Espanha: Pedro Sánchez enfrenta moção de censura do Vox, mas é o PP que está num dilema

É votada esta quinta-feira uma moção de censura do Vox ao governo espanhol de coligação entre o PSOE e o Podemos, mas é o PP que ali joga o seu futuro na legislatura.

Pedro Sanchéz, líder do PSOE e primeiro-ministro de Espanha

O partido espanhol de extrema-direita, o Vox, avançou com uma moção de censura ao governo de coligação do PSOE e do Podemos liderado por Pedro Sánchez – o que não parece estar a tirar-lhe o sono, uma vez que não tem como ser maioritária – mas e o Partido Popular que está perante um dilema: apoiar a moção (mesmo que por via da abstenção) e perder relevância política, ou votar contra e afastar-se em definitivo dos extremistas.

Segundo afirmam os jornais espanhóis, o Vox tem feito uma autêntica razia na base de apoio do PP, liderado por Pablo Casado – num quadro em que o partido Cidadãos perdeu uma parte substancial da sua relevância, como ficou claro nas eleições anteriores – o que torna a decisão extremamente delicada em termos políticos.

Casado tem vindo a pedir opinião a novos e antigos dirigentes do partido e mantém o tabu face ao sentido de voto que adotará na próxima quinta-feira. Aparentemente, e perante respostas díspares, ainda não tem um sentido definido.

Os analistas especulam sobre o que poderá suceder. Votar a favor da moção seria entregar ao Vox a liderança da oposição ao governo de esquerda. A abstenção teria pouco mais ou menos a mesma leitura possível e só o ‘não’ à moção permitiria evidenciar que, de facto, o PP não quer ter nada a ver com os extremistas. O problema é que a separação entre os dois partidos pode promover mais uma razia da base de apoio dos populares em direção ao Vox.

O dilema sobre o que votar resume os 27 meses de Casado no comando do PP: recuperar os eleitores que perderam à direita ou proteger o centro. O partido descartou o voto a favor, mas está dividida entre as outras duas opções. Todos concordam, porém, que o resto da legislatura dependerá dessa escolha.

A decisão final depende do líder popular e o debate interno é tão intenso que fontes partidárias não descartam que algum deputado rompa a disciplina de votação. Cayetana Álvarez de Toledo, porta-voz no Congresso que foi demitida em agosto passado por ser “porta-voz de si mesma”, nas palavras da direção, já afirmou que “apenas” vê a abstenção como “razoável”. José María Aznar acredita “sem dúvida”, que “devemos votar não”.

Desde que se tornou presidente do PP, Casado manteve uma relação de altos e baixos com Vox, com mais episódios de cumplicidade que de desentendimento. E Pedro Sánchez tem esgrimido com esse facto político de forma eficaz e até por vezes ‘maldosa’ para com Casado.

De qualquer modo, e segundo a imprensa espanhola, há unanimidade no PP de que Casado reagiu muito bem quando Abascal, líder do Vox, anunciou a moção em julho passado. O assunto foi resolvido com um tweet do secretário-geral do partido, Teodoro García Egea: “Não conte connosco para manobras de diversão que reforcem o PSOE”. Mas, com o aproximar da data da votação, tudo parece estar a ficar mais difícil para o PP.

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