Em cada cinco portugueses, apenas um tem planos de vida para 2021, diz um estudo da Cetelem

De acordo com os responsáveis do estudo, “no âmbito desta frágil conjuntura económica, 42% revelam que têm sentido dificuldades no pagamento das despesas mensais fixas, valor também mais elevado desde o início da pandemia (eram 34% em junho de 2020)”.

Apenas um em cada cinco portugueses têm planos de vida para 2021, conclui um estudo realizado pela Cetelem.

Segundo esta empresa do banco BNP Paribas, presente em Portugal desde 1993, a crise económica associada à pandemia obrigou os portugueses a repensarem os seus planos.

Um em cada três portugueses não estão capazes de suportar despesas extras e 42% dos nossos compatriotas sentem dificuldades no pagamento de despesas fixas – são outras conclusões deste estudo.

“O contexto pandémico sem precedentes que Portugal atravessa já dura há mais de um ano e com ele trouxe uma grave crise económica que afetou a vida dos portugueses. Por conseguinte, mudaram-se hábitos de consumo e vários planos agendados para 2020 e 2021 têm estado adiados, à espera de um contexto mais favorável para a sua retoma”, resume um comunicado da Cetelem.

O Observador Cetelem procurou inquirir os portugueses no sentido de compreender o impacto da pandemia na sua capacidade financeira e nos seus projetos de vida.

“Os resultados dizem-nos que apenas 22% dos portugueses – e das classes mais altas – têm projetos de vida planeados para o ano de 2021, que se dividem entre: ter filhos (4%), mudar de casa (4%), sair de casa/juntar-se com o namorado/viver sozinho (4%), mudar de emprego (3%), casar (2%), investir num negócio próprio (2%) ou outro (3). As prioridades tiveram de ser de tal forma alteradas que metade dos portugueses inquiridos afirma que deram menos importância a produtos que não sejam de primeira necessidade, sobretudo durante o confinamento. No entanto, agora em fase de desconfinamento, mais de metade dos que adiaram aquisições admitiram que vão retomar as suas compras”, revela a mesma nota.

De acordo com os responsáveis da Cetelem, “no âmbito desta frágil conjuntura económica, 42% revelam que têm sentido dificuldades no pagamento das despesas mensais fixas, valor também mais elevado desde o início da pandemia (eram 34% em junho de 2020)”.

“Para encontrarmos um período em que as dificuldades no pagamento destas despesas foram mais acentuadas temos de recuar até 2017 (59%). Esta dificuldade levou a que 28% revelassem que já cancelaram ou renegociaram contratos de serviços e produtos. Um terço dos portugueses (33%) dizem também não estarem capazes de suportar despesas extras – um número que tem vindo a crescer com o agudizar do período pandémico (28% em junho de 2020)”, alerta a Cetelem.

Quanto ao método de pagamento para compras superiores a 300 euros, “verificámos que a presença pelo pagamento a pronto se acentuou: 74% dos inquiridos portugueses revelam que preferem este método de pagamento (69% em novembro) e somente 26% preferem optar por pagar a crédito (31% em novembro)”.

“Face a este contexto, a reabertura e retoma das atividades em quase todas as zonas do território português representa para os portugueses mais um passo a caminho da tão desejada normalidade, com a maioria (56%) a afirmar sentir-se seguro para retomar a sua vida fora de casa, mas também esperançoso (58%) e confiante (54%), o que parece indicar que encaram esta fase como o início de um contexto mais favorável para retomar parte das suas rotinas e planos vida”, assinala este comunicado.

O inquérito quantitativo do ‘Observador Cetelem’ foi realizado pela empresa de estudos de mercado Nielsen. Este teve por base uma amostra representativa de mil indivíduos residentes em Portugal Continental, de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 18 e os 74 anos de idade. A amostra total é representativa da população e está estratificada por distrito, sexo, idade e níveis socioeconómicos e conta com um erro máximo associado de +/- 3,1 pontos percentuais para um intervalo de confiança de 95%.

As entrevistas foram realizadas telefonicamente (CATI), com informação recolhida por intermédio de um questionário estruturado de perguntas fechadas. O trabalho de campo foi realizado entre 27 de março e 6 de abril de 2021.

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