Estudo: Indústria dos combustíveis fósseis caminha para um processo de “declínio terminal”

O estudo da Carbon Tracker aponta que a procura por combustíveis fósseis poderá nunca recuperar totalmente depois do colapso causado pela pandemia de Covid-19.

Zbynek Burival on Unsplash

Energia renovável barata, políticas climáticas e o coronavírus estão a arrastar as empresas de combustíveis fósseis para um processo de “declínio terminal” que pode desencadear uma nova crise financeira, a menos que os reguladores atuem, de acordo com o estudo Carbon Tracker publicado esta quinta-feira, dia 4 de junho, segundo a “Reuters”.

O Carbon Tracker, que se  intitula como um “grupo de reflexão financeira sem fins lucrativo” avalia os riscos para a indústria de petróleo, gás natural e carvão devido ao crescimento da indústria . De acordo com este relatório, a procura por matérias fósseis poderá nunca recuperar totalmente depois do colapso causado pela pandemia de Covid-19.

Kingsmill Bond, co-autor  do estudo, diz que a inovação tecnológica e o apoio político eram os dois grandes alicerces que suportavam a procura por combustíveis fósseis “setor a setor e país a país”. Bond acrescenta que “podemos ter assistido ao pico da procura por combustíveis fósseis como um todo. Estamos neste momento a testemunhar o declínio e a queda do sistema de combustíveis fósseis”.

Ainda assim, a procura por combustíveis fósseis poderá recuperar após o final da pandemia, com muitas projeções a apontar que compra de petróleo, em particular, possa regressar progressivamente à medida que os bloqueios começarem a ser levantados.

No entanto, o trabalho da Carbon Tracker é amplamente conhecido devido ao seu papel em informar iniciativas regulatórias internacionais sobre as mudanças climáticas, lideradas pelo enviado das Nações Unidas Mark Carney, ex-governador do Banco da Inglaterra.

O relatório diz que as empresas de combustíveis fósseis valem 18 biliões de dólares (16 biliões de euros) em ações listadas, um quarto do valor dos mercados globais de ações.

Devido às vulnerabilidades e perturbações que este setor atravessa, os reguladores devem garantir que as empresas respondem adequadamente ao provável impacto do acordo climático de Paris de 2015 na sua futura lucratividade, afirma o relatório.

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