Desemprego e Desespero em contratar em Portugal? Contradição nos termos ou sinal dos tempos?

A realidade é que o nosso sistema de proteção social da Segurança Social, pela sua extensão de tempo de proteção e face aos montantes auferidos, não representam qualquer incentivo para o regresso ao mercado de trabalho.

Vive-se em Portugal um claro ambiente de retoma económica, sendo que se verifica que regiões como a ilha da Madeira estão novamente cheias de turistas que, como reação aos sucessivos períodos de confinamento nos seus países de origem e que agora, tendo tempo e dinheiro do seu lado, pretendem gozar a vida e de alguma liberdade, custe o preço que custar.

É este efeito (a ver vamos se é apenas um reflexo da crise ou se é o início de um fenómeno mais sustentável) que provoca uma aparente contradição nos termos quando, sentado que estava a ver o telejornal, vi em sucessão duas notícias aparentemente contraditórias: (1) a primeira notícia informava que 6% da população se encontrava desempregada, o que corresponde a cerca de 300.000 desempregados e (2) a segunda notícia dava conta dos empresários da hotelaria, restauração, bares e similares, assim como muitos outros dos mais variados setores, desesperados por contratar pessoal e sem o conseguir.

Este efeito de desespero relatado pelos empresários tem sustentação, porque no nosso dia-a-dia, junto dos nossos clientes, conseguimos identificar as dificuldades que os mesmos têm em conseguir contratar, sendo que, muitas vezes, estão quase dispostos a aceitar quem quer que seja, com ou sem formação.

Desta forma, afigura-se pertinente a seguinte interrogação: Se a oferta de emprego em Portugal neste momento excede a procura, onde estão os tais 300.000 desempregados portugueses que o Instituto Nacional de Estatística diz que existem?

A realidade é que o nosso sistema de proteção social da Segurança Social, pela sua extensão de tempo de proteção e face aos montantes auferidos, não representam qualquer incentivo para o regresso ao mercado de trabalho. Existem casos conhecidos de inúmeras pessoas que estando no desemprego pedem aos empregadores em entrevistas para declararem que não são aptos para a vaga que se encontra aberta, apenas para permitir que estes continuem a auferir subsídio de desemprego e a fazer uns “biscates” sem serem declarados.

Este fenómeno é conhecido e “tolerado” diametralmente pela sociedade, ninguém parece se importar porque, ao que parece, os cerca de € 1.200.000,00 milhões de euros (um bilião e duzentos milhões de euros – para ser mais claro) que são gastos anualmente em subsídio de desemprego em Portugal são dinheiro da Segurança Social e que parece que não é de ninguém.

Mas não é assim, porque o dinheiro da Segurança Social é de nós todos e advém dos nossos impostos. Chegados aqui, e numa altura em que está a banalizar taxas de IRS iguais ou superiores a 40% em escalões que englobam uma vasta percentagem da população ativa portuguesa é preciso tomar uma decisão urgente sobre o rumo no nosso país, porque (1) ou adaptamos o nosso sistema de proteção social para um mecanismo que garanta efetivamente a proteção das pessoas, mas que promova o regresso das mesmas ao mercado de trabalho (para não falar no fim urgente da chaga social que são as baixas fraudulentas em Portugal), ou (2) vamos ter os empregados em Portugal a pagar cada vez mais impostos, a receber cada vez menos, para sustentar cada vez mais desempregados (ou pessoas que recorrem a “esquemas” para ludibriar a Segurança Social) numa espiral de decadência sem fim e que resultará sempre na ruína do nosso país. Vale a pena pensar nisto…

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