Active Space Technologies: empresa portuguesa destaca-se na conquista do espaço

A Active Space Tecnologies tem vindo a sobressair no desenvolvimento do programa espacial europeu. Sediada em Coimbra, a empresa liderada por Bruno Ramos de Carvalho já colaborou com a NASA e a ESA e tem vários projetos para missões em carteira.

A indústria aeroespacial é uma das áreas de negócio em que as empresas portuguesas têm vindo a ganhar visibilidade. Exemplo disso é a Active Space Technologies, uma empresa portuguesa, com sede em Coimbra, que se dedica ao fabrico de componentes para satélites para todo o mundo. A empresa já integrou várias missões da NASA e da Agência Espacial Europeia (ESA) e está a participar no desenvolvimento do programa espacial europeu, tendo em mãos vários projetos para missões espaciais.

A empresa foi fundada em 2004, depois de os sócios fundadores da equipa se terem conhecido na ESA, na Holanda, enquanto participavam no lançamento da Mars Express – a primeira sonda da ESA enviada para o planeta vermelho. Bruno Ramos de Carvalho, CEO da Active Space Technologies, conta ao Jornal Económico que “durante os primeiros anos, a empresa passou por um período longo de entrada inicial no mercado, característico de um setor com elevadas barreiras à entrada”. “Um dos fatores determinantes para conseguir abrir caminho foram os contactos que os sócios fundadores estabeleceram na Agência Espacial Europeia durante o arranque da empresa”, explica.

A ESA tem sido, desde o início, um dos principais clientes da empresa, o que contribuiu em larga medida para o alicerçar da Active Space Technologies no setor espacial europeu. Desde a sua fundação, a empresa esteve envolvida no desenvolvimento de vários projetos de exploração do espaço. Entre esses projetos, destaca-se a Missão BepiColombo, fruto de um projeto conjunto entre a ESA e a JAXA (Agência Espacial Japonesa), que lançou a 20 de outubro deste ano duas sondas espaciais para conseguir uma melhor compreensão sobre o planeta que está mais próximo do Sol e sobre a formação do Sistema Solar.

Mais recentemente, a empresa esteve também envolvida na Missão Solar Orbiter da ESA, que visa estudar a heliosfera do sol para responder a questões científicas sobre o desenvolvimento dos planetas e o surgimento da vida.

Na lista de projetos em que participou, encontram-se ainda várias colaborações com a NASA. Dessas, destacam-se a Missão InSight Mars, que lançou a 5 de Maio uma sonda exploradora para estudar em profundidade a crosta, manto e núcleo de Marte, e o projeto ORION MPCV (Multi-Purpose Crew Vehicle), resultante de uma parceria entre a NASA e a ESA, que visou a construção de uma nave interplanetária com o objetivo de transportar tripulações de astronautas, em substituição do programa Space Shuttle.

O CEO da empresa considera que “a definição de uma proposta de valor que agrupa as valências de mecânica e eletrónica” foi uma mais-valia para que a empresa se destacasse, por se tratar de “uma junção de serviços menos comum e diferenciada”. “A empresa tem-se dedicado a alcançar um posicionamento no mercado com uma oferta completa de serviços em toda a cadeia de valor desde o projeto, ao fabrico que inclui mecânica, eletrónica, cablagem, montagem e testes até ao produto ou subsistema final”, diz Bruno Ramos de Carvalho. “A Active Space Technologies procura estar sempre na linha da frente tecnológica, investir em instalações e recursos humanos e aumentar as suas competências para poder prosseguir e crescer neste setor”.

Atualmente, a empresa tem em curso, no setor espacial, seis projetos para missões. Entre elas encontra-se a Missão PLATO, que prevê o lançamento em 2026 de um satélite científico da ESA para encontrar e estudar sistemas planetários extra-solares, com foco em planetas rochosos ao redor da zona habitável de estrelas semelhantes ao Sol. A Active Space Technologies participa também na Missão JUICE da ESA, que vai enviar um satélite para estudar a atmosfera, magnetosfera, anéis e luas geladas do planeta Júpiter, onde se pensa existir água sob a superfície gelada.

De olhos postos no planeta vermelho, a empresa de  Bruno Ramos de Carvalho participa ainda na Missão ExoMars 2020 da ESA para exploração de Marte com satélite e rover. “A Active Space Technologies está envolvida no sistema de locomoção do rover da ExoMars, fabricando o sistema de teste e verificação das seis rodas motorizadas para a Thales Alenia Space. A empresa está também a fabricar alguns componentes estruturais, sistemas eletrónicos e mockups do rover”, explica o líder da Active Space Technologies.

A Active Space Technologies  desenvolve também projectos de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico, tendo recentemente terminado o projeto Solar Power Regulator para a ESA, focado no desenvolvimento de tecnologia para melhorar a eficiência da conversão de energia e reduzir a massa do sistema energético em futuras missões a Marte e assinado um novo contrato com a Agência para desenvolvimento de um mini-processador digital de sinais para apoiar a navegação em torno de asteróides, no âmbito da missão HERA.

Ler mais
Recomendadas

“O melhor candidato é aquele que o nosso cliente contrata”

Nesta entrevista ao JE, João Maciel diz que o advogado é um “problem solver” e aconselha a ter uma visão realista da profissão. Na hora de recrutar, acrescenta, as sociedades privilegiam a Universidade, a média do curso e as línguas estrangeiras.

A modernização “inevitável” de um setor tradicional como o da advocacia

Mesmo antes da aceleração que a pandemia promoveu, as sociedades de advogados de maior renome viviam já um processo de transição digital que facilitou a adaptação à advocacia remota.

Liberty cria ecossistema na ‘cloud’ pública

Construir um seguro à medida de cada um e uma oferta personalizável é o objetivo da Liberty Seguros com um novo ecossistema, afirma Alexandre Ramos, da área tecnológica da companhia.
Comentários