Direita deverá renovar maioria nas eleições de hoje na região de Madrid

Sem maioria absoluta, Diaz Ayuso poderá necessitar do apoio do partido de extrema-direita Vox para se manter na presidência da Comunidade de Madrid, o que foi muito criticado por todos os partidos de esquerda durante a campanha eleitoral.

A candidata de direita Isabel Díaz Ayuso, do Partido Popular, deverá ganhar hoje as eleições regionais na Comunidade de Madrid, depois de ter consolidado a sua imagem como adversária inflexível do Governo nacional de esquerda, dirigido por Pedro Sánchez.

As sondagens divulgadas nos últimos dias indicam que a sua lista poderá ter o apoio de 40% dos votos, contra pouco mais de 22%, que obteve há dois anos, e duplicar assim o número de lugares que o Partido Popular tem na assembleia regional da comunidade mais rica de Espanha.

Sem maioria absoluta, Diaz Ayuso poderá necessitar do apoio do partido de extrema-direita Vox para se manter na presidência da Comunidade de Madrid, o que foi muito criticado por todos os partidos de esquerda durante a campanha eleitoral.

Apesar de, nas eleições de maio 2019, o Partido Socialista (PSOE) ter sido o mais votado, Díaz Ayuso – na altura desconhecida a nível nacional – tornou-se presidente da região de Madrid, à frente de uma coligação que formou com o Cidadãos (direita-liberal) com o apoio parlamentar do Vox.

Sem muita experiência política e há menos de um ano em funções quando começou a crise provocada pela pandemia de covid-19, a candidata mostrou o seu à-vontade para o confronto político com ataques corrosivos ao primeiro-ministro, Pedro Sánchez, a quem culpou pela gravidade da situação.

Isabel Diaz Ayuso (42 anos) lutou sem tréguas para evitar impor restrições rigorosas em Madrid, que eram defendidas pelo Governo central para travar a pandemia, e manteve, depois da primeira vaga da pandemia, restaurantes e similares, pequeno comércio e atividades culturais abertas para proteger a economia local.

Esta política leva a que Madrid seja uma das comunidades espanholas com mais casos e mortes devido à covid-19, uma matéria que parece não ter sido muito valorizada pelos eleitores.

Quando, em meados de março, dissolveu o parlamento regional e pôs fim à aliança com o Cidadãos, convocando eleições antecipadas, parece ter procurado capitalizar a popularidade que esta política lhe deu entre uma parte da população de Madrid.

O Cidadãos, que nas eleições anteriores conseguiu quase 20% de votos (terceiro lugar), vê agora os seus apoiantes transferirem-se quase na sua totalidade para o PP e tenta desesperadamente chegar aos 5% da votação, limite abaixo do qual um partido fica sem representantes na assembleia regional.

Acontece o mesmo com o Unidas Podemos (extrema-esquerda), que tem como candidato Pablo Iglesias, que abandonou a vice-presidência do Governo nacional para tentar salvar o partido de desaparecer na região, com os eleitores a serem atraídos pelas outras duas formações de esquerda (PSOE e Mais Madrid).

O voto por correspondência aumentou 41% nestas eleições regionais em relação às de 2019, com direito a votar 5.112.658 eleitores: 4.783.528 residentes da comunidade e 329.130 no estrangeiro.

Para evitar uma grande acumulação de eleitores foram aconselhadas algumas faixas horárias para certos grupos exercerem o seu direito: por exemplo, para os idosos (das 10:00 às 12:00) e para aqueles que têm covid-19 ativo ou suspeitas (das 19:00 às 20:00).

Os votantes também vão poder saber, em tempo real, através de uma página da internet e de uma aplicação para telemóvel, qual é a procura da sua mesa de voto e, assim, poderem escolher o momento mais apropriado para ir votar.

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