Diretiva Netflix: Cofina quer apostar na criação de conteúdos para exportar

À boleia das novas regras europeias que exigem que plataformas como a HBO ou a Netflix tenham 30% de conteúdos europeus, a Cofina espera “intensificar a criação de conteúdos de perfil exportador”, após a compra da Media Capital, dona da Plural, produtora de conteúdos.

CEO da Cofina, Paulo Fernandes | Foto cedida

A Cofina quer apostar na criação de conteúdos para vender lá fora através das plataformas de conteúdos a pedido, como a Netflix ou HBO. Este é um dos planos da empresa após a concretização da compra da dona da TVI e da TVI 24.

Além das estações de televisão, a Media Capital inclui diversos rádios – como a Rádio Comercial -, mas também a Plural, produtora de conteúdos de onde saem as telenovelas da TVI, que já conquistaram dois prémios Emmy: “Meu amor” em 2010, e “Ouro verde” em 2018. No seu portefólio, além da telenovelas, a Plural também conta com séries, filmes, telefilmes e programas.

“No que diz respeito à atividade de produção, o caminho passará por intensificar a criação de conteúdos de perfil exportador, tendo em vista a transposição para a legislação nacional da designada “diretiva Netflix””, pode-se ler no comunicado divulgado pela Cofina este sábado, 21 de setembro, depois de confirmado o acordo para a compra da Media Capital.

Já a CMTV, televisão do grupo Cofina, estreou este ano a sua primeira novela, “Alguém perdeu”, com a produção da SP-Televisão, que também trabalha com a SIC.

A empresa liderada por Paulo Fernandes está à espera que o Governo português transponha para a legislação nacional a diretiva que foi aprovada pelo Parlamento Europeu em outubro de 2018, que aprovou novas regras para o setor audiovisual.

Esta diretiva estabelece que fornecedores de conteúdos a pedido – como a Netflix, HBO, ou Amazon Prime Video -, devem “promover a produção e a distribuição de obras europeias”, segundo o Parlamento Europeu. Assim, pelos menos 30% dos catálogos destes serviços têm de ser constituídos por conteúdos produzidos na União Europeia. A diretiva Netflix também prevê que os estados membros possam exigir uma contribuição financeira aos fornecedores de conteúdos a pedido para investir na produção dos conteúdos europeus.

Em fevereiro deste ano, a antiga presidente executiva da Media Capital defendeu a necessidade de transposição da diretiva Netflix para a legislação nacional.

“Espero que o Governo perceba que é muito importante transpor a diretiva europeia de conteúdos. Tenho muita convicção de que a Plural pode produzir séries ou novelas para a Netflix em português”, disse Rosa Cullell a 25 de fevereiro num encontro com jornalistas, citada pelo Eco.

Ler mais
Relacionadas

Cofina admite entrada de novos investidores e diz que já tem crédito bancário aprovado para compra da TVI

O dono do Correio da Manhã, CMTV, Record e Jornal de Negócios admite a entrada de novos acionistas no capital da empresa no âmbito do aumento de capital previsto.

Prisa encaixa 170 milhões com venda da TVI, mas regista perda de 76 milhões

A Prisa estima que a venda da TVI vai representar perdas contabilísticas no valor de 76,4 milhões de euros nas contas consolidadas da empresa.

Cofina anuncia acordo com Prisa para compra da TVI

A Cofina anunciou que chegou a acordo para comprar a Media Capital. A empresa de Paulo Fernandes valoriza a dona da TVI em 255 milhões de euros, oferecendo 180 milhões para comprar 100% da empresa, assumindo também a dívida de 80 milhões de euros.

Cofina envia carta aos trabalhadores a garantir que “linhas editoriais” serão mantidas 

Presidente do conselho de administração da Cofina pretende que “todos os profissionais” estejam dispostos a colaborar no novo projeto. “Foi concluído um importante passo no sentido de assegurar o desenvolvimento e o crescimento da empresa e a sua sustentabilidade futura”, diz Paulo Fernandes.

Sindicato dos Jornalistas volta a pedir esclarecimentos sobre compra da Media Capital

A organização sindical já tinha manifestado “preocupação” com o negócio entre os grupos de comunicação social Cofina e Prisa e vai voltar a contactar as as duas administrações.
Recomendadas

Mutualista diz que fusão do Montepio com BCP colide com os interesses dos associados

“O Banco Montepio dispõe de soluções de capital ajustadas às suas necessidades e encontrará o seu próprio caminho de estabilização”, garante a instituição liderada por Virgílio Lima. “Uma fusão desta natureza corresponderia à sua descaracterização, algo que colide com os interesses da Associação e dos associados”, defendem.

Grupo Os Mosqueteiros investe 25,3 milhões para abrir mais seis lojas Intermarché em Portugal

Este investimento irá permitir a criação de 265 novos postos de trabalho de norte a sul do país, asseguram os responsáveis do grupo francês de distribuição.

Tribunal espanhol adia audições dos responsáveis do CaixaBank sobre compra do BPI

Segundo a agência Efe, problemas técnicos impediram a audição telemática do presidente da Criteria e ex-presidente do CaixaBank. O julgamento que está em curso desde 2018 decorre de uma queixa de acionistas minoritários que se sentiram lesados com algumas operações inerentes à compra do BPI em 2017.
Comentários