Em 2020 foram concedidos em média 901,6 milhões por mês em crédito à habitação

O Banco de Portugal publicou hoje o Relatório de Acompanhamento dos Mercados Bancários de Retalho. O crédito à habitação cresceu, o crédito ao consumo caiu e os depósitos estruturados diminuíram pelo quinto ano consecutivo.

O Banco de Portugal publicou hoje o Relatório de Acompanhamento dos Mercados Bancários de Retalho. Este relatório descreve a evolução, em 2020, dos mercados de depósitos a prazo simples e estruturados, do crédito à habitação e outros créditos hipotecários, e do crédito aos consumidores.

Segundo o relatório, as taxas de remuneração dos depósitos a prazo simples para o público em geral diminuíram na generalidade dos prazos analisados, prosseguindo a tendência registada desde 2012.

No final de 2020, as instituições analisadas comercializavam 276 depósitos a prazo simples. Dos 186 depósitos a prazo simples destinados ao público em geral, 25,8% eram comercializados em exclusivo nos canais digitais. A maioria tinha prazo igual ou inferior a um ano (79,5%), exigia montante mínimo de constituição igual ou inferior a 500 euros (63,9%), permitia a mobilização antecipada dos montantes aplicados (90,9%) e pagava juros apenas no vencimento (77,3%). Estes depósitos tinham maioritariamente taxas de juro iguais ou inferiores a 0,1%, conclui o relatório.

A oferta e o montante aplicado em depósitos estruturados diminuíram pelo quinto ano consecutivo, respetivamente 30,1% e 68,0%, revela o Banco de Portugal.

Em 2020, foram comercializados 51 depósitos estruturados por 6 instituições, menos 22 depósitos do que em 2019. Nestes depósitos, foram aplicados 250,4 milhões de euros, por 13.338 depositantes, o que compara com 783,3 milhões de euros e 35.002 depositantes em 2019.

Dos 105 depósitos vencidos durante o ano, 76,2% pagaram a taxa de remuneração mínima prevista no documento de informação pré-contratual e 10,5% pagaram a taxa máxima prevista. Em 36,2% dos casos, a taxa de remuneração foi superior à TANB (que expressa o rendimento anual que o consumidor retira das suas aplicações financeiras) do depósito a prazo simples comercializado pela mesma instituição, para o mesmo prazo.

Crédito à habitação cresceu

O montante concedido de crédito à habitação cresceu, embora de forma menos acentuada do que nos anos anteriores. Esta evolução deveu-se a uma queda do mercado no segundo trimestre do ano, que terá estado relacionada com as medidas de mitigação da pandemia.

No segundo semestre, o mercado recuperou, com destaque para o crescimento de 8,8% nos últimos três meses do ano, em relação ao período homólogo.

Em 2020, foram concedidos, em média, 901,6 milhões de euros por mês em crédito à habitação (mais 4,7% do que em 2019), no âmbito da celebração de 7.553 contratos (menos 1,9%). No final do ano, existiam 1,45 milhões de contratos de crédito à habitação na carteira das instituições, um valor idêntico ao do ano anterior, correspondente a um saldo em dívida de 90,2 mil milhões de euros, mais 3,2% do que o registado em 2019.

O prazo médio dos novos contratos aumentou para 33,1 anos (32,8 em 2019). Os novos contratos foram sobretudo celebrados com taxa de juro variável (82,3%), embora este tipo de taxa tenha perdido importância (86,4% em 2019). O spread médio dos novos contratos indexados à Euribor a 3, 6 e 12 meses fixou-se em 1,19 pontos percentuais, menos 0,13 pontos percentuais do que em 2019.

O número de reembolsos antecipados e o montante reembolsado diminuíram, respetivamente, 5,8% e 13,4%. O número de renegociações e o montante renegociado também caíram, respetivamente 15,7% e 13,6%, refletindo a aplicação das moratórias de crédito, que não configuram uma renegociação do contrato. À semelhança dos anos anteriores, na generalidade dos contratos renegociados, os mutuários não se encontravam em incumprimento.

O mercado de crédito aos consumidores foi particularmente afetado pela pandemia, conclui o supervisor bancário. O montante de crédito concedido diminuiu 30,2% no crédito pessoal, 15,1% no crédito automóvel e 18,4% no crédito revolving.

Em média, foram celebrados 101.419 contratos de crédito aos consumidores por mês, correspondentes a um montante de crédito concedido de 490,3 milhões de euros.  O número de contratos celebrados e o montante de crédito concedido em 2020 registaram diminuições de mais de 23,9% e 22,5%, respetivamente, face aos valores de 2019. Metade do montante foi concedido através de intermediários de crédito, tendo a preponderância destas entidades no mercado aumentado relativamente a 2019, revela o BdP.

Em 2020, o custo do crédito aos consumidores diminuiu ligeiramente, medido pela TAEG (Taxa Anual de Encargos Efetiva Global) média de mercado no quarto trimestre, que se reduziu 0,1 pontos percentuais em relação ao período homólogo. Esta redução refletiu diminuições no custo do crédito revolving e automóvel, parcialmente compensadas pelo aumento da TAEG média no crédito pessoal, explica o BdP.

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