“Há um sentimento de comemoração”. 700 mil alunos escoceses voltaram às aulas num ambiente pouco comum

Mais de 2.500 escolas frequentadas por cerca de 700 mil crianças abriram a partir desta terça-feira e de gradual até 18 de agosto. Dificilmente podia ser de outra forma: o sentimento mais presente parece ser o de estranhar os passos que já foram dados tantas vezes antes.

Bem a norte da Europa, a Escócia abriu esta terça-feira a maioria das suas escolas e cerca de 700 mil crianças escocesas voltaram a um espaço onde já não iam há melo menos meio ano. Ministros e líderes de conselho escoceses decidiram reabrir as 2.500 escolas do país por fases. Em algumas áreas, os mais novos voltarão primeiro. Em outras, as escolas usarão o alfabeto para separar as crianças pelo sobrenome, com metade dos alunos a irem à escola num dia e a outra metade no outro, alternadamente. Algumas escolas alteraram o início das aulas, mas a 18 de agosto todas as escolas da Escócia estarão de volta em tempo integral.

Os sindicatos dos professores e grupos de pais são unânimes em considerar que o retorno à escola em tempo integral após cinco meses de isolamento é essencial para a educação, o bem-estar e a saúde mental das crianças.

Há temores de que o vírus se possa espalhar se as regras de distanciamento físico não forem seguidas e se os planos para testes de vigilância não forem suficientes. Principalmente, o que está em causa é perceber-se se a decisão do governo escocês de abandonar os seus planos iniciais de usar aprendizagem combinada (uma mistura de ensino presencial e ensino online) a favor de um regresso completo à escola foi ou não correta. A reportagem que se segue é da responsabilidade do jornal ‘The Guardian’.

John Swinney, secretário da Educação da Escócia e vice-primeiro-ministro, recrutou mais 1.400 professores financiou mais transporte escolar e limpeza apropriada. As contratações permitirão em princípio reduzir o número médio de alunos por turma de 30 para 20, mas os sindicatos dos professores não estão seguros de que isso vá suceder.

Seja como for, as aulas começaram mesmo esta terça-feira e a reportagem do ‘The Guardian’ foi descobrir como foi esse regresso.

Pais e filhos em toda a Escócia descreveram uma mistura de alívio, ansiedade, perda e comemoração no regresso gradual às escolas em todo o país ao longo desta semana. “Posso ser irreverente, mas é ótimo livrar-me deles”, diz Vonnie Sandlan, mãe de quatro filhos que vive no lado sul de Glasgow. “Mas havia algo de especial em estarmos todos juntos durante esse período terrível. Agora é como mandá-los para o berçário no primeiro dia.”

Johannah Bisset, coordenadora em Edimburgo do Us for Them, um grupo de pais com cerca de nove mil membros em toda a Escócia, tem feito campanha para um regresso em tempo integral, está chocada com a possibilidade de que alguns novos confinamentos direcionados poderiam incluir escolas. “Há um sentimento de comemoração esta semana”, diz Bissett, “pelos esforços dos pais que pressionaram a favor do regresso em tempo integral e pelas crianças que realmente lutaram contra o bloqueio. É ultrajante que estejamos a discutir o encerramento novamente quando vimos o mal que isso causa às crianças.”

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