“Deplorável”. Líderes europeus arrasam nova lei de segurança de Hong Kong

Os presidentes do Conselho Europeu e Comissão Europeia rejeitam a aprovação de uma lei que recebeu várias advertências de parceiros internacionais e que põe em causa os direitos dos cidadãos em Hong Kong. Ursula von der Leyen admite resposta europeia.

DR AP

Os líderes europeus condenaram a China pela “decisão deplorável” de aprovar a nova lei de segurança em Hong Kong, alertando que isso irá pôr em causa a reavaliação de Pequim como um parceiro económico de confiança.

De acordo com a notícia avançada pelo “The Guardian”, o presidente do Conselho Europeu (CE) lamentou a decisão considerando ser uma “séria ameaça” que compromete o “alto grau de autonomia de Hong Kong” e que pode ter “efeitos negativos na independência do sistema judicial e no Estado de direito”. Charles Michel sublinhou as declarações dizendo por fim: “deploramos esta decisão”.

Ursula von der Leyen subscreveu as palavras de Charles Michel relembrando as várias advertências da comunidade internacional e da União Europeia (UE) contra a aprovação desta lei.

“Deixámos claro em diversas ocasiões, incluindo nos nossos contactos diretos na semana passada com a liderança chinesa, que a nova legislação não está conforme com a lei básica de Hong Kong nem com os compromissos internacional da China. Para nós é um assunto muito grave e estamos seriamente preocupados”, declarou Ursula von der Leyen, na mesma conferência de imprensa.

Questionada sobre a reação europeia, Von der Leyen admitiu que a UE alertou por diversas vezes que “a China arriscava consequências muito negativas se avançasse efetivamente com esta legislação, incluindo em termos de confiança das empresas, reputação da China e perceção pública em Hong Kong”.

“Permanecemos em contacto com os nossos parceiros internacionais nesta matéria e analisaremos com muita atenção a forma como responder”, completou.

A nova lei de segurança, aprovada pelos parlamentares em Pequim, esta terça-feira, tem como objetivo acabar com os protestos contra o governo em Hong Kong, criminalizando a secessão, subversão, terrorismo e conflito, uma medida que tem provocado receios de que poderá reduzir as liberdades na região semiautónoma.

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A comunidade internacional, com os Estados Unidos e a União Europeia em destaque, para além de diversas ONG, expressaram por mais do que uma vez o receio de que a lei sirva para silenciar vozes críticas em Hong Kong, após um ano de protestos na ex-colónia britânica.

 

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