Como melhorar a eficiência hídrica em casa

Com a adoção de medidas de eficiência hídrica, incluindo a utilização de equipamentos e dispositivos mais eficientes e tecnologias inovadoras, em substituição dos sistemas e equipamentos convencionais, é possível reduzir 30% a 45% o consumo de água em casa e nos edifícios.

Existe um enorme potencial para a adoção de práticas de eficiência hídrica por parte dos consumidores com impacto direto nas faturas da água e energia, mantendo e até aumentando o conforto, a segurança e a qualidade da água.

– Medidas de eficiência geram potenciais de poupança de água até 45%.

– Escolha de produtos e dispositivos mais eficientes ajuda a reduzir o consumo de água, com igual ou melhor conforto.

– Seleção de eletrodomésticos que utilizam água deve ter em conta o consumo de água.

Em Portugal estima-se que, os custos das famílias com habitação, água, eletricidade e gás ultrapassem os 30% dos custos mensais e anuais totais das famílias[1]. Com a adoção de medidas de eficiência hídrica, incluindo a utilização de equipamentos e dispositivos mais eficientes e tecnologias inovadoras, em substituição dos sistemas e equipamentos convencionais, é possível reduzir 30% a 45% o consumo de água em casa e nos edifícios.

E poupar água significa ainda poupar energia, quer em casa quer na comunidade, dado que a captação, o transporte e o tratamento da água de abastecimento e das águas residuais são operações que implicam um elevado consumo e custo energético.

Nos edifícios residenciais, 23% da fatura energética está associada ao aquecimento de água[2], sendo a maior parte da água consumida pelas famílias aquecida com recurso a gás e eletricidade[3]. O aquecimento de água quente sanitária e a manutenção da pressão da água, são duas operações com um elevado consumo energético e que demonstram a relação entre a água e a energia, muitas vezes designada como Nexus Água-Energia.

Considerando o consumo de energia necessária para o aquecimento de águas quentes sanitárias, a economia combinada em termos de consumos de água e energia nos edifícios pode atingir o equivalente a 51% da fatura da água.

Como e onde implementar medidas de eficiência hídrica nos edifícios de habitação?


Figura 1 – Exemplos de soluções para a eficiência hídrica (fonte: e-Book Aqua eXperience, 2018)

Escolher produtos e dispositivos que assegurem maior eficiência e conforto no uso da água (por exemplo chuveiros e sistemas de duche, torneiras de cozinha e de lavatórios, autoclismos)

·         Os sistemas de rotulagem de produtos e indicadores de consumos, ajudam na escolha de produtos e dispositivos mais eficientes:

Figura 3 – Exemplo de rótulos de Eficiência Hídrica adotados em Portugal – Rótulo da ANQIP (fonte: e-Book Aqua eXperience, 2018)

·         Nos sistemas de autoclismo – existem mecanismos mais eficientes e outros que suportam uma adequação do volume de descarga, por exemplo face ao uso (dupla descarga ou descarga interrompida, com opção de paragem pelo utilizador). De uma forma geral, os autoclismos eficientes apresentam entre 4 a 5 litros de volume total (correspondentes a A, A+ ou A++ de acordo com o exemplo da Figura 3);

·         Os chuveiros e sistemas de duche podem representar mais de 30% da média diária do consumo de água doméstico. Os mais eficientes deverão ter consumos de água entre 5 litros por minuto e 7 litros por minuto (correspondentes a A, A+ ou A++). Para além da redução do consumo de água, os chuveiros e os sistemas de duche, podem ter associada uma redução do consumo de energia, proporcional à água quente necessária em cada utilização. Para maior eficiência e conforto, existem também sistemas que têm incorporados torneiras termoestáticas (com temperatura estável) ou “eco-stop” (com temporizador para corte de caudal).

·         As torneiras da cozinha e casas de banho podem representar cerca de 16% do consumo no setor residencial em Portugal. Para as torneiras de lavatório, o modelo típico considerado (correspondente à letra A), é aquele que tem um consumo de água até 2 litros por minuto. Para as torneiras de cozinha, o modelo típico considerado (correspondente à letra A) é aquele que tem um consumo de água até 4 litros por minuto.

·         Para minimização dos consumos de água e conforto, sem substituição de dispositivos, existem ainda redutores de caudal, que reduzem o volume de água consumido em cada utilização.

·         Otimizar o tempo de cada utilização de água, para não anular os benefícios da redução de consumos que se consiga com a substituição dos dispositivos ou com os redutores de caudal.

Escolher máquinas de lavar loiça e roupa mais eficientes no uso da água. Veja na etiqueta energética, que identifica também o consumo de água.

·         Os eletrodomésticos mais eficientes podem gerar poupanças até 51% (máquinas de lavar roupa) e de 41% (caso das máquinas de lavar loiça) do consumo de água.

·         Durante a escolha, deve procurar sempre os equipamentos mais eficientes do ponto de vista energético (classes energéticas de A até A+++).

·         Para reduzir o consumo de água, além da classe energética, deve procurar máquinas cuja etiqueta indique um consumo de água médio anual inferior a 10.000 litros (L/ano) para máquinas de lavar roupa e 2.500 L/ano para máquinas de lavar loiça.

 

 

 

Figura 3 – Etiqueta energética de máquinas de lavar roupa (fonte: Manual da Etiqueta Energética da ADENE, 2017)

Estas e outras soluções e sugestões podem ser encontradas no e-Book Aqua eXperience

O Aqua eXperience é um projeto de educação, sensibilização e mobilização para a eficiência hídrica e para o nexus água-energia, que pretende contribuir para a alteração de comportamentos dos consumidores de água no setor urbano, em particular nos edifícios residenciais.

O projeto é desenvolvido pela ADENE e pela EPAL e apoiado pelo Fundo Ambiental do Ministério do Ambiente, no quadro da Estratégia Nacional de Educação Ambiental 2020.

 

 

O Aqua eXperience explica o “porquê” da eficiência hídrica e também o “como”, através da gamificação dirigida aos jovens, do e-Book Aqua eXperience, dirigido aos consumidores residenciais, da Comunidade Aqua Community e Aqua Solutions.

 

[1] INE, 2017
[2] ADENE, 2016
[3] Silva-Afonso, Pimentel-Rodrigues, 2011

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