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Endesa pisca o olho a centros de dados com energia do Pego

Construção do projeto com energias renováveis arranca em 2027.
Paulo Cunha/Lusa
24 Fevereiro 2026, 11h48

A Endesa prevê arrancar com a construção do projeto no Pego, distrito de Santarém, em 2027, anunciou a companhia espanhola esta terça-feira.

O projeto vai contar com 600 megawatts de capacidade com energia eólica, solar e baterias, num investimento total de 600 milhões de euros.

“A sua configuração híbrida permite um perfil energético próximo à carga base, o que o torna muito adequado a clientes de grande escala, como centros de dados”, segundo o comunicado hoje divulgado pela empresa.

A Endesa anunciou hoje uma subida de 16% nos lucros para 2,2 mil milhões de euros em 2025.

Adeus, gigacentrais: Projeto do Pego vai ter duas centrais eólicas e cinco solares

O projeto do Pego vai contar com duas centrais eólicas e cinco centrais solares. É esta a configuração encontrada pela Endesa para acomodar os 630 megawatts (MW) previstos para o projeto que venceu o leilão para o ponto de ligação da antiga central a carvão do Pego, distrito de Santarém. O objetivo da empresa é ter o projeto em operação em 2027.

A empreitada vai contar com as centrais eólicas de Aranhas (mais de 20 aerogeradores) e do Cruzeiro (mais de 20 aerogeradores); com as centrais solares de Concavada (menos de 50 MWp), Torre das Virgens (mais de 100 MVA), Atalaia (mais de 50 MVA), Comenda (menos de 50 MVA) e Helíade (mais de 50 MVA), segundo o processo de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA) do primeiro bloco do projeto, que corresponde ao Parque Eólico de Aranhas.

Em termos globais, o projeto conta com 365 MWp de energia solar, 264 MW de energia eólica, com 169 MW de armazenamento integrado e um eletrolisador de 500 kW para produzir hidrogénio verde.

Este projeto vai ligar-se a parte do antigo ponto de ligação à rede da central a carvão do Pego, que conta com 224 MVA.

A hibridização do projeto permite rentabilizar ao máximo o ponto de ligação: durante o dia injeta energia solar na rede; à noite aproveita a eólica e baterias.

As centrais vão ficar dispersas geograficamente, não centralizando no mesmo local toda a potência eólica e solar, evitando um cenário de tapete gigantesco com os painéis solares ou com os aerogeradores, segundo os mapas disponibilizados no estudo.

A central eólica de Aranhas terá uma capacidade de até “244 MW e uma produção anual de mais de 500 GWh, equivalente al consumo doméstico de 350 mil pessoas. O Projeto do Parque Eólico de Aranhas, e a respetiva ligação ao Posto de Corte do Pego, situa-se predominantemente nos concelhos de Chamusca e de Abrantes”, disse fonte oficial da Endesa ao Jornal Económico (JE) em julho de 2024 quando questionada sobre o projeto.

“Devido à sua natureza híbrida, incluindo tecnologias eólica, solar e de armazenamento com baterias, e à sua dimensão, com mais de 600MW de capacidade a instalar, a Avaliação Ambiental do projeto do Pego foi fracionada em quatro blocos. Os restantes três blocos de projetos incluídos no Projeto de Transição Justa da Endesa no Pego serão submetidos a Consulta Pública ao longo dos próximos meses”, explicou a fonte oficial da empresa.

Endesa tem em curso investimentos de mil milhões de euros em Portugal

A Endesa tem em curso investimentos de mil milhões de euros em Portugal, com o objetivo de construir um gigawatt (GW) de energias renováveis, escreveu o JE em julho de 2024.

A companhia espanhola tem em mãos três grandes projetos: as centrais solares que saíram do leilão de 2020, o projeto para o ponto de ligação do Pego, e um projeto para construir uma central solar flutuante.

Na energia solar fotovoltaica, a companhia está a construir uma central solar de 100 MVA no Algarve; já na albufeira do Alto Rabagão, distrito de Vila Real, a companhia está a desenvolver um projeto de solar flutuante com 42 MVA.

Já no Pego, distrito de Santarém, a companhia está a instalar um projeto com 365 MWp de energia solar, 264 MW de energia eólica, com 169 de armazenamento integrado e um eletrolisador de 500 kW para produzir hidrogénio verde. Este projeto vai ligar-se a parte do antigo ponto de ligação à rede da central a carvão do Pego, que conta com 224 MVA.

Em março de 2022, a Endesa Portugal venceu o concurso do Pego, deixando pelo caminho a Tejo Energia Greenvolt, Brookfield & Bondalti, Voltalia e EDP Renováveis.

Após o encerramento da central a carvão do Pego, no final de 2021, os dois sócios da central, a Endesa e a TrustEnergy, entraram em ruptura por desacordo quanto ao rumo a tomar para o ponto de ligação.

A proposta de 900 milhões da TrustEnergy (na altura um consórcio franco-nipónico da Engie e Marubeni, que entretanto divorciaram-se) dava primazia às energias renováveis, hidrogénio verde, mas também à queima de biomassa. Já a proposta da Endesa está mais focada nas energias renováveis e hidrogénio verde.

Conforme noticiou o JE em junho de 2023, a TrustEnergy avançou com um processo em tribunal para cancelar o leilão do Pego, que atribuiu parte do ponto de ligação da antiga central a carvão à Endesa, tendo levado o ministério do Ambiente a tribunal.

Estas duas empresas foram sócias durante anos na sociedade Tejo Energia, que geria a central a carvão, tendo deixado de produzir a 30 de novembro de 2021. Um mês antes, a Endesa (acionista minoritária) anunciou que tinha saído da gestão operacional da empresa, com a Tejo Energia a ficar entregue ao sócio maioritário.

Foi nesse ano que as duas sócias entraram em desacordo sobre o futuro a dar ao ponto de ligação. Um mal-estar que chegou a público a 28 de maio de 2021, conforme revelou então o JE.

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