[weglot_switcher]

Empresas de telecomunicações europeias enfrentam maior onda de fusões e aquisições em décadas

Estudo indica que a Europa está em atraso face aos Estados Unidos. A despesa de capital (CAPEX per capita) é de 109 euros na Europa, contra 174 euros nos EUA. Operador de telecomunicações médio da União Europeia atende, em média, cinco milhões de assinantes, contra os 107 milhões do operador norte-americano.
4 Novembro 2025, 09h01

As empresas de telecomunicações europeias têm pela frente a maior onda de fusões e aquisições das últimas décadas. A conclusão é do estudo ‘Capital Currents: Europe’s Telecom Industry Should Prepare for a Big M&A Shake-Up‘, da consultora Oliver Wyman, divulgado esta terça-feira, que aponta para o nível de investimento e rendimento das operadoras europeias, face aos Estados Unidos e China.

A despesa de capital (CAPEX per capita) é de 109 euros na Europa, contra 174 euros nos EUA. Operador de telecomunicações médio da União Europeia atende, em média, cinco milhões de assinantes, contra os 107 milhões do operador norte-americano e os 467 milhões do operador chinês.

Isto faz com que a receita média por utilizador gerada mensalmente pelos serviços de conectividade fixa e móvel na Europa, seja de 23 euros e 15 euros, respetivamente, em comparação com os 59 euros e 43 euros nos Estados Unidos.

“A diferença de investimento e de rendimento per capita revela um setor europeu menos preparado para enfrentar os desafios tecnológicos que permitam uma maior competitividade futura. Através da consolidação, os operadores europeus podem garantir a escala e o capital necessários para manter e potenciar os investimentos em infraestruturas de nova geração e em serviços de alta qualidade, face aos gigantes internacionais”, lê-se no documento.

Deste modo, o estudo aponta cinco fusões e aquisições que vão definir as transações futuras, aumentando desta forma a escala e fortalecendo a competitividade entre os operadores.

Consolidação de players no mercado nacional: Os mercados europeus, que historicamente contavam com cinco ou seis players, estão a evoluir para uma maior concentração, com três ou quatro players Esta tendência favorece a escala e a eficiência, procurando reforçar a capacidade de investimento e a rentabilidade, embora enfrente processos regulatórios complexos e prolongados, que geralmente implicam a venda de ativos e compromissos de partilha de infraestruturas.

Reequilíbrio do portfólio: As grandes empresas de telecomunicações estão cada vez mais focadas na otimização dos seus portfólios, desinvestindo em ativos não estratégicos para se concentrarem em áreas mais alinhadas com as suas principais competências e com maior potencial de crescimento.

Consolidação transfronteiriça: As empresas exportam os seus modelos de negócio e a sua experiência operacional para novos mercados. Embora as sinergias imediatas destas fusões sejam geralmente limitadas, o verdadeiro valor reside na transformação e otimização das empresas adquiridas, bem como no potencial de construção de uma plataforma regional europeia sólida.

Motores de crescimento próximos do núcleo: Aproveitando a sua força na área da conectividade, as grandes operadoras estão a reforçar a sua proposta de valor através da aquisição de serviços digitais complementares, concentrando-se sobretudo na expansão do segmento B2B por meio de soluções em nuvem, IoT, cibersegurança e outras ofertas digitais.

Carve-out e consolidação de infraestruturas: As infraestruturas de telecomunicações têm testemunhado uma atividade significativa de carve-out (segregação e desinvestimento de uma parte do negócio), particularmente em ativos de torres e fibra, entrando agora numa nova fase marcada pela consolidação entre empresas do setor. Espera-se uma crescente agregação de empresas nacionais de fibra e de fornecedores alternativos de rede, bem como fusões transfronteiriças de empresas de torres, com vista à formação de conglomerados regionais ou pan-europeus.

Segundo este estudo, as operações de consolidação nacional registam o valor médio de transação mais elevado do setor, atingindo os 2,1 mil milhões de euros, enquanto as operações de carve-out e de consolidação de infraestruturas apresentam um valor médio de 600 milhões de euros.

Augusto Baena, Sócio de Telecomunicações, Media e Tecnologia da Oliver Wyman Iberia, afirma que “reduzir a fragmentação do mercado europeu das telecomunicações é determinante para acelerar o investimento em infraestruturas digitais e reforçar a nossa soberania estratégica num momento histórico crucial”.


Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.