JE.

No que diz respeito à “forte” subida do petróleo (+8%) e do gás natural (+22%) na Europa, estas subidas “já representam um choque de oferta relevante, transmitido através do aumento dos custos de produção, sobretudo nos setores industriais intensivos em energia. Este acréscimo do custo marginal comprime margens num contexto de procura europeia frágil, elevando o risco de um cenário stagflacionista”.

“Caso a escalada seja prolongada e os preços energéticos se mantenham em níveis elevados, o prémio de risco inflacionário poderá voltar a ser incorporado nas curvas soberanas europeias, pressionando yields longas”, defende.

Sendo assim, este economista estima que o conflito no Irão trará impactos sobre a política monetária, algo que no caso do Banco Central Europeu “torna-se um ponto crítico”: “Um novo choque energético poderá atrasar ou mesmo suspender um ciclo esperado de flexibilização monetária”.

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