Esquerda Republicana deverá governar a Catalunha sem coligação

Junts per Catalunya diz que vai continuar a negociar, mas abre a porta a um possível apoio meramente parlamentar. Se não houver um novo governo de pleno direito até 26 de maio, novas eleições ficam automaticamente marcadas.

A Esquerda Republicana de Catalunha (ERC) quer governar sozinha a autonomia: depois de mais de 80 dias de negociações infrutíferas com o Junts per Catalunya de Carles Puigdemont para reeditar a aliança de poder, o candidato da ERC à presidência da Generalitat, Pere Aragonès , anunciou este sábado que vai pedir para ser investido com o apoio da formação liderada por Carles Puigdemont mas sem a integrar no executivo.

Jordi Sànchez, líder do Junts, afirmou que o seu partido apoiaria um governo apenas formado pelos republicanos no caso de não chegar a um acordo de coligação mas avançou que só o fará se Aragonès conseguir o apoio dos radicais da CUP (Candidatura de Unidade Popular) e da esquerda alternativa do En Comú Podem (o Podemos da Catalunha).

As negociações entre ERC e Junts foram interrompidas e a reedição da coligação parece impossível – mas, se até 26 de maio não houver um governo em funções, haverá automaticamente uma repetição eleitoral que ninguém quer. Aragonès lamentou que as negociações para relançar a coligação independentista não tenham avançado.

Sànchez, que realizou um congresso extraordinário do Junts este sábado, nega que a culpa da impossibilidade de nova coligação lhe possa ser imputada. Por seu turno, Aragonès admitiu que “faltam apenas 18 dias para a repetição automática das eleições e a distância entre os dois partidos ainda é muito grande”. “Vamos continuar a conversar, mas o governo tem que entrar em pleno funcionamento porque o país precisa urgentemente disso”, disse o presidente em exercício.

Entretanto, e até ao momento, a CUP não manifestou intenção de participar no executivo. ERC e CUP assinaram em março um acordo programático no qual os anticapitalistas se comprometiam a apoiar a investidura de Aragonès. O En Comú Podem, por sua vez, não rejeitam o conteúdo do pré-acordo entre ambos.

Quem está fora das negociações é o Partido Socialista da Catalunha, o mais votado das eleições de fevereiro, com quem a ERC se recusa a assinar qualquer pacto. O presidente do grupo parlamentar do PSC, Salvador Illa, afirmou que a maioria pró-independência falhou e pediu a Aragonès que renuncie a concorrer à presidência da Generalitat.

As negociações entre os antigos parceiros, agora paradas, já estão muito desenvolvidas e assentam em cinco temas, dos quais dois estão negociados: os mecanismos de coordenação da coligação e a soberania parlamentar. Os outros três, segundo Sànchez, estão no bom caminho: o acordo programático, a estrutura do governo e o plano estratégico de independência. É por isso que os analistas consideram que, mesmo que o próximo governo venha a ser formado apenas pela ERC, será sempre possível que o Junts ‘apanhe o comboio já em andamento’.

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