Em tempo de pandemia, Europa viveu o ano mais quente

Em 2020, a temperatura subiu 0,4ºC na Europa acima dos anos mais quentes da última década, especialmente no outono e inverno. Cientistas da Copernicus para a situação no Ártico siberiano que “está a aquecer a um ritmo mais rápido do que o resto do planeta”, tendo registado, no mesmo período, temperaturas até 6ºC mais elevadas do que o habitual.

Em 2020, altura em que o mundo entrou em confinamento e as emissões recuaram para um recorde de 7%, foi também o ano mais quente para o continente europeu.

As conclusões surgem no mais recente relatório do Serviço Europeu de Alterações Climáticas Copérnico (C3S), um programa de observação da Terra da União Europeia (UE), coordenado e gerido pela Comissão Europeia em parceria com a Agência Espacial Europeia, divulgado esta quinta-feira, data em que se celebra o Dia da Terra.

No documento, os especialistas informam que mo caso da Europa, em 2020 a temperatura subiu 0,4ºC acima dos anos mais quentes da última década, especialmente no outono e inverno, quando foi alcançado um novo recorde com um aumento de 3,4ºC sobre a média do período de referência, de 1981 a 2010.

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À “Reuters”, Freja Vamborg, uma das responsáveis pela avaliação científica afirma que as “temperaturas estão a aumentar em todas as estações do ano na Europa”, alertando para a situação no nordeste da Europa, que viveu um 2020 “particularmente quente”, com invernos até 9ºC acima da média habitual, um aumento que teve consequências em áreas próximas do Mar Báltico, onde quase não nevou.

O relatório indicou que o noroeste da Europa experimentou no ano passado uma das primaveras “mais secas dos últimos anos”, depois de ter passado por um inverno de fortes chuvas. Esta mudança refletiu-se na descarga fluvial mais baixa do rio na bacia do Reno desde que existem registos.

No entanto, no início de outubro de 2020, a tempestade “Alex” chegou, com chuvas “invulgarmente elevadas” que triplicaram a precipitação média habitual, bateu recordes diários em países como o Reino Unido e França e causou mesmo inundações em algumas regiões da Europa Ocidental.

Por seu lado, o Ártico siberiano “está a aquecer a um ritmo mais rápido do que o resto do planeta”, advertiu Vamborg, sublinhando que 2020 foi “de longe” o ano mais quente até à data, com temperaturas até 6ºC mais elevadas do que o habitual.

Por outro lado, em março houve um “vórtice polar” de grande magnitude nesta região, o que resultou num esgotamento recorde da camada de ozono no hemisfério norte, acrescentou.

O clima anómalo em 2020 no Ártico também fez com que o gelo marinho atingisse “mínimos históricos”, bem como um aumento do número de incêndios florestais e das emissões de dióxido de carbono (CO2).

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