Estado para resolver tudo?

Portugal é um país com uma fila enorme de reformas que precisam ser feitas, mas que ninguém faz. É um país com falta de capital, em que os problemas que provocaram a crise financeira persistem.

Portugal é um país onde uma maioria prefere que seja o Estado a resolver os seus problemas e os problemas dos seus amigos e familiares. O Estado, por sua vez, por regra incompetente dada a natureza da maioria das promoções internas para se chegar a um cargo de competência elevada, não só não consegue resolver os problemas, como acrescenta problemas e remendos.

O cidadão comum ilude-se com IVAuchers, rendimentos sociais, subsídios específicos para a sua classe profissional, e todo um conjunto de outros remendos que não passam de quimeras. O que precisamos? De cidades com redes de transportes públicos eficientes, ligações ferroviárias e marítimas eficazes, impostos baixos, ou de IVAuchers que apoiam menos de 10% da população até um máximo de cinco euros por mês? De equipas interdisciplinares para reintegrarem os mendigos, ou de concelhos com mais de 10% da população que recebem o Rendimento Social de Inserção (que, de inserção, só tem o nome)? De uma cultura pujante que vive das receitas cobradas aos clientes e uma imprensa independente, ou de subsídios específicos para a cultura e para a imprensa?

Saberemos viver doutra forma que não seja com endividamentos que se tornam insustentáveis a intervalos médios de 16 anos? Temos um país que tem tudo para ser um paraíso para os seus habitantes, mas que teima em acumular mendicidade, queixumes, subsidiodependências, vítimas de toda a espécie, e que nunca vê em si o que tem de mudar para ter a qualidade de vida dos seus companheiros europeus. Haverá algum governante que explique que não é com decretos de salários mínimos que se aumentam os salários, mas com aumento da produtividade, ou seja, com competências, escolaridade, formação de qualidade, habilitações, universidades de excelência?

Porque será uma carga fiscal de 35% do PIB incapaz de evitar que chova em urgências de hospitais, ou que um em cada cinco alunos com 15 anos de idade revele competências rudimentares de leitura? Mais de 1/3 do PIB não chega para cidades com mais de 100 mil habitantes, como Braga, Coimbra ou Funchal, terem metropolitano? Não é suficiente para termos uma justiça célere nem para desburocratizar a vida das empresas?

Portugal é um país com uma fila enorme de reformas que precisam ser feitas, mas que ninguém faz. É um país com falta de capital, em que os problemas que provocaram a crise financeira persistem. Desde 2008 que não há um ano com o PIB ao nível desse ano! O endividamento público é proporcionalmente superior ao de Espanha há 20 anos! A taxa de poupança média desde o início do século é inferior a 10%! O investimento líquido tem sido negativo na maior
parte da última década! O que está a ser feito para colmatar os problemas estruturais de baixa escolaridade e inversão da pirâmide demográfica? Serão as orientações culturais e políticas capazes de, ao menos, reconhecer estes problemas? Ou só são capazes de ter novas ideias para aumento da carga fiscal e mais subsídios?

Um supermercado deu duas opções aos seus clientes, podendo votar gratuitamente em distribuição de comida ou em apoio formativo para tentar tirar toxicodependentes da vida de dependência. A maioria escolhe distribuição de comida. Quando nos vamos tornar num país em que preferimos ensinar a pescar, do que dar peixe? Dar peixe em situações de emergência sim, mas as situações de emergência devem ser trabalhadas para que as pessoas e as famílias se tornem autossuficientes, esta é a parte que nos falta. Temos uma boa tradição de boa hospitalidade e solidariedade, mas uma grande lacuna em responsabilizar as pessoas pelos seus atos. Às vezes parece que no nosso país devemos ter orgulho de ser pobre e vergonha de ser rico…

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