Escassez de profissionais qualificados levou 64% das empresas a recrutar “pessoas pouco adequadas”

A escassez é de tal ordem que 64% dos inquiridos pela Hays no âmbito do Guia do Mercado Laboral 2020 diz ter recrutado “pessoas pouco adequadas às oportunidades de emprego”.

Falta de profissionais qualificados é a principal dificuldade sentida pelas empresas portuguesas que participam no Guia do Mercado Laboral 2020 da empresa de recrutamento especializado Hays, divulgado esta segunda-feira, 2 de dezembro. Na lista surge em segundo lugar a desadequação entre a oferta de profissionais e vagas disponíveis e, em terceiro, a legislação laboral rígida.

Se 63% dos inquiridos se queixam da escassez de gente qualificada, 64% dizem mesmo que tiveram que recrutar pessoas pouco adequadas às oportunidades de emprego que tinham em aberto. E 38% desistiram de concluir processos de recrutamento para optar por recursos internos.

O Guia de tendências de emprego e salários, considerado um barómetro do mercado de trabalho em Portugal, caracteriza  2019 como um ano em que foi tão difícil atrair como reter talento, visto que os colaboradores das empresas são cada vez mais requisitados pela concorrência. Isso mesmo respondem 51% das inquiridas.

As principais dificuldades da gestão de recursos humanos incluem a comunicação interna (31%), a preparação de equipas de management (23%), a formação (18%), a adaptação a uma nova realidade laboral (17%) e as diferenças geracionais (13%). Apesar disso, apenas 36% das empresas diz ter adotado políticas internas para ir ao encontro das necessidades das diferentes gerações que nelas coexistem.

No geral, os empregadores que participaram no inquérito consideram que 2019 foi “um ano globalmente positivo”. Quando questionados pelos resultados da sua empresa, 65% respondeu que estava de acordo com as expectativas, 20% acima das expectativas e 15% abaixo das expectativas. Outros indicadores vêm confirmar esta tendência positiva, tal como 91% dos empregadores efetuaram contratações, 74% aumentos salariais, 29% aumentos de benefícios e 52% de promoções, conclui a Hays.

Num mercado onde se aborda cada vez mais estratégias de retenção e criação de políticas internas é essencial que os empregadores estejam cada vez mais focados na produtividade associado aos prémios de desempenho. Assim, não só os profissionais ficaram mais satisfeitos, como a empresa estará mais predisposta para aumentar salários e permitir a progressão de carreira dos profissionais, destaca Paula Baptista, managing director da Hays Portugal.

O Guia Laboral do Mercado Laboral 2020 conta com uma análise das motivações preferenciais de profissionais e empresas através de um inquérito anónimo respondido por 3.259 profissionais qualificados e 793 empregadores. A análise regional incidiu sobre as regiões do Norte, Centro e Sul de Portugal.

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