Direito e tecnologia reúnem especialistas internacionais

A conferência Lisbon Law & Tech regressa para uma terceira edição, em formato online, para debater temáticas como a digitalização da justiça ou os robôs- advogados.

A digitalização da Justiça e regulação da Inteligência Artificial (IA) e robótica serão dois dos temas em debate na conferência online Lisbon Law & Tech, que regressa na próxima semana para uma terceira edição, entre os dias 26 e 29 de outubro. Neste evento internacional estarão oradores como a secretária de Estado da Justiça, uma juíza federal do Brasil ou professores de universidades de Itália ou Singapura, para escrutinarem os pontos em que o Direito e Tecnologia se unem.

Assumidamente crente no potencial das tecnologias de vanguarda, Luís Barreto Xavier, professor académico e presidente do Instituto do Conhecimento da Abreu Advogados, diz ao Jornal Económico (JE) que “a tecnologia vem ampliar a capacidade de os advogados viabilizarem os negócios dos clientes de modo mais rápido, eficiente, e apoiados em dados”. “Será sempre um instrumento e não um fim em si mesmo”, garante.

Haverá quatro grandes temas em cima da “mesa”: a regulação global da IA e robótica; os robolawyers (robôs- advogados), as lawtechs (empresas tecnológico-jurídicas) e o futuro da profissão jurídica; a open justice (princípio de justiça aberta/transparente) e os data-driven courts (tribunais à base de dados) e as tendências de inovação jurídica.
“O Lisbon, Law & Tech visa debater alguns dos principais temas envolvendo direito, negócios e tecnologia. É uma oportunidade para congregar advogados, académicos, juízes e responsáveis políticos de todo o mundo para discutir ao mais alto nível questões, como a regulação da tecnologia, a inovação e o futuro da advocacia ou a digitalização da justiça”, sintetiza o ainda of counsel do escritório liderado por Inês Sequeira Mendes.

No entanto, ainda existem obstáculos a ultrapassar para que o novo normal na advocacia e mesmo do quotidiano dos juízes. “O maior desafio hoje é cultural. Em primeiro lugar, vencer a barreira de um certo primitivismo tecnológico do advogado e, principalmente, a falta de diálogo com outras áreas para lá do direito”, refere Barreto Xavier. “Além disso, superar o mito de que a tecnologia substituirá a atuação do advogado, cujo discurso já está ultrapassado”, sublinha o professor da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa.

Na sua opinião, a colaboração entre os advogados e outros profissionais, especialmente aqueles que estejam ligados ao sector tecnologia, é importante para resolver de forma mais rápida e eficiente os problemas dos clientes. Como tal, a sessão de três dias contará com representantes das empresas CodeX, Legalmosaic, Ironclad, Baker & McKenzie e Lexington Consultants, além da Future Law, a entidade brasileira com a qual a sociedade fez uma parceria em 2020.

A moderar os painéis estarão mais três representantes da sociedade: Helder Galvão (consultor e especialista em propriedade intelectual e mentoria de startups), Matilde de Mello Cabral (diretora de operações) e Ricardo Henriques (sócio de Tecnologias da Informação). A participação no evento é gratuita, mas está sujeita a inscrição prévia.

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