Economia espanhola recua 5,2%, a maior quebra trimestral desde 1970

O impacto da pandemia da Covid-19 provocou a maior quebra na economia espanhola em 50 anos.

Madrid, Espanha | Manu Fernandez/AP

A economia espanhol contraiu 5,2% no primeiro trimestre de 2020, revela o ‘El Español’ esta terça-feira, 30 de junho, devido ao impacto da crise da Covid-19. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística espanhol (INE), esta é a maior quebra trimestral desde 1970, sendo que até à data, o primeiro trimestre de 2009 era o que registava a maior quebra do PIB, fixando-se em -2,6%.

Com esta queda acentuada durante o primeiro trimestre de 2020, Espanha entrou em recessão técnica, assume a publicação espanhola. Para um país entrar em recessão, é necessário que exista um crescimento negativo de uma economia durante dois trimestres consecutivos.

O ‘El Español’ adianta que a contração do PIB no segundo trimestre do ano é um dado adquirido, sendo que este valor deverá ser superior ao registado até março. Entre abril e junho, a economia espanhola parou quase por completo devido à declaração do Estado de Alarme, o equivalente ao Estado de Emergência em Portugal, que paralisou diversas atividades económicas.

Nos três trimestres precedentes, ou seja, segundo, terceiro e quarto trimestres de 2019, a economia espanhola estava a observar um crescimento de 0,4%, um desenvolvimento travado pelo surgimento do novo coronavírus.

Na taxa interanual, o PIB espanhol do primeiro trimestre contraiu 4,1%, em comparação com o aumento de 1,8% do trimestre anterior. Segundo o ‘El Español’, este é o maior declínio registado desde o segundo trimestre de 2009, quando a economia de Espanha verificou uma contração de 4,4% face ao ano anterior. Desde o fim de 2013 que nenhum dado do PIB se apresentava negativo.

Os dados do INE espanhol, citados pela publicação, apontam que a procura nacional subtraiu 3,7 pontos da variação interanual homóloga do PIB no primeiro trimestre, menos cinco pontos percentuais do que no quarto trimestre de 2019. Também a procura externa diminui 0,4 pontos de variação, menos 0,9 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior.

Os mesmos dados mostram ainda uma quebra no consumo das famílias de 6,6% face ao crescimento de 0,1% no trimestre anterior. Contrariamente, os gastos públicos cresceram 1,8% entre janeiro e março, observando o maior aumento em 12 anos, desde o primeiro trimestre de 2008. Também os investimentos foram afetados e registaram a maior quebra em 11 anos, desde o segundo trimestre de 1009, caindo 5,7% nos primeiros três meses do ano.

Também o emprego, à semelhança de outras economias, foi afetado. Em termos de horas trabalhadas, o emprego caiu 5% no primeiro trimestre em relação ao período anterior. Ainda assim, esta taxa permanece inferior à quebra dos empregos a tempo inteiro, caindo -1,9%, com uma redução de -3,1% nas horas trabalhadas.

Os empregos a tempo integral diminuíram 0,6%, perdendo-se o equivalente a 102 mil empregos durante o primeiro trimestre afetado pelo novo coronavírus.

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