A Polícia Judiciária (PJ) de São Tomé e Príncipe deteve um cidadão chileno procurado pela Interpol que foi conselheiro especial do primeiro-ministro são-tomense Américo Ramos até o mês passado, apurou a Lusa junto de fonte judiciária.
Em reação à detenção, o Chefe do Executivo são-tomense fez saber esta quarta-feira que Ignacio Purcell Mena foi exonerado em 12 de fevereiro assim que foi alertado por órgãos internacionais sobre a referenciação do agora ex-conselheiro pela Interpol.
Américo Ramos revelou ainda, em conferência de imprensa, que conheceu o empresário chileno em meados de 2025. “Apresentou-se como um investidor e alguém com capacidade de mobilizar investimento para São Tomé e Príncipe”, explicou, garantindo que, na altura, fez “diligências junto a unidade da Interpol em São Tomé e Príncipe para conhecer a situação do senhor”. “Foi-me confirmado que não havia nenhuma referência ilícita a circular nos serviços internacionais de polícia”, pelo que avançou com a sua nomeação como conselheiro especial do primeiro-ministro em setembro.
Nas redes sociais, a PJ nacional pronunciou-se sobre a detenção ocorrida ontem, terça-feira, que acontece poucas semanas depois de ter sido igualmente detido, na ilha do Príncipe, um cidadão sueco que tinha sido exonerado das funções de conselheiro especial do Presidente da República, Carlos Vila Nova.
Ignacio Purcell Mena, empresário chileno com nacionalidade espanhola, foi nomeado em agosto de 2025 pela então presidente da Assembleia Nacional, Celmira Sacramento, de acordo com um despacho da altura consultado pelo JE e pela Lusa. De acordo com a agência de notícias portuguesa, o cidadão foi exonerado dessas funções depois de o Ministério dos Negócios Estrangeiros ter rejeitado um pedido de emissão de passaporte diplomático.
“Na sequência da emissão por parte das Autoridades Judiciárias Espanholas de mandado de Detenção Internacional/Notícia Vermelha divulgada pela INTERPOL contra a pessoa do cidadão de nacionalidade Chilena de 53 anos de idade, em observância das competências e responsabilidades que cabem a este Estado São-Tomense no âmbito da Cooperação Policial e Judiciária Internacional em Matéria Penal, cuidou esta Polícia Judiciária de lhe dar o devido cumprimento, tendo o visado sido localizado e detido ontem, dia 10, na sua residência no distrito de Lobata”, lê-se numa publicação feita no Facebook.
De acordo com a entidade liderado por Domilzio Matos, empossado em novembro do ano passado, o detido, que foi “presente no dia hoje às autoridades judiciárias competentes de S. Tomé, para cumprimento de todas as formalidades legais”, está indiciado pela prática de vários crimes, correspondentes e igualmente punidos pela Lei São-Tomense, tais como, Organização Criminosa, Burla, Crime contra a fazenda pública, Branqueamento de capitais e crime de Falsificação de Documento Comercial”.
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