Depósitos a prazo só compensam se for novo cliente a cada 3 meses, alerta a Deco

Depósitos a prazo só compensam se for novo cliente a cada três meses, alerta a Deco. A Associação dá conta que para conseguir uma taxa líquida de 1,5% num ano com a aplicação em depósitos, mude de banco a cada três meses.

No contexto de alta liquidez no sistema financeiro da zona euro e os constantes investimentos do Banco Central Europeu em títulos de dívida estão a baixar os juros dos depósitos a prazo para mínimos históricos, levando os consumidores a preferir deixar o dinheiro em contas à ordem. O alerta é da Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco) que fez as contas e conclui que para conseguir uma taxa líquida de 1,5% num ano com a aplicação em depósitos, o consumidor deve mudar de banco a cada três meses.

Segundo a Deco/Proteste, com base em dados do Banco de Portugal, havia  97 mil milhões de euros aplicados nesses produtos no final de 2017, valor semelhante ao dos primeiros meses de 2011. O mesmo não tem acontecido com os montantes das contas à ordem: subiram de  30 mil milhões (2011) para  47 mil milhões de euros em finais de 2017. Os números demonstram que as baixas taxas de juro têm provocado uma fuga aos depósitos a prazo.

“Os consumidores têm preferido deixar o dinheiro nas contas à ordem, pois aplicá-lo em depósitos a prazo compensa pouco ou quase nada” conclui a Deco/Proteste na sua mais recente publicação electrónica, dando conta que atualmente, um depósito a 12 meses está a render, em média, 0,2%.

Na estratégia apresentada pela  Proteste Investe para fintar a inflação, é sinalizado que os certificados de aforro “não são alternativa”, pois estão indexados à Euribor, que tem apresentado taxas de juro pouco atrativas.

O que fazer com o dinheiro que fica à ordem? Os especialistas da Proteste Investe relembram aqui que parte das poupanças deve ir para um fundo de emergência, para fazer face a situações imprevistas. Esse fundo deve ser aplicado em produtos sem risco e rentáveis, embora, frise, “as opções sejam escassas” .

A Deco conclui que a alternativa passa por investir em diferentes depósitos. “Primeiro, é preciso escolher bem os bancos. Todos estão a remunerar abaixo da inflação prevista para 2018, de 1,5%, segundo o Banco de Portugal. Um depósito a um ano, por exemplo, está a render entre 0% e 1,1% líquidos”, recomenda a Associação para a Defesa do Consumidor.

Porém, realça, alguns oferecem taxas acima da inflação exclusivas para novos clientes. E aponta aqui o Banco Privado Atlântico Europa e o Best Bank como exemplos de bancos que remuneram os depósitos a 3 meses com 1,6%. No Banco Big e Banco Carregosa, o mesmo prazo rende 1,44%.

“Com algum jogo de cintura, pode obter uma taxa líquida de 1,5% e igualar a inflação anual sem pagar comissões de manutenção da conta”, conclui a Proteste Investe.