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Emprego recupera nos EUA, cíclicas renovam máximos, mas IA recua

A taxa de desemprego nos EUA caiu para 4,3%, menos uma décima face a dezembro, atingindo mínimos desde agosto. Apesar destes números positivos, foram criados menos 862 mil empregos nos 12 meses até março de 2025 do que anteriormente estimado.
Mark Kauzlarich/Bloomberg
13 Fevereiro 2026, 08h22

O crescimento do emprego nos EUA surpreendeu pela positiva em janeiro, com a criação de 130 mil postos de trabalho não agrícolas, acima do esperado, sinalizando alguma resiliência da economia norte-americana, sobretudo num indicador que tem evidenciado fragilidade. A taxa de desemprego caiu para 4,3%, menos uma décima face a dezembro, atingindo mínimos desde agosto. Ainda assim, apesar destes números positivos, foram criados menos 862 mil empregos nos 12 meses até março de 2025 do que anteriormente estimado, reduzindo de forma significativa o ritmo de criação de emprego e evidenciando que o mercado de trabalho continua relativamente frágil numa perspetiva de médio prazo.

A criação de postos de trabalho em janeiro esteve fortemente concentrada nos setores da saúde e dos serviços sociais, responsáveis por quase todo o aumento do emprego. Os restantes setores apresentaram um desempenho fraco e o emprego público continuou a cair. Assim, estes resultados de janeiro podem sobrestimar a solidez do mercado de trabalho, refletindo fatores pontuais e questões metodológicas. Indicadores como as ofertas de emprego, nomeadamente o JOLTS, continuam a apontar para um abrandamento.

Ao nível salarial, o salário médio por hora aumentou 0,4% em janeiro, acima dos 0,3% esperados pelo mercado, e subiu 3,7% em termos homólogos, para 37,17 dólares. Perante este cenário de maior resiliência do mercado de trabalho e de subida dos salários, a Reserva Federal dos EUA tem menor margem para reduzir as taxas de juro, tal como foi evidenciado pela reação dos investidores aos números, com o aumento dos rendimentos das obrigações do Tesouro norte-americanas e a valorização do dólar. Ainda ao nível macroeconómico, as vendas de casas usadas nos EUA caíram 8,4% em janeiro, para 3,91 milhões de unidades anualizadas, o nível mais baixo em mais de dois anos. Apesar de alguma melhoria na acessibilidade, a oferta limitada continua a pressionar o mercado, mantendo os preços em níveis elevados.

Durante a semana, o Nasdaq e o DAX, mais expostos a tecnologia, semicondutores e ações de crescimento (“growth”), evidenciaram fraqueza, enquanto o Dow Jones e o STOXX 600 atingiram novos máximos históricos consecutivos, num sinal claro de rotação setorial de growth para value. As vendas foram mais visíveis nas empresas de software e de inteligência artificial, ao mesmo tempo que o capital migrou para setores mais cíclicos, como retalho, indústria, energia e financeiro.

Todavia, já na parte final da semana, os mercados registaram quedas generalizadas, e a pressão vendedora nos setores tecnológico e financeiro, penalizados pelos receios quanto ao impacto da Inteligência Artificial nos lucros e nos modelos de negócio de empresas de software, corretoras e serviços financeiros, alastrou-se aos restantes setores. Nos EUA, a Charles Schwab, a Raymond James Financial, o Morgan Stanley e a LPL Financial desvalorizaram substancialmente, refletindo receios de que soluções baseadas em inteligência artificial possam pressionar as receitas de corretagem e consultoria financeira.

A fraqueza estendeu-se à Europa, onde gestoras como a Amundi e a Schroders também registaram perdas, num contexto de maior cautela dos investidores e redução da exposição ao setor. Ou seja, perante este contexto de incerteza, os investidores reduziram a exposição ao risco, procurando ativos de refúgio, tendo a yield da obrigação do Tesouro norte-americano a 10 anos recuado, sinalizando maior procura por ativos considerados mais seguros e reforçando o tom cauteloso no final da semana.


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