Dezembro: ações a subir ou mito de Natal?

Mais importante do que tentarmos encontrar um racional que explique o padrão é não esquecermos que a história dos mercados está cheia de padrões fascinantes que só são verdadeiros até deixarem de ser.

Os mercados de ações estiveram a subir em 79% do tempo nos meses de dezembro durante as últimas três décadas, o que tem vindo a alimentar o mito de que, pelo menos, para os investidores em ações, o Pai Natal existe. O fenómeno é conhecido por “Santa Rally” e, mesmo sabendo que não é sensato tirar ilações sobre o comportamento passado das ações, na Schroders decidimos deixar-nos invadir pelo espírito festivo e analisar o efeito.

Padrão de frequência e ganhos em dezembro

Olhando para o MSCI World os últimos 30 anos, é possível encontrar um padrão: os mercados acionistas globais estiveram a subir em 79% do tempo nos meses de dezembro desde 1986, o que faz deste mês o melhor, em média, dos últimos 32 anos. A seguir vem abril (74,3%) do mês, e outubro (em 68,6%), enquanto junho está no polo oposto, com subidas apenas em 36,7% do tempo. Mas não se trata unicamente da frequência dos aumentos, já que o padrão estende-se à dimensão dos ganhos conseguidos em dezembro.

Para ampliar o espetro de análise, olhámos para o desempenho combinado de quatro índices bolsistas: FTSE 100, S&P 500, MSCI World e Eurostoxx 50, mensalmente e desde 1986, e os padrões persistem. Em média, os ganhos acionistas cresceram 2,1% nos dezembros, desde 1986, e este é o maior ganho médio de qualquer mês. Agosto, pelo contrário, é o pior, com o mercado de ações a cair, em média, 1%.

Outubro também se destaca, mas por ser o mês de maior imprevisibilidade: tem a maior frequência e a terceira maior subida média de ganhos, mas também algumas das maiores quedas: a segunda-feira negra de 1987, em que as ações globais caíram em média 23%, foi em outubro; a crise financeira asiática de 1997 intensificou-se em outubro, com as ações a caíram 6,6%; a crise financeira global de 2008 também se agudizou em outubro, com quedas de mais de 15% após o colapso da Lehman Brothers no mês anterior; e temos até este último outubro, com o mercado a afundar 7,4%, fruto de várias incertezas, incluindo as tensões comerciais entre EUA e China.

Perspetiva de longo prazo acima das superstições

As teorias avançadas sugerem que o fenómeno “Santa Rally” possa decorrer da psicologia dos investidores, com o sentimento da época a gerar uma disposição e humor mais positivos, que os levam a comprar mais do que a vender; ou da atividade dos gestores de fundos – com grande peso nos mercados – que fazem um rebalanceamento das suas carteiras nesta época que antecipa a entrada no novo ano.

Mas mais importante do que tentarmos encontrar um racional que explique o padrão é não esquecermos que a história dos mercados está cheia de padrões fascinantes que só são verdadeiros até deixarem de ser.

A imprevisibilidade dos mercados – e da realidade – ultrapassa qualquer estratégia baseada em padrões mensais e, se é certo que o sentimento dos investidores tem peso nos movimentos acionistas, mais acertada nos parece a opção por uma perspetiva de longo prazo.

Quem estivesse investido desde início de 1987 no S&P 500 e no MSCI World, teria ganho anual e respetivamente retornos médios de 7,8% e 5,6%. O pior que teriam conseguido era 4% no Eurostoxx 50. Com estas rentabilidades talvez dispensassem um milagre de Natal.

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