Dia D: Acionistas decidem entre aumento de capital no Grupo DIA e OPA russa

Dono da distribuidora alimentar portuguesa Minipreço necessita que a maioria dos acionistas votem a seu favor para que a empresa não seja entregue a Mikhail Fridman. Este milionário russo tem 29% das ações do grupo e só precisa que 2% dos acionistas votem a seu favor.

A reunião de acionistas mais importante da história do grupo DIA realiza-se esta quarta-feira – 20 de março. Trata-se do grupo que em Portugal é dono da distribuidora alimentar Minipreço. O encontro entre todos os acionistas da empresa está marcado para Madrid, a capital espanhola.

De um lado, está o conselho de administração do grupo DIA liderado por Borja de la Cierva, que pretende fazer um aumento de capital de 600 milhões de euros, uma operação cuja assessoria está a cargo da Morgan Stanley. O conselho de administração propõe a redução de capital do grupo DIA e, logo após isso, a sua expansão em 600 milhões de euros para liderar a empresa após a perda de 352 milhões de euros em 2018.

Na outra face da moeda está o multimilionário russo Mikhail Fridman, que controla 29,01% das ações da distribuidora alimentar e deseja injetar 500 milhões de euros, através da sua sociedade de private equity e venture capital LetterOne, valorizando o DIA em 414 milhões de euros.

No passado dia 5 de fevereiro, a LetterOne formalizou junto da Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV) a oferta pública de aquisição (OPA)  do grupo Dia, depois do banco suíço UBS ter garantido o financiamento da operação. A LetterOne apresentou a documentação para o aval de uma garantia bancária no mínimo de 296 milhões de euros, para garantir integralmente o pagamento da contrapartida da oferta, de 0,67 euros por ação.

Além desta oferta, o fundo controlado por Fridman planeia lançar o que denominou de ‘Plano de Resgate Integral’, com três fases, sendo que a primeira será o lançamento da própria OPA, a segundo consiste numa estrutura de capital viável a longo prazo, e a terceira, a promoção de um plano de transformação de negócios que resulte na restruturação integral da empresa nos próximos cinco anos.

A vantagem parece estar maioritariamente do lado de Mikhail Fridman, que com 29% das ações do DIA, só precisa que os acionistas detentores de 2% do capital da distribuidora alimentar votem a seu favor, no caso de existir um quórum de 60%, no qual a votação seria aprovada por uma maioria simples.

Somente uma participação maioritária dos acionistas poderá dar alguma esperança a Borja de la Cierva. O quórum médio das reuniões nos últimos quatro anos é de 62% do capital, apesar de na última reunião de 2018 ter existido uma participação de 59%. De acordo com os regulamentos da empresa, para aprovar qualquer ponto é necessário uma maioria simples, que seria de 31% no caso de existir o quórum médio de 62% visto nos últimos quatro anos.

Quem está no lado do conselho de administração do grupo DIA é o empresário português Luís Amaral, que atualmente controla uma participação de 2% do grupo, através do family office Western Gate, estando mesmo disposto a aumentar a sua participação na empresa para apoiar o conselho de administração.

A 28 de janeiro deste ano Luís Amaral comprou uma participação de cerca de 2% no capital do grupo espanhol. O dono do Eurocash anunciou na última segunda-feira que está contra Mikhail Fridman, por entender que o aumento de capital proposto de 500 milhões de euros – uma vez concluída a oferta lançada a 0,67 euros por ação – “reduz o valor da empresa” e vai contra o interesse do resto dos acionistas.

O lado da balança para o qual irá pender este processo poderá ser decidido pelos pequenos acionistas que possuem 20% das ações do grupo DIA. Numa outra vertente, alguns grandes grupos de investimento internacional, como por exemplo a Goldman Sachs, já manifestaram a sua intenção de se absterem nesta votação.

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