A EDP Renováveis (EDPR) suspendeu o seu projeto eólico marítimo (offshore) nos EUA, o que poderá provocar um atraso de quatro anos.
O projeto Southcoast Wind, ao largo da costa do Massachusetts, tem uma capacidade prevista de 2,4 gigawatts. A companhia deveria iniciar a construção este ano, estando operacional em 2030.
Isto significa que o projeto em parceria com a Engie (através do consórcio Ocean Winds) será eventualmente retomado quando houver um novo presidente na Casa Branca, em 2029, pois as próximas eleições vão ter lugar em novembro de 2028.
“É prudente assumir um atraso de quatro anos. Obviamente que esse é o pior cenário possível”, disse o CEO da EDPR em chamada com analistas na quarta-feira, acrescentando que o acordo de venda de energia (PPA) está “pronto a assinar” com um “bom preço”.
“O projeto está pronto a avançar, mas com tudo o que aconteceu com as ordens executivas decidimos ser mais prudentes”, acrescentou Miguel Stilwell d’Andrade na chamada.
Donald Trump não se vai poder candidatar a um terceiro mandato, pois a 22ª Emenda da Constituição dos EUA proíbe um presidente de servir mais do que duas vezes. No entanto, existe uma corrente no país que defende um terceiro mandato e o próprio tem vindo a mencionar o assunto.
“Vai ser a maior honra da minha vida servir, não uma vez, mas duas, três ou quatro vezes”, afirmou Donald Trump em janeiro. “Posso concorrer outra vez?”, disse noutro evento este mês.
Donald Trump paralisou o sector eólico nos EUA, escreveu o “Wall Street Journal” esta semana dando conta das muitas reticências que os promotores enfrentam atualmente nos EUA para desenvolver os seus projetos no mar, mas também em terra.
Desde a eleição de Donald Trump que várias companhias suspenderam os seus projetos offshore, como a francesa TotalEnergies, que suspendeu um projeto também durante 4 anos, ou a dinamarquesa Orsted que decidiu adiar o arranque do projeto para a segunda metade de 2027, tendo registado uma imparidade de 1,7 mil milhões de dólares. Já a petrolífera Shell assumiu uma imparidade de 500 milhões de dólares para o seu projeto eólico offshore. Mas há mais empresas a suspender/cancelar projetos, incluindo a norueguesa Equinor, a petrolífera britânica BP, ou a Avangrid, controlada pela espanhola Iberdrola.
O “WSJ” escreve que os trabalhos continuam a decorrer nos projetos que já arrancaram, mas que “existe confusão” no sector sobre o que vem a seguir. Apesar da maioria dos projetos no eólico onshore serem em propriedades privadas, muitos requerem licenças federais, como licença de construção Army Corps of Engineers, ou licença ambiental do U.S. Fish and Wildlife, ou do Bureau of Land Management para a rede elétrica, ou da Federal Aviation Administration por causa da servidão aeronáutica.
A EDP Renováveis registou prejuízos de 556 milhões de euros em 2024 ao nível do resultado líquido não recorrente, com imparidades registadas na operação offshore nos EUA e pelo cancelamento da operação eólica onshore na Colômbia, anunciou a empresa na quarta-feira.
Em termos recorrentes, a companhia viu os lucros afundarem 57% para 221 milhões de euros, com o “desempenho operacional a não ser suficiente para compensar os menores ganhos de rotação de ativos vs. 2023 e maiores resultados financeiros”.
Perante os prejuízos, a companhia apresentou um plano para dar a volta por cima: nos próximos dois anos, o ritmo de novas centrais vai recuar para um total de 3,5 gigas, com o Capex a ficar nos 3 mil milhões de euros este ano e abaixo deste valor em 2026.
Em termos de rotação de ativos, o plano é vender mais de 2,5 gigas para encaixar mais de 3 mil milhões de euros em 2025/2026.
A companhia destacou o recorde de nova potência atingido em 2024: 3,8 gigas.
A companhia esclarece que foi impactada negativamente por items não recorrentes na ordem dos 777 milhões de euros relacionado com a “imparidade em offshore nos EUA, bem como pela decisão de não prosseguir com os investimentos restantes necessários para construir os projetos eólicos de 0,5 gigawatts na Colômbia, resultando num impacto total de 590 milhões de euros entre imparidades, provisões para garantias ainda a serem incorridas e impostos”.
Sobre os EUA acrescentou que a imparidade foi de 133 milhões de euros ao nível da EDPR devendo-se a uma “decisão preventiva da Ocean Winds”, o consórcio com a Engie, “nos negócios offshore nos EUA devido à incerteza em torno dos projetos offshore nos EUA após as ordens executivas presidenciais emitidas em 20 de janeiro”.
A companhia avançou que as receitas aumentaram 4% para 2.320 milhões com o aumento da produção de eletricidade a ser “parcialmente compensado por preços mais baixos”.
Já o EBITDA não recorrente caiu 16% para mais de 1.500 milhões, com as imparidades e provisões a subirem mais de 60% para mais de 1.500 milhões.
Sobre o dividendo, a companhia vai propor aos seus acionistas a “continuidade do programa de Scrip Dividend com um payout de 40%, o que implica uma proposta de dividendo de € 8 cêntimos por ação”.
A produção da EDPR subiu 6% em 2024 face a 2023, atingindo mais de 36 TWh. A maioria teve origem em energia eólica em terra (85%), com a energia solar fotovoltaica a pesar 15%. Em 2024, a nova potência solar foi responsável por quase 75% da nova capacidade.
A produção da EDP Renováveis (EDPR) nos EUA disparou 17% em 2024, alcançando mais de 18 mil GWh. Os EUA representaram 50% da eletricidade produzida pela EDPR no ano passado, totalizando 36 mil GWh.
Em termos de capacidade instalada, a EDPR conta com 44% da sua potência instalada nos EUA (8,4 gigawatts de 19,3 gigawatts no total), sendo a maioria eólica onshore (mais de 5,9 gigawatts) e solar (2,5 gigawatts).
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