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Economia americana cria 130 mil postos de trabalho e aumenta probabilidade de Fed manter juros

Até à data, o risco de o arrefecimento do mercado de trabalho começar a impulsionar o desemprego continua inactivo, dando à Fed fortes argumentos para aguardar por um cenário de inflação mais favorável antes de retomar os cortes das taxas de juro, defendem analistas.
10 – Estados Unidos
12 Fevereiro 2026, 11h23

O mercado de trabalho dos EUA demonstrou uma força considerável no início de 2026. A criação de mais empregos, a redução do desemprego e o aumento da participação sugerem que o mercado de trabalho americano encontrou o seu equilíbrio após o arrefecimento do ano anterior.

A divulgação de ontem do relatório Nonfarm Payrolls revelou dados de emprego acima do esperado, com a economia norte-americana a criar 130 mil postos de trabalho em janeiro, bem acima da previsão de 70 mil e da leitura anterior de 48 mil. Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego desceu para 4,3%, face aos 4,4%, ficando abaixo das expectativas mais pessimistas.

“Os investidores interpretaram estes números como um sinal de resiliência da maior economia do mundo, reduzindo a necessidade de estímulos monetários no curto prazo e como resultado, as expectativas de que a Reserva Federal mantenha as taxas de juro inalteradas na reunião de março subiram para 95%, apoiando o fortalecimento do dólar norte-americano face às restantes principais divisas, segundo Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe.

Os investidores voltam agora a sua atenção para a divulgação dos dados de inflação nos Estados Unidos, prevista para sexta-feira. Uma leitura da inflação acima das expectativas (acima de 2,5%) reforçaria a perspetiva de que um alívio da política monetária não é iminente, sustentando um maior fortalecimento do dólar e criando pressões adicionais sobre o ouro.

Por outro lado, um relatório do IPC abaixo do previsto poderia penalizar o dólar, apoiando o preço do metal precioso, acrescenta o CEO ActiveTrades.

A mesma opinião tem Henrique Valente, analista da ActivTrades Europe, quando diz que “a solidez na criação de postos de trabalho, combinada com uma inflação que permanece acima da meta de longo prazo da Reserva Federal, levou os investidores a interpretar os números como moderadamente restritivos para os ativos de risco”.

Neste contexto, os dados do índice de preços no consumidor (CPI), a divulgar amanhã, deverão oferecer maior clareza sobre a trajetória da inflação e poderão ser determinantes para definir a direção dos principais índices norte-americanos nas próximas semanas.

Por sua vez, Frank Walbaum Analista de mercados da Naga, destaca que o dólar oscila dentro de um intervalo de variação nesta quinta-feira, após uma reação volátil aos dados de emprego mais fortes do que o esperado.

“O número de vagas não agrícolas criadas em janeiro aumentou em 130.000, marcando o maior ganho mensal em mais de um ano, e a taxa de desemprego caiu inesperadamente para 4,3%. Os números aliviaram os receios recentes de uma desaceleração mais acentuada, dando suporte tanto à moeda como aos rendimentos (yields)”.

“Os ganhos médios por hora avançaram 0,4% face ao mês anterior, recuperando do resultado mais fraco de dezembro e superando as expectativas. Apesar desta resiliência, os mercados continuam a precificar dois cortes nas taxas de juro até ao final do ano, estando o primeiro previsto para junho”, acrescenta o analista da corretora alemã Naga Markets.

Também Walbaum refere que “a atenção vira-se agora para a próxima divulgação da inflação. Espera-se que os preços gerais e o núcleo da inflação subam 0,3% no mês”.

“Uma surpresa positiva provavelmente impulsionaria os rendimentos e fortaleceria o dólar, atenuando as apostas em afrouxamento monetário. Por outro lado, se os números estiverem em linha com as expectativas, a moeda poderá manter-se em fase de consolidação, tanto mais que os investidores continuam atentos à dinâmica da liderança na Fed e ao que isso poderá implicar para as perspetivas de política monetária em 2026”, refere.

O Julius Baer também faz uma análise aos dados do emprego dos EUA dizendo que “até à data, o risco de o arrefecimento do mercado de trabalho começar a impulsionar o desemprego continua inactivo, dando à Fed fortes argumentos para aguardar por um cenário de inflação mais favorável antes de retomar os cortes das taxas de juro”.

“Antecipámos a retoma dos cortes das taxas de juro por parte da Fed do primeiro semestre de 2026 para o segundo semestre do ano, sendo o corte de 25 pontos base nas reuniões do FOMC de julho e setembro o resultado mais provável”, diz David Kohl Chief Economist do Julius Baer.

Tudo aponta para uma estabilização do desemprego, com menos perdas permanentes de emprego e menor desemprego entre os recém-chegados ao mercado de trabalho.

O economista do banco suíço diz que o crescimento do emprego foi liderado pelo sector da saúde, mas indústrias cíclicas como a construção e a indústria transformadora também contribuíram positivamente.

“A folha de pagamentos do governo federal continuou a diminuir. O relatório sobre o emprego de Janeiro incluiu também uma revisão significativa do crescimento do emprego em termos homólogos, com quase menos 900 mil empregos criados nos 12 meses que antecedem Março de 2025”, acrecsenta.

“Os dados mais recentes sobre o emprego apontam para um mercado de trabalho equilibrado nos EUA, com a oferta e a procura agora em equilíbrio após o arrefecimento da procura excessiva no último ano. Até à data, o risco de que o arrefecimento do mercado de trabalho comece a elevar o desemprego não se materializou, aliviando a pressão sobre a Fed para retomar os cortes das taxas de juro imediatamente, de forma a proteger-se contra uma deterioração do mercado de trabalho”, defende David Kohl.

No entanto, sublinha, “a Fed tem agora fortes argumentos para aguardar por um cenário de inflação mais favorável antes de retomar os cortes nas taxas” pelo “adiamos a nossa previsão para a retoma dos cortes de juros por parte da Fed do primeiro para o segundo semestre de 2026, sendo o corte de 25 pontos base nas reuniões do FOMC de julho e setembro o resultado mais provável”.


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