Economia da zona euro deverá abrandar para 1,3% este ano

A Comissão Europeia está mais pessimista sobre a expansão económica da zona euro, devido à incerteza global. No ‘Winter Forecast 2019’ reviu em baixo as estimativas de outono, prevendo agora um crescimento do PIB de 1,3% para este ano.

O crescimento da zona euro deverá abrandar de forma acentuada este ano, devido a uma maior incerteza global, e depois de já ter registado uma desaceleração em 2018. No Winter Forecast 2019, divulgado esta quinta-feira, dia 7 de fevereiro, a Comissão Europeia (CE) reviu em 0,6 pontos percentuais as estimativas de outono do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano.

Bruxelas prevê que em 2018, a zona euro tenha registado uma expansão de 1,9%, devendo cair para 1,3% este ano ano e 1,6% em 2020. O ritmo de crescimento na média dos 19 Estados-membros será sobretudo afetado por riscos internacionais.

“Nos próximos dois anos prevê-se que a economia continue a crescer mas a um ritmo mais lento”, antecipa a CE. “O momentum económico no início deste ano foi moderado, mas os fundamentos continuam sólidos”.

“As tensões comerciais, que vêm a ganhar peso na opinião há algum tempo, têm aliviado um pouco, mas continuam a ser uma preocupação. A economia da China pode estar a desacelerar mais do que o esperado e os mercados financeiros globais e muitos mercados emergentes estão vulneráveis ​​a mudanças abruptas na posição de risco e expectativas de crescimento”, explica a CE. “Para a UE, o processo “Brexit” continua a ser uma fonte de incerteza”, acrescenta.

Ainda assim, antecipa que a economia da zona euro deverá continuar a beneficiar da melhoria das condições de trabalho, de condições financeiras favoráveis e de uma orientação orçamental expansionista.

A CE explica que no ano passado o crescimento económico abrandou como resultado de uma combinação de fatores internos – que incluem a interrupção da produção de automóveis no terceiro trimestre, assim “como as tensões sociais e a incerteza da política orçamental em alguns Estados-Membros” – e externos. Neste sentido, apesar do abrandamento já ser antecipado no cenário macroeconómico, “a desaceleração no último semestre de 2018 foi mais pronunciada do que o esperado”.

As previsões económicas da UE a 28 também foi revista em baixo, para um crescimento de 1,5% em 2019 e 1,7% em 2020 face aos 1,9% e 1,8%, respetivamente, estimados em novembro.

Assim, apesar da CE ter revisto em baixa ligeira as previsões de crescimento da economia portuguesa para este ano devido a uma contribuição mais fraca das exportações, Portugal deverá crescer acima da média da zona euro. Bruxelas projeta uma desaceleração do crescimento do PIB para 1,7%, abaixo dos 1,8% das previsões de outono e da meta de 2,2% inscrita no Orçamento do Estado para 2019 (OE2019), mas ainda acima da média de 1,3% dos 19 Estados-membros.

“Espera-se que todos os países da UE continuem para crescer em 2019, o que significa mais empregos e prosperidade. No entanto, a nossa previsão é revista em baixo, em particular para as maiores economias da zona euro. Isso reflete fatores externos, como as tensões comerciais e a desaceleração nos mercados emergentes, nomeadamente na China”, realça Valdis Dombrovskis, vice-presidente para o Euro e Diálogo Social, também responsável pela área de Estabilidade, Serviços Financeiros e União dos Mercados de Capitais, que acrescenta as preocupações sobre a sustentabilidade da dívida em alguns países.

“A possibilidade de um Brexit disruptivo cria incerteza adicional. Estar ciente desses riscos crescentes é metade do trabalho. A outra metade é a escolher a combinação certa de políticas, como facilitar o investimento, redobrar os esforços para realizar reformas estruturais e na prossecução de políticas orçamentais prudentes”, concluiu.

Já Pierre Moscovici, comissário responsável pelos Assuntos Económicos e Financeiros, Fiscalidade e União Aduaneira, salientou que “Este abrandamento deverá ser mais pronunciado do que o previsto no outono passado, especialmente na área do euro, devido a incertezas no comércio mundial e a fatores internos nas maiores economias. Não obstante, os princípios fundamentais da nossa economia permanecem sólidos e continuamos a ter boas notícias, em especial no que se refere ao emprego”.

(Atualizada às 10h21)

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