‘Deutsche-Commerzbank’: o terceiro maior banco da Europa

Politicamente, a Alemanha quer um banco forte que seja capaz de concorrer na cena internacional com as grandes instituições bancárias, leia-se, a banca norte-americana. A fusão poderá traduzir-se numa justificação política para as perdas devido à reestruturação dos dois bancos.

A cidade de Frankfurt poderá vir a ter o terceiro maior banco europeu. As contas são do Financial Times e estimou que, a concretizar-se a fusão entre os dois rivais da cidade alemã, o Deutsche Bank e o Commerzbank darão lugar a um banco com ativos no valor de cerca dois biliões de euros, apenas superado pelo britânico HSBC e pelo francês BNP Paribas.

Embora seja difícil de antecipar com exatidão as sinergias entre os dois maiores bancos cotados alemães, porque o processo será longo e terá de ser aprovado por três supervisores – o Banco Central Europeu, o Bundesbank e o BaFin – estima-se que os dois bancos, em conjunto, terão cerca de 845 mil milhões de euros em depósitos e mais de 1.500 agências na Alemanha.

A Reuters revelou que os defensores da operação estimam que a fusão dê origem a um banco com uma capitalização bolsista superior a 28,7 mil milhões de euros, com base nos preços das ações do Deutsche e do Commerzbank no encerramento da bolsa de Frankfurt, na segunda-feira.

Horas antes, o ministro das Finanças alemão, Olaf Scholz, confirmou publicamente aquilo que só quem tinha acesso aos bastidores da operação sabia: os executivos dos dois bancos já encetaram conversações que decorrem há um ano, pelo menos, havendo rumores sobre a fusão há uma década.

Politicamente, a Alemanha quer um banco forte que seja capaz de concorrer na cena internacional com as grandes instituições bancárias, leia-se, a banca norte-americana. Mais: a fusão poderá traduzir-se numa justificação política para as perdas devido à reestruturação dos dois bancos, explicou Marco Silva, consultor e conselheiro estratégico de investimento, ao Jornal Económico.

O governo alemão detém 15% do Commerzbank desde o bailout de 2009.

No contexto económico, o presidente do BCE, Mario Draghi, poderá ter aumentado a pressão para o Deutsche e o Commerzbank se fundirem, quando, na passada quinta-feira, decidiu manter as taxas de juro em mínimos históricos, que apertam as margens dos empréstimos concedidos pelo setor bancário europeu.

Em 2018, pela primeira vez em quatro anos, o Deutsche gerou lucros (267 milhões) com um rácio de return on equity, que mede a eficiência do banco em utilizar os seus ativos para criar valor para os acionistas, 0,5%, um dos mais baixos da Europa, e 20% abaixo do objetivo do banco.

Este resultado compara com perdas acumuladas de seis mil milhões de euros, entre 2011 e 2018.

Além disso, escreveu o FT, o banco tem um dos piores rácios cost-to-income – que mede a eficiência e a produtividade dos bancos em gerar receitas com base nas despesas para o efeito – e tem um custo de financiamento mais elevado que os concorrentes europeus.

Por sua vez, em 2018, o Commerzank registou 865 milhões de euros em lucros.

Internamente, apesar da vontade política de Berlim, a indústria bancária alemã é dominada por bancos municipais que não têm a obrigação de maximizar os lucros. Os Sparkassen, que se estendem por todo o território alemão, contribuem para um sistema bancário altamente competitivo, mas pouco rentável, dificultando a operação dos bancos privados, como o Deutsche, que desde a crise de 2008 tem sentido dificuldades em alcançar resultados positivos e sustentáveis.

Além dos Sparkassen, existem ainda 875 bancos cooperativos na Alemanha, que também não têm de maximizar os lucros. Segundo a Bloomberg, em conjunto, os bancos cooperativos geraram 2,2 mil milhões de euros depois de impostos no ano passado, o mesmo montante que os 284 bancos privados.

 

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