Emissão de coronabonds é “vital” para a Europa, diz presidente do BCP

Miguel Maya, presidente executivo do Millennium bcp, considera que a emissão de ‘coronabonds’ é “vital para o futuro da Europa e para a coesão da Europa”.

João Relvas/Lusa

A emissão de dívida conjunta no âmbito da União Europeia na forma de ‘coronabonds’ é um tema da maior importância para o presidente executivo do Millennium bcp, Miguel Maya, numa altura em que a economia europeia se encontra em suspenso por causa da crise pandémica da Covid-19.

Numa entrevista na SIC Notícias, esta quarta-feira, Miguel Maya salientou a importância de uma ação coordenada e conjunta comunitária para lidar com esta crise através da emissão das chamadas ‘coronabonds’.

“Esta crise tem de ser uma oportunidade para mudar o modelo de funcionamento da Europa e para encontrar formas como os Estados podem suportar a economia sem ficarem, eles próprios, completamente condicionados no seu futuro. Nós temos de tratar de uma forma muito séria as ‘coronabonds’. Para mim é um tema fundamental porque estamos a ver isto agora, o Estado vai meter imenso dinheiro e a seguir, se nos esquecermos todos dos outros, na economia há um novo desaire”, disse o CEO do BCP.

Miguel Maya alertou que a emissão de dívida comunitária unicamente para fazer face aos impactos negativos da Covid-19 na economia europeia (‘coronabonds’) está em risco porque está a ser confundida com outro instrumento de emissão de dívida comunitária que tem um prisma mais alargado, a que normalmente se dá o nome de ‘eurobonds’.

“Está-se a tentar confundir eurobonds com coronabonds e em substância não é a mesma coisa. E o risco de confundir estes dois instrumentos pode matar o aparecimento de um instrumento vital [coronabonds]”, avisou Miguel Maya.

Segundo o CEO do BCP, deveria haver a emissão conjunta de dinheiro mutualizado no risco na forma de ‘coronabonds’ e “não de eurobonds porque não há ainda o enquadramento político para isso” reconhecendo como “vital para o futuro da Europa e para a coesão da Europa”.

O presidente executivo do Novo Banco, António Ramalho, pronunciou-se na mesma linha pronunciou-se . Também entrevistado pela SIC Notícias, António Ramalho apelou a uma iniciativa da chanceler alemã, Angela Merkel, para “salvar uma vez mais a Europa”.

“Eu espero que a chanceler alemã Angela Merkel tenha esse momento de grande lucidez que é com os coronabonds de conseguir assegurar o que ela merece, que é de salvar mais uma vez a Europa”, disse o CEO do Novo Banco.

Emissão de dívida europeia divide Europa

Independentemente do nome, seja ele ‘coronabonds’, seja ele ‘eurobonds’, a emissão de dívida comunitária para fazer face à crise pandémica da Covid-19 já foi apelada por líderes europeus, sem que se tenha chegado, para já, a um acordo.

Segundo a Reuters, o primeiro-ministro, António Costa, em conjunto com os chefes de Estado e de Governo de França, Espanha, Itália, Bélgica, Grécia, Luxemburgo e Eslovénia, escreveram, na quarta-feira, uma carta ao presidente do Conselho Europeu Charles Michel, na qual apelaram à criação de um “instrumento comum de dívida, emitida por uma instituição europeia, para angariar fundos no mercado”

“Este instrumento de dívida comum deveria ter o tamanho suficiente e uma maturidade longa, de modo a ser totalmente eficiente”, lê-se na carta.

O apelo destes líderes europeus esbarrou, para já, na ausência de recetividade alemã. Na terça-feira, citando o jornal alemão Handelsblatt, a Reuters noticiou que o ministro alemão da Economia, Peter Altmaier, considerou o debate em torno da emissão de dívida comunitário como um “debate fantasma”.

A ideia não teve também fumo-branco por parte do Eurogrupo na reunião por teleconferência que ocorreu na terça-feira. A instituição presidida por Mário Centeno e que reúne os ministros das Finanças da zona euro reconheceu que a emissão de ‘eurobonds’ são uma possibilidade que não está excluída, mas deu privilégio às linhas de crédito para estimular a economia durante a crise da Covid-19.

O antigo presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, teve uma abordagem diferente à crise económica. Num artigo de opinião publicado na quarta-feira no Financial Times, o antigo presidente do BCE defendeu que a solução passa pela concessão de crédito às empresas a custo zero, numa medida que permitiria salvar empregos.

Sem mencionar a ideia de emissão de dívida comunitária, Mario Draghi realçou que “os bancos devem rapidamente emprestar dinheiro a custo zero a empresas preparadas para salvar empregos” através de crédito concedido com garantias estatais.

“Como desta forma [os bancos] estão a tornar-se um veículo para políticas públicas, o capital de que precisam para esta tarefa deve ser providenciada pelo Governo na forma de garantias estatais em todos os descobertos bancários ou empréstimos”, explicou o ex-presidente do BCE.

Em Portugal, o primeiro apelo para a emissão de dívida comunitária foi dado pelo governador do Banco de Portugal, Carlos Costa. Num artigo de opinião publicado no Jornal Económico, o governador do supervisor da banca destacou a emissão de eurobonds no plano orçamental para fazer face ao desafio comum europeu.

“Do lado orçamental, tratando-se de um desafio comum, o financiamento do esforço necessário para a resposta sanitária e para as políticas de apoio à economia em cada um dos estados membros deve, por isso, beneficiar de medidas inovadoras e de caráter excecional, como seja a emissão de títulos de dívida comunitários, as denominadas Eurobonds. Trata-se de uma situação claramente talhada para o financiamento no plano comunitário, na medida em que não existe risco moral e o interesse é comum”, disse Carlos Costa.

Respostas Rápidas: O que são as ‘Eurobonds’?

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