Espaço. 50 anos depois da Lua, Marte é o planeta que se segue

Cinquenta anos depois da alunagem da Apollo 11, o que se prepara agora é a primeira missão com astronautas a Marte, que deverá acontecer em 2024.

Aproximavam-se as quatro da manhã do dia 21 de Julho de 1969 (era ainda a noite de 20 de Julho nos Estados Unidos) quando os portugueses ouviram o astronauta da agência espacial norte-americana NASA a proferir a frase que o tornou célebre: “É um pequeno passo para o Homem, um salto gigantesco para a humanidade”.

Cinquenta anos depois da alunagem da Apollo 11, o que se prepara agora é a primeira missão com astronautas a Marte, que deverá acontecer em 2024. Em maio, a agência espacial norte-americana NASA anunciou que a nova missão lunar humana, ainda sem custos contabilizados, se chamará Ártemis, que, na mitologia greco-romana, era irmã gémea de Apolo e deusa da caça e da Lua.

Dois meses antes, a administração do Presidente Donald Trump já tinha antecipado em quatros anos, para 2024, o regresso de astronautas norte-americanos à Lua, incluindo a primeira mulher. A futura tripulação alunará no polo sul, onde há gelo nas suas crateras e, portanto, condições para ter potencialmente água líquida.

A porta de entrada será uma estação orbital na Lua, a Gateway, que servirá de plataforma também para Marte, a ser construída numa parceria entre a NASA e as congéneres europeia, russa, canadiana e japonesa e empresas privadas, algumas a apontarem baterias para o turismo espacial e a colonização de Marte.

A nave “Columbia” da Apollo 11 reentrou, em 24 de julho de 1969, na atmosfera terrestre a uma velocidade de 12 quilómetros por segundo. Uma nave entra na atmosfera de Marte entre cinco a seis quilómetros por segundo, enquanto na de Saturno, Neptuno e Urano, que são gigantes gasosos, a 20 quilómetros por segundo, precisou o investigador Mário Lino da Silva à agência Lusa, acrescentando que todas estas velocidades podem ser reproduzidas no tubo de choque.

O que procura a China no lado oculto da Lua
Em maio deste ano, a China lançou um satélite de retransmissão com o mesmo objetivo – estudar o lado oculto da Lua. O satélite Queqiao foi transportado por um foguetão Longa Marcha-4C, a partir do centro de lançamento de satélites Xichang, no sudoeste da China.

Em 2020, a China planeia ainda enviar a sonda Chang’e 5, com o objetivo final de regressar à Terra com amostras de matéria recolhida na Lua. A verificar-se será a primeira missão deste género desde 1976.

Até agora, o país realizou também cinco missões tripuladas, a primeira em 2003 e a mais recente em 2013, enviando para o espaço dez astronautas (oito homens e duas mulheres). A primeira tentativa da China de entrar na corrida espacial foi no final dos anos 1950, como resposta ao lançamento do Sputnik 1 – o primeiro satélite em órbita – pela União Soviética.

Mao Zedong ordenou então a construção e envio do primeiro satélite chinês, antes de 1 de outubro de 1959, por altura do 10.º aniversário da fundação da República Popular. A iniciativa acabou por falhar devido à inexperiência do país em tecnologia aeroespacial.

No entanto, em abril de 1970, em plena Revolução Cultural, uma radical campanha política de massas lançada por Mao, a China concluiu com êxito o lançamento do seu primeiro satélite para o espaço, o Dong Fang Hong (“O Leste é Vermelho”).

