Estudo revela aumento das emissões poluentes nos países do G20

O relatório em questão analisou as políticas e as ações climáticas que os países do G20 têm realizado para que seja possível atingir o que foi acordado em 2015.

O grande objetivo do Acordo de Paris, assinado em 2015 por 195 países, prevê limitar o aquecimento global abaixo de 1,5 graus Celsius, algo que permitiria reduzir os impactos das alterações climáticas em perto de 70%. Mas parece que nem todos os países estão a cumprir o que prometeram, revela o estudo ‘Brown to Green’ da Climate Transparency.

Os especialistas que analisam as emissões sustentam que, apesar da meta estabelecida ser acessível, esta pode não ser alcançada devido à fraca ambição das principais economias mundiais. O relatório em questão analisou as políticas e as ações climáticas que os países do G20 têm realizado para que seja possível atingir o que foi acordado em 2015. No entanto, o documento sublinha que nenhum dos membros está no caminho correto para atingir os requisitos para o objetivo.

A organização não-governamental garante que a tendência atual dos países pode levar a um aumento da temperatura em três graus Celsius acima dos níveis pré-industriais. Caso este valor seja alcançado, prevêem-se que se sofram impactos mais severos do que os previstos e pode fazer com que o planeta passe por “pontos críticos de inflexão”, sofrendo alterações profundas. Além da subida do nível do mar, estão previstas secas e inundações e o fraco acesso à água potável.

Os autores do relatório sustentam que o próximo ano será crucial para a ação climática. A conferência que vai acontecer em Madrid serve para os países apresentarem os objetivos e planos nacionais para as áreas mais críticas. “É relevante porque mostra aos governos como eles podem melhorar as suas metas de emissão, algumas semanas antes de se reunirem em Madrid para rever o Acordo de Paris”, assume Lena Donat, uma das autoras do relatório.

Atualmente, as principais economias mundiais são responsáveis por 80% das emissões de gases de efeito estufa. No ano passado, as emissões destes gases aumentaram em todos os setores dos países em questão, nomeadamente na construção. “Transporte e construção são dois dos setores mais problemáticos”, garante Donat.

“Muitos governos criaram políticas para tornar os edifícios mais eficientes, e as políticas estão a ser implementadas corretamente. Nos transportes, que representam 20% das emissões, estão a ser feitos progressos em questões como veículos elétricos, mas o transporte de mercadorias está a ser ignorado”, sustentou Donat.

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