Economia com Saúde ou Saúde com Economia?

É uma linha muito ténue que separa o querer que um país sobreviva, mas ao mesmo tempo cuidar da saúde do país quando o risco é grande. Esta pandemia veio isso demonstrar.

O dia de hoje começa com uma tentativa de escrita. Estes últimos dias a pensar sobre o que escrever têm sido interessantes. Ora um momento com uma ideia “magnífica” que depois não se concretiza, ora um momento ou outro de procrastinação que parece não terminar. Talvez seja o conhecido “bloqueio de escritor”, ainda que não o seja, nem tenha pretensão de sê-lo. Por isso, ao invés de continuar numa busca incessante sobre o que escrever que possa cativar o leitor “num abrir e fechar de olhos”, hoje o meu insight do dia leva-me a falar sobre “back to basics” ou, em bom português, “voltar aos básicos”. É uma frase que cada vez mais se tem ouvido falar, particularmente com a ideia de um estilo de vida minimalista que cresce, cada vez mais, ao redor do mundo e está muitas vezes associado à moda. Mas não é de moda que falo. Hoje, gostaria de levar o leitor numa reflexão que tem sido muito pessoal nos últimos tempos, fruto da situação do mundo atual.

O Covid-19 ou pandemia ou, simplesmente, “aquele bicho” misterioso que veio como “rei” mudar o mundo em que vivemos, colocou em risco um direito humano fundamental: a saúde. O interessante desta situação é que este “bicho” não se importou se a sua “matéria-prima” eram humanos de países de 3º mundo ou de 1º mundo (como se não fossemos todos seres humanos do MESMO mundo!). Ele simplesmente veio e decidiu fazer morada nas nossas casas e no nosso corpo sem se importar, minimamente, com a nossa situação económica, de saúde ou qualquer outra. Este “bicho” conquistou nações, colocou em espera as nossas vidas, ou diria antes, em suspense, e veio alertar-nos que, mesmo quando alguns “mundos” consideram que têm as suas necessidades básicas supridas, algo inesperado pode surgir que nos faz ter que “voltar aos básicos”.

A saúde não é um dado adquirido e nem, em muitos países considerados de 3º mundo, um direito humano vivido. O Covid-19 é talvez um alerta para que não nos esqueçamos que as nossas necessidades básicas seja a comida, a água, a habitação, a educação, um trabalho seguro e a saúde, são pilares para a sobrevivência humana e alicerces para o desenvolvimento e crescimento de todas as sociedades, em qualquer parte do mundo! Sem firmes alicerces nenhuma construção consegue erguer-se de forma segura e lidar com as “tempestades” que podem surgir sem, eventualmente, cair. Mas, com alicerces firmes, será sempre mais fácil lidar com estas tempestades mesmo quando inesperadas!

O futuro de cada país e do mundo passa por, em primeiro lugar, nunca se esquecer das necessidades básicas das pessoas. De que servirá um país rico e poderoso se aqueles que nele vivem estão doentes ou morrem sem os cuidados de que necessitam?

Não sendo nativa de “falar economicamente”, encontrei uma citação de Peter Drucker, no seu livro “Landmarks of Tomorrow”, onde diz que “The ultimate resource in economic development is people. It is people, not capital or raw materials, that develop an economy.” Por isso, nesta minha reflexão, muito pessoal, penso: de que servirá pensar em crescimento económico se, sem pessoas, não há economia? Se sem pessoas com saúde, física e mental, a economia acabará eventualmente por decair.

É uma linha muito ténue que separa o querer que um país sobreviva, mas ao mesmo tempo cuidar da saúde do país quando o risco é grande. Esta pandemia veio isso demonstrar. Se não mantivermos os cuidados essenciais (e talvez alguns extras) esta pandemia irá ainda dar “muito que falar”. A História assim o diz. A economia é necessária para que o país não pare, sem qualquer sombra de dúvida!!! Mas como proteger os cidadãos e, simultaneamente, fazer a economia continuar a crescer? A resposta, sinceramente, não sei! Mas acredito que é preciso pensar bem na mesma antes de ser dado qualquer passo “em falso”. A resposta não pode nem deve ser dada intempestivamente ou, simplesmente, “por desespero”.

Refletindo nas palavas de Peter Drucker, para falar de economia temos que primeiro falar de pessoas. E não serão as suas necessidades básicas supridas, incluindo a sua saúde, um motor para o desenvolvimento económico? Não será o olhar cada pessoa como ser humano ao invés de um número, uma possível “resposta”?

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