“É muito mais fácil fazer alegações infundadas”, critica Sócrates à saída do interrogatório

A fase de instrução da Operação Marquês, que arrancou em janeiro deste ano no Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, é uma espécie de pré-julgamento que define o futuro do maior processo de corrupção investigado pela Justiça portuguesa.

À saída do interrogatório que durou toda a tarde, José Sócrates não quis comentar o que foi perguntado no primeiro dia de interrogatório referente à instrução do processo ‘Operação Marquês’ mas, após insistência com os jornalistas, desabafou que “é muito mais fácil fazer alegações infundadas do que repor a verdade”.

O ex-primeiro ministro José Sócrates disse hoje à entrada do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC) que vai “repor a verdade” mas reconheceu que “o caminho é árduo”.

“Venho repor a verdade. Bem sei que é um longo caminho, mas é aquilo que tenho feito ao longo de cinco anos”, afirmou Sócrates à entrada do TCIC, às 13:30, onde vai ser interrogado na fase de instrução da Operação Marques.

Para o ex-governante, o seu caminho tem sido “mais árduo do que aqueles que têm feito alegações completamente infundadas, injustas e até absurdas”.

José Sócrates vai voltar a ser interrogado no âmbito da Operação Marquês. A ordem foi dada pelo juiz Ivo Rosa sendo que o antigo primeiro-ministro vai ser ouvido esta semana, nos dias 28, 29, 30 e 31 de outubro.

A fase de instrução da Operação Marquês, que arrancou em janeiro deste ano no Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, é uma espécie de pré-julgamento que define o futuro do maior processo de corrupção investigado pela Justiça portuguesa.

É nesta fase processual facultativa, requerida por 19 dos 28 arguidos, que o juiz Ivo Rosa vai decidir se as provas recolhidas pelo Ministério Público (MP) são suficientemente fortes para conseguir uma condenação em tribunal, ou se a acusação tem margem para ser desmontada e deve cair.

Recorde-se que o empresário Carlos Santos Silva, ex-gestor do Grupo Lena apontado pelo MP como testa-de-ferro de José Sócrates, alega que a prova obtida durante a averiguação preventiva é nula e que os indícios na base da acusação foram recolhidos de forma ilegal.

O processo Operação Marquês envolve 28 arguidos – 19 pessoas e nove empresas -, incluindo o ex-primeiro ministro José Sócrates, acusado de corrupção passiva de titular de cargo político, branqueamento de capitais, falsificação de documentos e fraude fiscal qualificada.

No decorrer da investigação, a cargo do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), foram autorizadas e transcritas mais de 2.600 escutas e enviadas nove cartas rogatórias para diversos países, entre os quais Suíça e Angola.

O processo foi investigado durante mais de quatro anos – começou em julho de 2013 – por dez magistrados e reuniu extensa prova documental e digital, da qual fazem parte mais de três mil documentos em suporte de papel e 13.500 milhões de ficheiros informáticos.

No âmbito deste processo, chegaram a estar em prisão preventiva o ex-primeiro-ministro, o empresário e amigo do ex-chefe do Governo Carlos Santos Silva e o antigo motorista de Sócrates João Perna.

 

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