Deutsche Bank recebeu tratamento especial nos ‘stress tests’

O “Financial Times” avança hoje que os rácios de capital do banco alemão foram alavancados por uma concessão especial, autorizada pelo Banco Central Europeu.

O Deutsche Bank terá recebido tratamento especial nos stress tests realizados pela Autoridade Bancária Europeia (EBA) este verão. De acordo com o “Financial Times”, os rácios de capital do banco foram alavancados por uma concessão aprovada pelo supervisor, o Banco Central Europeu.

O maior banco alemão, cujo valor das ações caiu mais de 20% nas últimas semanas, com receios de a dimensão da multa a ser aplicada pelos EUA, tem utilizado os resultados dos stress tests como garante da sua saúde financeira. No entanto, os resultados do banco incluem quatro mil milhões de dólares da venda da participação no banco chinês HuaXia, embora o negócio não estivesse fechado no final de 2015, a data limite para cálculo nos testes.

O negócio, que continua sem estar fechado, enfrenta agora atrasos regulatórios, mas o Deutsche Bank diz estar confiante de que a transação ficará completa ainda este ano.

De acordo com a publicação britânica, o tratamento especial dado a este negócio surge numa nota de rodapé dos stress tests ao banco alemão. A mesma publicação adianta que nenhum dos outros 50 bancos tiveram notas de rodapé semelhantes, apesar de várias instituições terem negócios acordados mas não completos no final de 2015. O Caixabank, por exemplo, completou a venda de activos internacionais em março, no valor de 2,65 mil milhões de euros, mas não foi autorizado a incluir o impacto do negócio nos resultados dos testes.

O Deutsche Bank alcançou um rácio Common Equity Tier I de 7,8% no pior dos cenários do teste. Sem a venda da participação no banco chinês, o rácio teria caído para 7,4%, ainda assim acima do rácio mínimo exigido. No entanto, o forte resultado conseguido pelo banco alemão ajudou a acalmar receios que já se faziam sentir no mercado.

Em resposta ao Financial Times, o BCE afirmou “tratar todos os bancos de forma igual e em linha com a regulação”, e escusou-se a comentar bancos específicos.

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