O primeiro-ministro da Eslovénia, Robert Golob, quer manter no poder, depois das eleições parlamentares do próximo dia 22 de março, a coligação de centro-esquerda que venceu as eleições de 2022 e conseguiu 41 lugares parlamentares (em 90), derrotando a direita do Partido Democrático Esloveno (SDS), que não foi além dos 27 lugares e que até aí estava no poder. Mas as sondagens são-lhe consistentemente desfavoráveis: os centristas não vão além dos 22% em termos de intenções de voto – segundo a média de sondagens do site Politico – bem atrás do partido de Janez Jansa, o primeiro-ministro derrotado em 2022 e que agora ‘arrisca’ voltar a formar governo.
Para além de ter fortes esperanças de regressar ao controlo do parlamento e assim voltar a formar governo – as sondagens dão-lhe 28% das intenções de voto – a direita eslovena olha com atenção para as eleições na vizinha Hungria (a 12 de abril), onde qualquer dos dois candidatos à vitória – o atual primeiro-ministro Viktor Orbán e o ‘insurgente’ Péter Magyar – permitirá a criação de um eixo eurocético Lubliana-Budapeste.
“Não se trata apenas da Eslovénia. Trata-se de ambos os países”. Se as forças pró-europeias “conseguissem vencer nas duas eleições, acho que seria um sinal positivo para a União Europeia”, disse Golob em declarações ao Politico – que assim faz uma ligação entre os dois países face àquilo que considera ser “uma ameaça à própria União Europeia”. “É preciso entender que, no Conselho Europeu, durante anos, Orbán esteve sozinho. Se Jansa vencer, o Conselho fragmentar-se-á ainda mais”, disse Golob. O líder do SDS seria um aliado extremamente eficaz para o antieuropeísmo húngaro, impedindo que os outros países membros da União se unissem para retirar a Budapeste os seus direitos de voto por via Artigo 7º. “Outros dois primeiros-ministros Andrej Babis, da República Checa, e Robert Fico, da Eslováquia, são de certa forma soberanistas na maneira como se comportam, mas não são aliados da Hungria”.
Golob acusou os governos anteriores de Jansa de instrumentalizar a polícia, de atropelar o Estado de Direito, de restringir os direitos civis e de estarem alinhados com as políticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Estas matérias estiveram no centro da sua vitória de 2022, mas, contra todas as expectativas da União, quatro anos volvidos, os eslovenos voltam a estar sensíveis aos argumentos antieuropeus. A única escapatória dos pró-europeus do Movimento pela Liberdade de Golob é a possibilidade de fecharem uma coligação com as forças liberais-esquerdistas.
Uma União aprofundada
Golob, cujo movimento pertence ao grupo europarlamentar Renovar a Europa, assume uma mensagem próxima das opções de França sobre o fortalecimento da indústria europeia – mesmo que para isso o bloco tenha de recorrer à opção de estabelecer várias velocidades de desenvolvimento. Para Golob, a Europa deve apostar em cinco pilares distintos: uma união mais profunda dos mercados de capitais; uma união energética; soberania tecnológica, com foco em IA; defesa comum europeia; e capacidade e comunicações independentes no espaço.
Por outro lado, Golob apoia os (poucos) que consideram essencial que a União se esforce mais por levar a Rússia à mesa de negociações sobre a Ucrânia – endurecendo a sua posição comum: “acredito que os ativos congelados são a nossa melhor moeda de troca enquanto Europa. Podemos usá-los para negociar a paz. Se os utilizássemos, perderíamos essa moeda de troca. Aí não teríamos nada para apresentar na mesa de negociações com Putin”, disse.
O ainda primeiro-ministro, ex-empresário da área da energia, tem-se mostrado, por outro lado, muito crítico das opções de aumento da independência europeia em termos de defesa e segurança. Apoia essa independência, mas critica a visão maioritária e conservadora da opção pelos gastos em material ‘tradicional’: aviões, tanques, mísseis, etc.. Para Golob, a opção – sustentada pelas lições que se podem retirar da linha da frente da Ucrânia – deve seguir a via do armamento leve, como os drones, muito baratos e extremamente eficazes, tanto na defesa como no ataque.
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