Efacec vai para lay-off durante 30 dias a partir de 6 de abril

A empresa diz que o lay-off será aplicado “transversalmente a todos os níveis da organização”, tanto na modalidade de suspensão de contrato, como da redução temporária do horário de trabalho.

A Efacec vai entrar em regime de lay-off a partir de 6 de abril, a próxima segunda-feira, avançou hoje a empresa.

“A Efacec confirma que decidiu desenvolver as diligências necessárias para adotar medidas excecionais e temporárias de proteção dos postos de trabalho, tendo requerido o estatuto para implementação de um Plano de Manutenção dos Postos de Trabalho, durante um período de 30 dias, a partir de 6 de abril, eventualmente renovável nos termos da lei”, segundo o comunicado da companhia.

A empresa contava com 2.720 trabalhadores no final de 2018: 2.497 diziam respeito a empregos com vínculo, enquanto 223 diziam respeito a empregos sem vínculo.

Recorde-se que a 24 de janeiro foi anunciado que Isabel dos Santos iria deixar de ser acionista da Efacec, depois das revelações feitas no âmbito do caso Luanda Leaks.

A empresária angolana tornou-se acionista maioritária da Efacec em outubro de 2015 quando pagou 200 milhões de euros, através da sociedade Winterfell Industries, para passar a controlar a empresa. Os anteriores acionistas, grupos José de Mello e Têxtil Manuel Gonçalves (TMG), passaram então a ser acionistas minoritários.

Em 2018, a empresa gerou receitas de 433 milhões de euros (432 milhões em 2017, com encomendas na ordem dos 533 milhões (face aos 497 no ano anterior), e um investimento de 21 milhões. Os lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) atingiram os 41,2 milhões, um crescimento assinalável face aos nove milhões registados em 2017.

No documento hoje divulgado, a empresa diz que esta é uma “decisão difícil, que não foi tomada de anime leve”.

A Efacec diz que ao tomar esta decisão está a optar por manter os “postos de trabalho, abrangendo o maior número de colaboradores possíveis e em todas as empresas do Grupo, tomando uma medida para garantir o presente e o futuro da Efacec e a preservação dos postos de trabalho e rendimentos dos seus colaboradores”.

“As medidas serão aplicadas transversalmente a todos os níveis da organização, nas duas modalidades previstas na lei, seja de suspensão, seja de uma redução temporária dos períodos normais de trabalho”, pode-se ler.

Para já, vão ser abrangidas as emrpesas Efacec Energia, Efacec Engenharia e Efacec Serviços Corporativos, correspondente a cerca de 50% do número total de colaboradores da empresa.

Por último, a companhia diz que “não vai parar”. “A empresa vai manter a operação que não está impossibilitada pelo Covid-19 e que será assegurada por um conjunto de colaboradores, nas diferentes geografias, que se vão manter em atividade a 100% ou parcial, enquanto os restantes aguardarão em suas casas que este momento complexo passe e a normalidade regresse”.

Isabel dos Santos deixa de ser acionista da Efacec

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