EBA alerta para aumento no terceiro trimestre dos créditos em moratória que apresentam risco de incumprimento

A percentagem dos créditos em moratória que são considerado como Stage 2 (em risco) aumentou de 16,7% no segundo trimestre para 20,2% no terceiro, em contraste com a tendência decrescente registada no crédito total. A EBA faz ainda referência à baixa rentabilidade dos bancos. Já que a rentabilidade dos capitais próprios (ROE) permaneceu significativamente abaixo do custo de capital dos bancos.

A Autoridade Bancária Europeia (EBA) publicou hoje as suas estatísticas trimestrais de risco dos bancos juntamente com os resultados do Questionário de Avaliação de Risco. Na análise dos resultados a EBA concluiu que os rácios de capital e os rácios de liquidez dos bancos europeus aumentaram no terceiro trimestre de 2020 em relação ao trimestre anterior. Mas as reestruturações de crédito (forborne loans) continuaram a aumentar, enquanto o crédito vencido diminuiu. O rácio de NPL sobre o total da carteira melhorou.

Por fim a autoridade bancária verificou que a percentagem de créditos que estão já no estágio 2 de risco de incumprimento, isto é que passaram a ser classificados com crédito improdutivo (NPL – Non Performing Loans), continuou a subir no terceiro trimestre para os créditos que estão sob moratória.

“Os rácios de capital continuaram a melhorar no terceiro trimestre de 2020. Devido a um novo aumento do capital e à contração dos ativos ponderados pelo risco, o rácio CET1 cresceu 40 pontos base para 15,1%. O rácio de alavancagem (leverage) aumentou de 5,2% no 2º trimestre para 5,5% no 3º trimestre”, diz o comunicado da EBA.

A EBA faz ainda referência à baixa rentabilidade dos bancos. Já que a rentabilidade dos capitais próprios (ROE) permaneceu significativamente abaixo do custo de capital dos bancos.

No entanto, o ROE aumentou de 0,5% para 2,5% do segundo para o terceiro trimestre. O aumento foi impulsionado pela contração do custo do risco (74pb, face a 86pb no 2º trimestre). A receita operacional líquida total aumentou ligeiramente, apoiada por perdas menores nos resultados de operações financeiras (trading). O rácio de eficiência diminuiu de 66,6% para 64,7% no 3º trimestre, principalmente devido a uma nova redução dos custos.

O rácio de crédito vencido (NPL) continuou a diminuir, de 2,9% no 2º trimestre para 2,8% no 3º trimestre, suportado por uma contração do volume de crédito em incumprimento, por um lado, e pelo aumento do total de crédito concedido e adiantamentos de tesouraria.

O rácio de crédito reestruturado manteve-se inalterado nos 2% e o volume de crédito reestruturado aumentou cerca de 2,5% no trimestre. A percentagem de crédito que passou para o estágio 2 (stage 2 – contratos cujo risco de crédito aumentou significativamente desde o reconhecimento inicial, mas para os quais não existe ainda evidência objetiva de imparidade) no total da carteira de crédito caiu no terceiro trimestre 20 pontos-base para 8%, enquanto a percentagem de crédito que está classificado como estágio 1 (contratos cujo risco de crédito não tenha aumentado significativamente) aumentou em 20 pontos-base.

De acordo com os resultados do inquérito aos bancos levado a cabo pela EBA, mais de 75% dos bancos preveem uma degradação na qualidade dos ativos tanto para as carteiras de crédito a empresas quanto para o crédito aos particulares.

Enquanto 60% dos bancos esperam que o seu custo de risco (novas imparidades sobre o stock da carteira de crédito) para o ano em curso não ultrapasse os 100 pontos base (1%), a maioria dos analistas estima que ficará na faixa de 100-150pb.

Os créditos que estão sob moratória diminuíram de cerca de 810 mil milhões no 2º trimestre para cerca de 587 mil milhões de euros no 3º trimestre, revela a EBA.

A percentagem dos créditos em moratória que estão já classificados como Stage 2 (em risco) aumentou de 16,7% para 20,2%, em contraste com a tendência decrescente registada no crédito total. Os empréstimos ao abrigo de regimes de garantia pública aumentaram de cerca de 185 mil milhões para 289 mil milhões de euros no terceiro trimestre. A cobertura do risco de crédito através de garantias públicas foi de quase 70% para essas exposições.

O rácio que mede a autonomia em termos de liquidez (loans to deposits) diminuiu de 116% para 113,6% devido ao forte aumento dos depósitos de clientes. O rácio de cobertura de liquidez (LCR) atingiu novos patamares, atingindo 171,3% (166% no 2º trimestre).

Com foco nos próximos 12 meses, os bancos pretendem emitir mais dívida sénior não garantida e sénior não preferencial/holdco debt [instrumentos de financiamento híbrido que combinam características de capital e de dívida] – o inquérito mostra que há perto de 50% dos bancos entrevistados para cada uma das classes de dívida.

Uma parte crescente dos bancos pretende também emitir dívida subordinada incluindo AT1 (Additional Tier )/ Tier2 (cerca de 30% dos inquiridos), diz a EBA.

Na análise da EBA ao inquérito aos bancos é também revelado que a maioria dos bancos (80%) esperam que o teletrabalho permanecerá por um longo período o que implica uma melhoria nas infraestruturas tecnológicas. Os bancos também esperam um aumento nos gastos com inovação digital e novas tecnologias para atrair novos canais de negócios.

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