Donald Trump pode deixar Republicanos e criar novo partido, defende analista

“Esperemos que não haja nenhum incitamento à violência e sobretudo que não haja a criação de uma espécie de lenda negra por parte do Presidente Donald Trump, a dizer que lhe roubaram as eleições”, afirmou em declarações à Lusa.

O investigador de relações internacionais Carlos Gaspar considera que a posição agressiva do ainda Presidente norte-americano, Donald Trump, pode consistir numa estratégia de rotura com o Partido Republicano e de criação de um novo partido.

Embora reconheça que o pedido de Donald Trump, a meio da contagem de votos, para se parar a contagem ou recontar não é inédito e já aconteceu em outros casos, como na Florida, na primeira eleição de George W. Bush, o investigador do Instituto Português de Relações Internacionais admitiu que a posição do ainda Presidente dos Estados Unidos não respeitou as regras da democracia ou sequer da cortesia.

E com a grande proximidade de votos que, de facto, se verificou, Carlos Gaspar espera que a situação não piore.

“Esperemos que não haja nenhum incitamento à violência e sobretudo que não haja a criação de uma espécie de lenda negra por parte do Presidente Donald Trump, a dizer que lhe roubaram as eleições”, afirmou em declarações à Lusa.

No entanto, referiu, embora “todas essas coisas possam parecer, à partida, extremamente irracionais, podem ter uma lógica política”.

Donald Trump parece estar hesitante entre “consolidar a sua posição no Partido Republicano – é preciso sublinhar que o partido teve bons resultados nestas eleições, quer no Senado quer na Câmara dos Representantes e que isso, em parte, se deve à mobilização eleitoral feita por Trump – ou ter uma estratégia de rotura e criar o seu próprio partido”, considerou.

Neste caso, ter “uma linha mais militante, dizer que lhe roubaram a eleição, suscitar a violência civil, tudo isso volta a ser uma possibilidade”, reconheceu.

Em relação à eleição de Joe Biden, a perspetiva do analista é que se trata de uma “restauração das boas maneiras e dos bons princípios”, já que se prevê um retorno ao respeito pelos acordos que existiam.

“O Presidente Biden já anunciou a sua decisão de regressar aos acordos de Paris” e, “em relação aos aliados europeus, tem uma posição convencional e clássica e um reconhecimento de que, pelos EUA, as alianças europeias e as alianças asiáticas são cruciais para a sua política externa”, afirmou.

O Presidente Donald Trump, lembrou Carlos Gaspar, tinha uma posição sem precedentes.

“Foi o primeiro Presidente que assumiu que a União Europeia (UE) era uma entidade hostil aos EUA, o que é absurdo, a UE não existia se os EUA não tivessem intervindo decisivamente para a sua criação”, referiu.

A situação era idêntica no que concerne à aliança atlântica: “Enquanto Donald Trump achava que a NATO era obsoleta, o Presidente Joe Biden acha que está no centro dos interesses de segurança nacional norte-americanos e que o compromisso norte-americano em relação à NATO é um compromisso sagrado”.

O analista considera, no entanto, que Joe Biden vai ser mais exigente em relação aos seus aliados europeus.

Para Carlos Gaspar, Biden “vai manter – aliás, essa viragem vem do Presidente Barack Obama – a prioridade que os EUA atribuem à China na sua política internacional”, afirmou.

O analista acrescentou que a nova administração da Casa Branca “vai continuar a estratégia de contenção da China em todas as dimensões – económicas, comerciais, políticas, militares e agora também no domínio dos direitos humanos, que não era a especialidade de Donald Trump – e vai pedir aos seus aliados, incluindo aos seus aliados europeus que estejam claramente do lado dos EUA nessa estratégia.

Por outro lado, terá de “pedir aos seus aliados que assumam mais responsabilidade, que assumam verdadeiras responsabilidades pela primeira vez, pela garantia de defesa europeia, porque os EUA têm de concentrar os seus esforços e recursos na contenção da China”.

Também em relação à contenção da pandemia da covid-19, Carlos Gaspar espera ver uma mudança de estratégia.

“É a sua prioridade [de Biden] assumir uma estratégia federal para combater a pandemia que teve um pico coincidente com a votação e o processo eleitoral nos EUA”, lembrou, adiantando que “é natural que assim o faça”.

“Os EUA têm, tradicionalmente, uma grande capacidade federal de combate às pandemias, mostraram isso no primeiro SARS e noutros casos como o ébola, mas, neste caso, o Presidente Trump não mobilizou as estruturas federais, o que é absurdo, e isso vai ser feito agora, embora tardiamente”, afirmou o especialista.

O candidato democrata Joe Biden foi anunciado no sábado como vencedor das eleições presidenciais de 03 de novembro, segundo projeções dos ‘media’ norte-americanos.

Segundo as projeções, Biden totaliza 290 “grandes eleitores” do Colégio Eleitoral, derrotando o candidato republicano e atual Presidente Donald Trump.

A posse de Biden como 46.º Presidente dos Estados Unidos está marcada para 20 de janeiro de 2021.

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