Draghi: “Bancos devem rapidamente emprestar dinheiro a custo zero às empresas para salvar empregos”

O antigo banqueiro central defende que os empréstimos bancários devem ter garantias estatais para enfrentar a “recessão” provocada pelo novo coronavírus. Em Portugal, o primeiro-ministro anunciou esta semana que os bancos vão poder cobrar um spread de 1% a 1,5% sobre os empréstimos às empresas e que as garantias estatais vão cobrir entre 80% a 90% do montante.

BCE

O antigo presidente do Banco Central Europeu (BCE) veio a público defender que os bancos devem emprestar dinheiro a custo zero às empresas de forma a salvar empregos durante a crise económica que se aproxima causada pela epidemia do novo coronavírus (Covid-19). Estes empréstimos seriam assegurados através de garantias dos governos.

“Os bancos devem rapidamente emprestar dinheiro a custo zero a empresas preparadas para salvar empregos”, escreveu Mario Draghi num artigo de opinião publicado no Financial Times.

O economista aplaude as medidas que estão a ser tomadas pelos governos para combater a pandemia e para tentar mitigar os impactos na economia, mas não tem dúvidas do que está prestes a acontecer: “Uma recessão profunda é inevitável”.

Neste momento, o que está previsto para Portugal é que a garantia do Estado cubra entre 80% a 90% do montante do empréstimo. E que os bancos vão poder cobrar um spread mínimo de 1% e máximo de 1,5%, como anunciou o primeiro-ministro, António Costa, esta semana.

De nacionalidade italiana, o país que regista mais vítimas mortais no mundo provocadas pela Covid-19, Draghi defende que estes empréstimos devem ter garantias estatais.

“Como desta forma [os bancos] estão a tornar-se um veículo para políticas públicas, o capital de que precisam para esta tarefa deve ser providenciada pelo Governo na forma de garantias estatais em todos os descobertos bancários ou empréstimos”, explica.

“Nem a regulação, nem as regras colaterais devem impedir a criação do espaço necessário nos balanços dos bancos para este propósito”, escreve o antigo banqueiro central.

Mario Draghi também aponta que os “custos destas garantias não devem ser baseadas no crédito de risco das empresas que as recebem, mas devem ser de zero independentemente do custo do financiamento do governo que as emite”.

O italiano aponta que a solução por si apresentada vai levar a que os “governos absorvam uma grande parte da perda de rendimentos causadas pela quarentena”.

“Os níveis de dívida pública terão aumentado. Mas a alternativa, a destruição permanente da capacidade produtiva, e da base fiscal, será muito mais prejudicial para a economia e eventualmente para o crédito do governo”, argumenta.

Mario Draghi destaca que dado o atual e o futuro baixo nível de taxas de juro, “um aumento da dívida dos governos não vai pesar nos seus custos de serviço da dívida”.

Linhas de crédito do Governo no valor de três mil milhões têm ‘spreads’ entre 1% e 1,5%

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