Tecnologia portuguesa à conquista de Marte
O projeto coordenado pela Amorim Cork Solutions, com a participação do ISQ – Instituto de Soldadura e Qualidade, do PIEP – Pólo de Inovação em Engenharia de Polímeros, e da Critical Materials estão a abrir portas a novas aventuras portuguesas no espaço. Desta vez com o objetivo de realizar duas missões: a primeira chama-se Mars Sample Return e está a ser realizada para a NASA e a Agência Espacial Europeia (ESA); e a segunda, Phootprint – Phobos Sample Return, tem o apoio da ESA. O objetivo é idêntico em ambas: o envio de sondas de cortiça para Marte, a recolha de rególito (poeiras, fragmentos de rocha e materiais do solo) do planeta, e o seu transporte em segurança no regresso à Terra. O demonstrador do projeto foi construído pela Amorim, ficando a Critical Materials encarregada do desenvolvimento da engenharia. Os testes do projeto ficaram a cargo da PIEP e do ISQ.

“O ISQ há vários anos que vem desenvolvendo projetos de referencia na área da Aeronáutica e do Aeroespacial. Testámos recentemente a nova asa do avião da Embraer, prestámos serviços de Engenharia da Qualidade, Segurança e Ambiente às operações de montagem e preparação de Foguetões no Centro da Agência Espacial Europeia, na Guiana Francesa, participámos nos ensaios de qualificação do escudo térmico da Nave “Intermediate eXperimental Vehicle” – um veículo experimental não tripulado da Agência Espacial Europeia, e, neste momento, estamos a participar num consórcio português para o desenvolvimento da primeira constelação de micro-satélites. Neste âmbito, a participação do ISQ neste projeto, dinamizado pela Amorim Cork Solutions, foi um passo natural, tendo em conta as competências e experiência que temos nesta área”, explica Pedro Matias, presidente do Instituto de Soldadura e Qualidade, ao Jornal Económico.

As próximas missões para Marte estão previstas para 2020, por isso as equipas estão a desenvolver um esforço para poder ter o novo produto pronto caso a NASA o queira incluir já nas próximas missões, sendo que a cortiça vai ser determinante neste projeto português, desenvolvido para a ESA, e que pretende recolher amostras de Marte e trazê-las intactas para a Terra.

Ler mais
Relacionadas

Sonda que vai estudar o interior de Marte aterrou no planeta

Aterragem, pouco antes das 20:00 de Lisboa, foi aplaudida no centro de controlo da missão InSight.

China torna-se primeiro país a aterrar no lado ‘oculto’ da Lua

A China tornou-se esta quinta-feira o primeiro país a aterrar uma sonda no lado mais afastado da Lua, a Chang’e-4, informou a televisão estatal, ilustrando os ambiciosos planos espaciais do país.

Active Space Technologies: empresa portuguesa destaca-se na conquista do espaço

A Active Space Tecnologies tem vindo a sobressair no desenvolvimento do programa espacial europeu. Sediada em Coimbra, a empresa liderada por Bruno Ramos de Carvalho já colaborou com a NASA e a ESA e tem vários projetos para missões em carteira.
Recomendadas

Novo Presidente argentino quer agenda ambiciosa com o Brasil, para além da tensão com Jair Bolsonaro

O Presidente da Argentina, Alberto Fernández, destacou esta terça-feira no Brasil no seu discurso de posse no parlamento e pediu uma “agenda ambiciosa” apoiada pela história dos dois povos e não pela “diferença pessoal” com o seu homólogo brasileiro, Jair Bolsonaro.

Boris Johnson admite risco de falhar maioria absoluta nas eleições legislativas

Johnson aludiu às eleições de 2017, quando a antecessora Theresa May tinha uma vantagem nas sondagens mas acabou por não conseguir uma maioria de deputados na Câmara dos Comuns, precisando do apoio do Partido Democrata Unionista (DUP) da Irlanda do Norte para formar governo.

Boris Johnson recria cena da porta do filme “O amor acontece”. Hugh Grant já criticou vídeo

Na nova versão, o primeiro-ministro britânico pede o voto ao seu eleitorado para que o Reino Unido consiga avançar no processo do Brexit. Hugh Grant, que entrou no filme, já criticou o filme.
Comentários