Em novo pingue-pongue com o PS, BE deixa a porta aberta para “rever posição” na votação final

Por seu lado, João Paulo Correia socorreu-se do argumento também defendido pela ministra do Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, e considerou que quem vota contra “não está interessado em melhorar o Orçamento na especialidade”.

Cristina Bernardo

O líder da bancada parlamentar do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares, deixou a porta aberta a que o partido mude o sentido de voto na votação final global do Orçamento do Estado para 2021 (OE2021), se o Governo ceder em aspectos considerados fundamentais pelos bloquistas.

“O Bloco de Esquerda nunca fechou nenhuma porta, nem nunca disse que o processo negocial estava concluído”, disse o dirigente bloquista, em declarações transmitidas pela RTP3, numa troca de argumentos com o vice-presidente do grupo parlamentar socialista, João Paulo Correia, a poucas horas do início da discussão na generalidade no Parlamento.

Pedro Filipe Soares garantiu que “se existir alguma mudança da posição do Governo cá estaremos para rever a nossa posição”, afirmando que “não há aqui nenhum dogma, não há nenhuma posição fechada, há uma necessidade de ter um Orçamento do Estado que responda ao país e que não nos coloque perante a circunstância de termos viabilizado um Orçamento que ao longo do próximo ano vai ter que ser constantemente revisto”.

A indicação já tinha sido dada pela coordenadora do partido, Catarina Martins, no domingo à noite, ao não rejeitar a revisão do sentido de voto, caso as negociações na especialidade produzam resultados favoráveis às pretensões do partido. “O Bloco de Esquerda não encerrou nenhum processo negocial, mas, naturalmente, há um momento em que a direção é chamada a fazer um ponto de situação de negociação e decidir o voto no Orçamento de Estado”, disse na altura, sublinhando que a rejeição do documento “tal como ele foi apresentado”.

Por seu lado, João Paulo Correia socorreu-se do argumento também defendido pela ministra do Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, e considerou que quem vota contra “não está interessado em melhorar o Orçamento na especialidade”. “Quem se afastou das negociações foi o Bloco de Esquerda. Se o Bloco de Esquerda estiver interessado em regressar às negociações tem que tomar essa iniciativa e só o Bloco de Esquerda poderá responder a essa pergunta”, disse.

A saúde é o novo cavalo de batalha entre o Governo, o PS e o Bloco de Esquerda e voltou a dominar a troca de argumentos transmitida pela RTP entre os dois parlamentares. Depois da coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, ter justificado como um dos motivos para o voto na generalidade contra o que considera ser a resposta “insuficiente” do Governo no Serviço Nacional de Saúde, o Governo tem desde segunda-feira divulgado, nomeadamente através do Twitter, dados sobre a aposta neste setor, contra-atacada pelos bloquistas através de outros gráficos.

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