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Economia da Dinamarca arrefece à custa de uma única empresa

A pressão das tarifas dos EUA está a impactar esta companhia-estrela do Reino escandinavo.
10ª cidade mais cara
29 Agosto 2025, 17h25

É uma das empresas-estrela da Europa e da Dinamarca. Mas o seu peso vai provocar um arrefecimento da economia do país escandinavo este ano.

O Reino da Dinamarca cortou hoje a sua previsão de crescimento para este ano dos 3% para 1,4% devido precisamente ao desempenho da farmacêutica Novo Nordisk.

Nos tempos de bonança, as exportações farmacêuticas foram cruciais para a economia crescer 3,7% em 2024, à boleia da venda dos medicamentos Ozempic e Wegovy.

“O crescimento no primeiro trimestre de 2025 foi mais fraco do que o previsto anteriormente. Em conjunto com o aumento das tarifas americanas e a revisão das expetativas para a indústria farmacêutica, isto levou ao ajuste significativo em baixa da estimativa para 2025 do crescimento do PIB”, segundo o ministro da Economia da Dinamarca, citado pela “CNBC”.

As exportações do país para os EUA caíram significativamente este ano, depois de terem subido no final de 2024, à conta da acumulação de stocks.

Já a concorrência no mercado de medicamentos para perder peso também está a aumentar, com a Novo a perder quota de mercado.

Depois de terem pesado mais de 8% nas exportações em 2024, as vendas exteriores de produtos farmacêuticos vão afundar para 1%.

O crescimento das exportações totais de bens também vai recuar dos 10% em 2024 para os 3% este ano.

A ameaça de tarifas norte-americanas teve impacto no sector farmacêutico europeu, apesar de o acordo recente entre os EUA-UE trazer mais certezas.

Há apenas dois anos, a Novo Nordisk tornou-se então na empresa mais valiosa da Europa, ultrapassando o gigante francês de luxo, a LVMH.

Desde então tem recuado, com o preço das ações a recuar 10% em 2024 e mais de 40% este ano.

Entre as preocupações dos investidores está a concorrência da rival norte-americana Eli Lily, um crescimento mais fraco do mercado e dúvidas sobre os tratamentos de nova geração.

Outros desafios são as exigências do presidente Trump por medicamentos mais baratos.

Os EUA deram autorização a farmacêuticas americanas para produzirem cópias dos medicamentos da Novo Nordisk, perante a escassez dos produtos. A companhia disse este ano que estava a avaliar tomar medidas judiciais às empresas que não cumprissem a data-limite para cessarem o fabrico dos medicamentos.

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