“Nem o primeiro-ministro espanhol nem o líder norte-americano são pacifistas, apenas meros oportunistas. O veredicto do júri do Prémio Nobel da Paz, que será anunciado no dia 10, promete ser polémico. E não pela categoria dos candidatos ao prémio deste ano, mas porque dois líderes mundiais o reclamaram para si, um diretamente e o outro através dos seus bajuladores”.
É assim que o analista espanhol Ricardo Lucas comenta, nas páginas do jornal ‘Expansion’, os avatares dos dois líderes: “Donald Trump, que apresentou os seus méritos na tribuna dos oradores da ONU, e Pedro Sánchez, para quem o ministro da Política Territorial, Ángel Víctor Torres o reivindicara num tom menos formal”.
Embora pareça improvável que um dos dois ganhe o prémio, vale a pena pesar os méritos de cada um. “O presidente norte-americano defendeu perante os restantes líderes mundiais presentes em Nova Iorque que merecia o prémio por ter conseguido terminar sete guerras nos oito meses do seu segundo mandato na Casa Branca”. Nomeadamente, as disputas entre o Camboja e a Tailândia; entre o Kosovo e a Sérvia; entre a República do Congo e o Ruanda; entre o Paquistão e a Índia; entre Israel e o Irão; entre o Egipto e a Etiópia; e entre a Arménia e o Azerbaijão. “No entanto, não conseguiu cumprir a sua promessa de campanha de resolver os conflitos na Ucrânia e em Gaza no prazo de 24 horas”.
Por seu lado, Sánchez “afirma ter liderado a pressão internacional sobre Benjamin Netanyahu para que finalmente ponha fim ao massacre da população civil em Gaza sob o pretexto de perseguir terroristas do Hamas nos seus esconderijos, embora a sua influência até agora tenha sido limitada. No entanto, as suas medidas contra o governo israelita foram aplaudidas pelo Hamas, o que não parece ser o melhor aval a ser concedido por académicos suecos”.
Depois de ter banalizado o futuro turístico de Gaza, devastada pelo exército israelita, Trump apresentou, após acordo com Netanyahu, um plano de paz para o Médio Oriente que não teve em conta a Autoridade Nacional Palestiniana, que controla a Cisjordânia, que, por mais desacreditada que tenha sido nos últimos anos, é o mais próximo de um governo que os palestinianos já tiveram, e afasta a aspiração legítima de criar um Estado palestiniano num futuro próximo.
Mesmo assim, diz Lucas, Sánchez não teve outra escolha senão apoiá-lo. “O seu reconhecimento formal de um Estado palestiniano inexistente há um ano, seguido recentemente por governos como os da França e do Reino Unido, entre outros, pouco serviu aos palestinianos. P
elo contrário, deram aos parceiros de extrema-direita de Netanyahu argumentos para assinalar a criação de um Estado próprio para os palestinianos como uma linha vermelha nas negociações com Trump. A atitude gangster com que o presidente americano se comporta é completamente oposta à de um líder político que promove a paz e a harmonia.
Nem os gestos publicitários de Sánchez, como incitar protestos contra a participação da seleção israelita na Volta a Espanha, ameaçar que a RTVE não enviará um representante ao Festival Eurovisão da Canção no próximo ano se Israel voltar a participar, ou enviar um navio de guerra em apoio da peculiar flotilha de ativistas de esquerda que se dirige para as praias de Gaza, que, segundo Telavive, está infiltrada por membros do Hamas, fizeram muito bem à causa palestiniana ou à pacificação da região”.
Muito menos o peculiar “embargo” de armas a Israel, com cláusulas que lhe permitiriam contorná-lo se lhe convier, e que, se não houver surpresas, será rejeitado pela maioria dos deputados no Congresso quando for submetido a ratificação nas próximas semanas.
“Em suma, nem Sánchez nem Trump são pacifistas, mas meros oportunistas que tentam apropriar-se de causas nobres em benefício próprio”, conclui o analista.
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